Loader
Encontra-nos
Publicidade

Tajani alerta para a influência russa no processo eleitoral em Itália

Ministro dos Negócios Estrangeiros italiano Antonio Tajani, 29 de julho de 2026
Antonio Tajani, ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, 29 de julho de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Andrew Medichini
Direitos de autor AP Photo/Andrew Medichini
De Cecilia Attanasio Ghezzi
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano receia possíveis ingerências de Moscovo nas urnas.

“Não excluo que possa haver tentativas por parte da Federação Russa de interferir na vida democrática dos países da União Europeia, interferindo nas eleições livres e democráticas que se realizam nos nossos países, procurando condicionar, com esta atividade reprovável, a vontade popular”. Foi o que afirmou Antonio Tajani na abertura da reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em formato Gymnich, na Irlanda, respondendo precisamente a uma pergunta sobre a possibilidade de a Rússia tentar influenciar o voto em Itália.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

E acrescentou: “Recordo que, aquando da primeira visita de Zelenskyy, no momento em que o avião tocou a pista do aeroporto de Ciampino, eu estava lá para receber o presidente ucraniano e houve um ataque contra o site do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Há precedentes e nós vigiamos para que a vida democrática nos nossos países possa ser sempre garantida”.

Financial Times chama ao general Vannacci “um cavalo de Troia da Rússia

Outra pergunta inevitável foi sobre o artigo do diário britânico Financial Times que classifica o líder do novo partido de direita Roberto Vannacci como “um cavalo de Troia da Rússia”. E aqui o chefe da diplomacia italiana foi mais cauteloso, desejando – embora sem o excluir por completo – que tal não corresponda à verdade. Literalmente: “O Financial Times pode escrever o que quiser. É sempre preciso depois provar o que se afirma. Espero que isto seja absolutamente falso”.

Segundo o diário britânico, o líder do Futuro Nazionale procura transformar em apoio político a simpatia por Moscovo, ainda presente numa parte da opinião pública italiana, sobretudo explorando as repercussões económicas da guerra e das sanções. Ao fazê-lo, o artigo em causa cita o parecer de alguns analistas que suspeitam que, por detrás da ascensão do general, “exista uma influência russa, sobretudo depois de Meloni ter obrigado Salvini – outrora fervoroso admirador de Vladimir Putin – a alinhar com o seu apoio a Kiev”. “As suas posições alinhadas com o Kremlin – lê-se no Financial Times – arriscam complicar a campanha de reeleição de Meloni, explorando as profundas correntes de pacifismo, descontentamento económico e simpatia por Moscovo existentes em Itália”.

Oque disseram Crosetto e Zakharova sobre Fedorov e onde entra Gianni Rodari

Têm sido dias de réplicas e tréplicas cada vez mais frequentes e acesas entre Roma e Moscovo. Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Guido Crosetto, respondeu diretamente à porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, que considerara “ridícula” e digna de um conto de Gianni Rodari (“Se Rodari fosse vivo, penso que escreveria uma fábula satírica sobre tudo isto, mas não tenho a certeza de que fosse mais divertida do que a realidade”, foram as suas palavras) a nomeação do ex-ministro ucraniano Fedorov como consultor do Ministério da Defesa italiano.

“Percebo que prefeririam que as escolhas para a Itália fossem feitas por alguém que falasse primeiro com Moscovo”, comentou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, “mas, por agora, ainda não é assim e pensamos apenas em Roma, e não em Moscovo, Kiev ou Washington”. E acrescentou, em tom irónico: “Há algo de positivo nisto – diz o ministro – se Zakharova leu Rodari, coisa de que duvido, terá percebido que não queremos ter o destino do rato que comia gatos e que, por isso, também é precisa experiência no terreno. Mas duvido que ela, ou os nossos compatriotas que quis pôr em movimento com a sua mensagem, estejam dispostos a aceitá-lo, porque preferiam ver-nos fracos e indefesos”.

Não é a primeira vez que os dois recorrem a hipérboles no confronto verbal. Há apenas um mês, quando se sucediam as notícias sobre a futura consultoria do próprio Fedorov, Zakharova já comentara com sarcasmo: “É pena que Osama bin Laden não tenha vivido o suficiente para o ver: teria sido um excelente conselheiro para o governo italiano”.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Europe Today: ministros da UE reúnem-se após Alemanha atribuir ataque com drone à Rússia

UE pondera sanções adicionais devido à deportação de crianças ucranianas

Porta de comboio a alta velocidade abre em andamento na Alemanha