A seca estende-se a toda a França continental: todos os departamentos estão já sujeitos a medidas de alerta, enquanto cerca de 70% do território enfrenta restrições de água.
Desapareceu o verde do mapa de França da vigia das águas. Segunda‑feira, 10 de agosto, os 99 departamentos metropolitanos estavam em alerta de seca. Sessenta e sete deles tinham mesmo ativado o nível “crise”, o mais elevado.
Para além da vigilância pedida aos moradores durante episódios de seca, foram decididas restrições ao uso da água. O departamento da Creuse, no centro do país, integra os que acionaram o nível de “crise”.
É proibido encher uma piscina, regar a horta entre as 8h00 e as 20h00 ou lavar o carro em casa. Mas as restrições também abrangem usos mais essenciais da água.
Foram encerradas as fontes públicas e privadas em circuito aberto, os espaços verdes ficaram sem rega à espera da chuva, enquanto até as lojas de jardinagem têm de respeitar restrições nos horários de rega das plantas.
Como explica o site da metrópole do Grand Lyon, o nível de “crise” limita a utilização da água aos “usos vitais”: lavar‑se, beber e garantir a segurança.
Os planos de seca são ativados à discrição das autoridades préfetais. Podem ser postos em prática assim que a situação começa a tornar‑se “preocupante”.
Inverno chuvoso, seca na primavera, seca no verão
O departamento da Manche, no oeste de França, está em alerta de seca há mais de um ano. Embora a região seja conhecida pelas chuvadas repetidas, o nível dos lençóis freáticos não voltou a subir de forma significativa, segundo a pré‑fectura. Nem sequer durante o inverno.
Já em abril de 2026, a pré‑fectura de Loire-Atlantique apelava aos particulares para pouparem água. Recomendações semelhantes tinham sido emitidas em Deux-Sèvres e em Charente-Maritime.
As reservas de águas subterrâneas já eram, por isso, reduzidas em muitos departamentos. Este verão, vários fatores conjugam‑se para agravar a seca em França.
A chuva tem sido escassa nos últimos meses. No mês de julho, 15 departamentos estiveram em “seca extrema”, principalmente no norte do país. Em julho de 2026, caíram apenas 5,4 mm de chuva em Paris. Em julho de 2025, tinham sido registados 94,9 mm.
No entanto, segundo os cientistas, são sobretudo as fortes ondas de calor, mais do que a falta de chuva, que agravam as secas. E as temperaturas não parecem descer neste início de agosto. Segunda‑feira, dia 10, a agência Météo France colocou 22 departamentos em vigilância laranja por onda de calor. No dia seguinte, eram já 43 departamentos nesse nível de alerta.
França perante as secas: que políticas da água
A água afirma‑se progressivamente como um tema da campanha presidencial francesa. Em visita a Argelès-sur-Mer, nos Pirenéus Orientais, Gabriel Attal escolheu abordar o assunto, afirmando não querer deixar o monopólio “aos Verdes e à La France insoumise”.
Jean-Luc Mélenchon já se tinha apropriado do tema da seca, com propostas suscetíveis de disputar o terreno tradicional dos ecologistas.
O candidato da esquerda radical propõe, nomeadamente, uma nova divisão administrativa baseada nas bacias hidrográficas, que batiza de “eco‑regiões”. Segundo ele, esta organização permitiria gerir melhor as reservas de água.