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Irlanda: alegado chefe de grupo criminoso Daniel Kinahan extraditado do Dubai para Dublin

Avião que transporta o alegado chefe do crime irlandês Daniel Kinahan, extraditado após detenção em abril no Dubai, chega a Dublin, Irlanda, 9 agosto 2026
Avião que leva o alegado chefe do crime irlandês Daniel Kinahan, extraditado após detenção em abril no Dubai, chega a Dublin em 9 de agosto de 2026 Direitos de autor  Captured poster of Daniel Kinahan - US Department of State
Direitos de autor Captured poster of Daniel Kinahan - US Department of State
De Malek Fouda
Publicado a Últimas notícias
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Acredita-se que Kinahan liderou o grupo criminoso Kinahan, suspeito de traficar droga para a Irlanda, Reino Unido e Espanha e de branqueamento de capitais e homicídio.

Alegado líder de um grupo de crime organizado irlandês foi extraditado do Dubai para a Irlanda para responder a acusações de que chefiava um império internacional de tráfico de droga e branqueamento de capitais com ramificações no Reino Unido, na Europa e nos Estados Unidos.

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Dados do Air Tracker indicaram que um avião do Corpo Aéreo irlandês, que partiu do Dubai, aterrou num aeroporto militar nos arredores da capital irlandesa, Dublin, na noite de domingo, depois de os tribunais dos Emirados Árabes Unidos terem recusado travar a extradição.

Acredita-se que o avião transportava Daniel Kinahan, de 49 anos, que deverá ser levado diretamente para o Special Criminal Court, em Dublin, onde irá responder a acusações (fonte em inglês) de direção de um grupo de crime organizado.

Deverá depois ficar detido na prisão de alta segurança de Portlaoise, cerca de 150 quilómetros a sudoeste da capital, segundo órgãos de comunicação social irlandeses.

O Special Criminal Court é competente para todos os casos de crime organizado e de terrorismo, bem como para outros em que o Ministério Público considera que os tribunais comuns são insuficientes para garantir a “eficaz administração da justiça”. Os casos são julgados por um painel de três juízes, sem júri.

Estarão em curso operações de segurança de grande envergadura para garantir que Kinahan enfrenta a justiça. Os protocolos incluem polícia armada, membros das forças armadas e do serviço prisional, que adquiriu recentemente uma viatura de escolta à prova de bomba para transportar suspeitos de crime organizado, presumíveis terroristas e outros reclusos de elevado risco.

Cartaz com o alegado chefe do crime irlandês Daniel Kinahan, depois de Washington ter retirado a recompensa de 5 milhões de dólares na sequência da sua detenção pelas autoridades no Dubai, Emirados Árabes Unidos, em abril de 2026
Cartaz com o alegado chefe do crime irlandês Daniel Kinahan, depois de Washington ter retirado a recompensa de 5 milhões de dólares na sequência da sua detenção pelas autoridades no Dubai, Emirados Árabes Unidos, em abril de 2026 US Department of State

As medidas de segurança surgem num contexto de alegações de que os Kinahan estão envolvidos numa sangrenta guerra de gangs com outro grupo de crime organizado irlandês.

“Desde fevereiro de 2016, o grupo de crime organizado Kinahan (Kinahan Organised Crime Group) está envolvido numa guerra de gangues com outro grupo na Irlanda e em Espanha, que resultou em numerosos homicídios, incluindo o de dois transeuntes inocentes”, afirmou o Departamento do Tesouro dos EUA em 2022, quando sancionou seis membros do gangue Kinahan e três empresas a ele associadas.

A polícia irlandesa, com o apoio das autoridades do Reino Unido, de Espanha e dos Estados Unidos, persegue há uma década os membros da organização de Kinahan. As autoridades alegam que o grupo introduziu na Europa drogas ilegais e armas no valor de dezenas de milhões de euros e que utilizava uma rede de empresas aparentemente legítimas para branquear os lucros.

Imagens dos Tribunais Criminais de Justiça, responsáveis por todos os casos de crime organizado e terrorismo, bem como outros processos criminais de grande mediatismo, em Dublin, Irlanda, 9 de agosto de 2026
Imagens dos Tribunais Criminais de Justiça, responsáveis por todos os casos de crime organizado e terrorismo, bem como outros processos criminais de grande mediatismo, em Dublin, Irlanda, 9 de agosto de 2026 (cleared)

Acredita-se que Daniel Kinahan dirigia as operações diárias do grupo a partir da sua base no Dubai, afirmou o Departamento do Tesouro norte-americano, incluindo a compra de “grandes quantidades de cocaína” na América do Sul, a organização da sua distribuição na Irlanda e tentativas de introduzir droga no Reino Unido.

O mesmo organismo acrescentou que Kinahan também terá ordenado a membros do grupo que entregassem dinheiro a várias pessoas presas, incluindo uma condenada por tentar assassinar alguém em nome da organização.

Em março de 2022, o chefe da organização Kinahan no Reino Unido, Thomas “Bomber” Kavanagh, foi condenado a 21 anos de prisão depois de ter sido considerado culpado de orquestrar envios de droga para o país. Outros dois homens foram condenados a 20 anos e a 19 anos e meio pela sua participação nos crimes.

Imagens dos Tribunais Criminais de Justiça, responsáveis por todos os casos de crime organizado e terrorismo, bem como outros processos criminais de grande mediatismo, em Dublin, Irlanda, 9 de agosto de 2026
Imagens dos Tribunais Criminais de Justiça, responsáveis por todos os casos de crime organizado e terrorismo, bem como outros processos criminais de grande mediatismo, em Dublin, Irlanda, 9 de agosto de 2026 (cleared)

Em setembro de 2022, a polícia espanhola deteve um irlandês suspeito de branquear dinheiro para o grupo criminoso Kinahan, depois de uma rusga a uma propriedade em Málaga, na Costa del Sol.

Suspeitava-se que o grupo registava empresas no Reino Unido, em Espanha e em Gibraltar e criava uma marca de vodka promovida em bares e discotecas ao longo da Costa del Sol para dissimular a origem dos rendimentos, segundo a Agência Nacional de Crime do Reino Unido (fonte em inglês), que colaborou na investigação.

“A rede de crime organizado Kinahan ultrapassa as fronteiras nacionais, razão pela qual são necessárias operações internacionais de aplicação da lei como esta”, afirmou então a agência.

Outras fontes • AP

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