Desde maio, cerca de 30 mulheres brasileiras vindas da Bélgica deram à luz no Hospital Universitário de Burgos, repetindo o mesmo padrão. O hospital denunciou o caso à Polícia Nacional há um mês.
Há já um mês, o Hospital Universitário de Burgos (HUBU) comunicou à Polícia Nacional uma situação que a equipa de Ginecologia e Obstetrícia vinha observando com estranheza há semanas.
Desde o início de maio, o serviço passou a acompanhar partos de mulheres de nacionalidade brasileira que, no entanto, não residiam em Espanha, mas sim na Bélgica e noutros países do norte da Europa, onde tinham feito o seguimento da gravidez.
De início, ninguém lhe deu grande importância. Uma mulher chegou às urgências numa fase avançada de gestação, indicou uma morada em Las Merindades e explicou que vinha da Bélgica. Deu à luz pouco depois.
O caso, isolado, não despertou grande atenção. O que veio mudar a situação foi a repetição de até 30 partos com características semelhantes em pouco mais de dois meses.
Mesmas moradas, mesmo acompanhante
O que acabou por pôr o serviço em alerta não foi tanto a nacionalidade das pacientes, mas a coincidência dos detalhes. A maioria destas mulheres, ao abrir o processo clínico, indicava uma de duas moradas concretas em Las Merindades, uma em Medina de Pomar e outra em Villarcayo.
O padrão repetia-se com uma regularidade assinalável: 38.ª, 39.ª ou 40.ª semana de gravidez, acompanhamento gestacional feito na Bélgica e chegada a Burgos, quer para uma última consulta antes do parto, quer já diretamente para dar à luz.
A isto somou-se outro detalhe que as parteiras e o pessoal médico não deixaram passar: num número indeterminado de casos, as mulheres apresentavam-se acompanhadas pelo mesmo homem. A situação chegou ao ponto de, na noite de quarta-feira passada, estarem três pacientes com este mesmo perfil em fase de dilatação, em simultâneo, nas salas de parto do hospital.
Denúncia ainda sem respostas
Tal como qualquer centro público, o HUBU está obrigado a prestar assistência a todas as pessoas que a solicitem, independentemente da sua nacionalidade ou lugar de residência. É o que explicam fontes do hospital, que sublinham que o acompanhamento não se limita ao momento do parto.
“Nós somos obrigados a prestar assistência. E não apenas no parto, atendemos tudo o que nos chega. E, nestes casos, costumam vir à última consulta e depois é-lhes programado o resto do acompanhamento”, indicam estas fontes.
De acordo com o último balanço feito pelo próprio centro, referente a junho e julho, o padrão repetiu-se entre 15 e 18 vezes nesse período, aos quais se somam os casos registados em maio. A soma aproximada ronda os 30 partos, segundo confirma “El Diario de Burgos (fonte em espanhol)”.
Dois meses e meio depois de ter sido detetado o primeiro caso, o hospital admite que desconhece o motivo deste fluxo continuado de parturientes com o mesmo perfil e que também não dispõe de informação sobre o que acontece com estas mulheres e os seus filhos depois de terem alta.