O ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, voltou a apresentar Ceuta e Melilha como reivindicação territorial. Referiu que o dossiê "continua em cima da mesa" nas reuniões entre Espanha e Marrocos.
“O caráter espanhol de Ceuta e Melilha não oferece qualquer dúvida”, declararam fontes diplomáticas espanholas à Euronews. “Ceuta e Melilha fazem parte da integridade territorial de Espanha, reconhecida internacionalmente. A integridade territorial de Espanha não tem sido nem será nunca objeto de negociação com ninguém”, sublinham as mesmas fontes.
Estas declarações vêm reforçar a mensagem incisiva da ministra da Defesa, Margarita Robles, que voltou a sublinhar na Cidade Autónoma de Ceuta que “Ceuta e Melilha não se tocam”. A mensagem não visava apenas transmitir segurança e afastar receios perante os rumores de uma nova tentativa de entrada massiva de migrantes neste fim de semana; é sobretudo um recado dirigido a Marrocos.
A ministra da Defesa, Margarita Robles, quis transmitir tranquilidade aos ceutenses e garantir que as Forças Armadas vão manter-se destacadas para apoiar a população.
Numa breve declaração, Robles insistiu que o sucedido no dia 30 não pode voltar a repetir-se: “Ceuta e Melilha são plenamente espanholas”, afirmou, antes de destacar o trabalho dos militares destacados há 11 dias. “Que as pessoas em Ceuta saibam que as suas Forças Armadas vão estar com elas. Não as vamos abandonar”, garantiu.
Marrocos: Ouahbi apresenta publicamente Ceuta e Melilha como uma reivindicação territorial de Marrocos
O ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, voltou a colocar publicamente Ceuta e Melilha como uma reivindicação territorial de Marrocos. Ouahbi afirmou que a questão de Ceuta e Melilha “continua em cima da mesa” nos encontros entre representantes de Espanha e de Marrocos.
Na terça-feira, o ministro da Justiça de Marrocos declarou, numa entrevista ao canal saudita “Asharq News”, que o debate sobre o controlo das duas cidades autónomas é um “assunto pendente”. Enquanto Marrocos volta a abrir este dossiê sensível, o país ainda não atualizou o número de mortos nem de desaparecidos no seu território após a crise migratória.
Marrocos e Espanha: situação dos menores é um dos assuntos pendentes entre Madrid e Rabat
A entrevista à “Asharq News” surge quase duas semanas após a crise migratória de Ceuta, com a situação dos menores marroquinos que permanecem na cidade entre os assuntos pendentes entre Madrid e Rabat. O ministro reclamou o seu regresso a Marrocos e defendeu que devem voltar para junto das famílias. “Não renunciamos às nossas crianças. Queremos e exigimos que as nossas crianças regressem a Marrocos”, afirmou.
Neste contexto, Ouahbi respondeu a uma das principais questões levantadas durante a crise, a de saber se Marrocos está a utilizar a imigração massiva como instrumento de pressão sobre Espanha. “Continuamos a reivindicar os nossos territórios e queremos resolver o problema através do diálogo”, garantiu Ouahbi, mas “nunca utilizámos esta questão como ferramenta de pressão”.
Ouahbi rejeitou que as crianças marroquinas possam permanecer em Espanha para responder a necessidades demográficas do país e defendeu que Marrocos não tem de assumir esse papel. “Não somos um Estado destinado a resolver o problema demográfico de qualquer outro país”, sentenciou.
O responsável marroquino pela Justiça criticou Madrid por “aceitar” e “regularizar” migrantes que chegam de forma irregular ao seu território, enquanto, segundo afirmou, Rabat procura impedir a saída dessas pessoas de Marrocos. Além disso, Ouahbi declarou à imprensa espanhola que “Marrocos está a estudar suspender o acordo de extradição com Espanha”.