Não é a primeira vez que o líder do partido Horizontes ou outros candidatos franceses à presidência são visados nesta fase que antecede as eleições de 2027.
Uma notícia falsa no X afirma que o antigo primeiro-ministro francês e atual presidente da câmara de Le Havre, Édouard Philippe, comprou uma vivenda de luxo na Sicília, ligando a alegação a uma investigação real, mas sem relação, sobre o alegado uso indevido de fundos públicos.
Um vídeo partilhado online dizia que Philippe comprou a propriedade à autarca de Le Havre Stéphanie de Bazelaire e levantava dúvidas sobre como teria sido financiada a alegada compra.
O conteúdo foi inicialmente difundido por um falso jornal online italiano chamado “Repupplica.com”, que entretanto foi retirado da Internet.
O domínio, porém, soa muito semelhante ao do verdadeiro órgão de comunicação Repubblica.it. Ou seja, um site falso criado para ser facilmente confundido com o verdadeiro.
O vídeo cita ainda um artigo do órgão de comunicação Affari Italiani, que refere que Philippe está de facto a ser investigado. O artigo, no entanto, foi retirado do contexto, já que a investigação não menciona qualquer casa na Sicília.
O jornal Repubblica não publicou esta história, nenhuma fonte credível confirma que Philippe comprou uma vivenda siciliana de 15 milhões de euros e não há qualquer prova que ligue esse processo a uma casa na Sicília.
Mas, como acontece muitas vezes com notícias falsas, os nomes envolvidos não foram escolhidos ao acaso.
Philippe e de Bazelaire são visados numa investigação real, mas completamente distinta, em França, sobre a gestão de um projeto de desenvolvimento digital, de vários milhões de euros, em Le Havre.
A investigação inclui suspeitas de favorecimento e uso indevido de fundos públicos.
Philippe nega qualquer irregularidade e o inquérito continua em curso.
O antigo primeiro-ministro já tinha sido alvo de notícias falsas online antes das eleições presidenciais francesas. Uma delas afirmava, de forma infundada, que sofria de demência.
Outros candidatos presidenciais, como Raphaël Glucksmann e Gabriel Attal, também foram visados.
As autoridades francesas relacionam algumas destas operações com redes pró-russas e o Ministério Público está a analisar suspeitas de ingerência estrangeira contra potenciais candidatos.
A primeira volta das próximas eleições presidenciais está marcada para 18 de abril de 2027.