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França: Tensões aumentam nos Alpes após divulgação online de vídeo antissemita

Um homem usa uma quipá durante uma cerimónia na Argentina, em 2024. Imagem de ilustração
Homem usa uma kippa durante cerimónia na Argentina, em 2024. Imagem ilustrativa Direitos de autor  AP Photo
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De Laure Valentin com AFP
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Há décadas que, no verão, comunidades judaicas ortodoxas se instalam ao ar livre na tranquilidade dos Alpes, mas a presença e o modo de vida rigoroso geram por vezes tensões com habitantes e turistas.

Habitualmente pacata, a estância de esqui de Deux Alpes esteve no centro de uma polémica há alguns dias, na sequência de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais e em que uma comerciante, encostada ao balcão do seu bar, diz a um homem judeu ortodoxo: “A comunidade judaica, vocês são demasiado numerosos. A certa altura, isso começa a incomodar as pessoas.”

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Foi aberta uma investigação após o incidente. Mas o caso criou um mal-estar na estância, que há décadas recebe todos os verões famílias judias ortodoxas.

“Digamos que isso estragou o ambiente na estância, os turistas judeus ortodoxos não colaboram nada, não participam em nada, nem nos restaurantes, nem nos bares, nem nas atividades, enfim, só nas atividades das crianças, nos jogos, é tudo”, explica Danièle, cliente habitual da estância.

O caso também levou muita gente a falar e pôs em evidência focos de tensão que podem existir nas estâncias dos Alpes entre a população local e os veraneantes.

“Há outras pessoas que, mesmo quando se anda na rua com as crianças, lhes falam mal porque usam kipás. Ou seja, as pessoas sentem-se frustradas, há crianças, há muitos judeus, portanto esta não é afinal uma situação isolada”, afirma Hannah Lasry, turista judia.

O diretor do posto de turismo de Alpe d’Huez, Sébastien Merignargues, recorda por seu lado: “Quando estava em Tignes havia questões, por exemplo na piscina, ligadas ao facto de se ter de nadar separados, homens de um lado, mulheres de outro, e de os nadadores-salvadores terem de ser do mesmo sexo que os banhistas, pequenas coisas assim. E é verdade que são modos de funcionamento que nós não temos e que podem, não sei se ‘conflito’ é a palavra certa, mas em todo o caso obrigar a ajustamentos e, por vezes, tornam-se simplesmente pontos de bloqueio.”

O ministro da Administração Interna, Laurent Nuñez, condenou rapidamente as declarações antissemitas. Após várias audições, a investigação foi enviada “para análise” ao Ministério Público de Grenoble, indicou no início da semana.

Há vários anos, Deux Alpes acolhe o seminário de verão Beth Loubavitch (do movimento hassídico ultraortodoxo Habad-Loubavitch), grande encontro do judaísmo francófono que continua a atrair centenas de pessoas ao longo de três semanas. Criado no final dos anos 60, numa altura em que chegavam à metrópole centenas de milhares de judeus do Norte de África, este seminário passou desde então de estância em estância nos Alpes.

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