KGM, 19 anos, dos Estados Unidos, afirma que a dependência, desde cedo, das plataformas da Meta, Google e ByteDance a deixou com pensamentos suicidas e depressão.
Três das maiores tecnológicas do mundo enfrentam, a partir desta semana, um julgamento histórico nos Estados Unidos devido a alegações de que as suas plataformas viciam deliberadamente e prejudicam crianças.
A ação foi apresentada por uma jovem de 19 anos, identificada apenas pelas iniciais «KGM», que afirma que o uso do Instagram da Meta, do TikTok da ByteDance e do YouTube da Google em idade precoce levou ao agravamento da depressão e a pensamentos suicidas.
No processo, KGM alega que as empresas tomaram opções de conceção deliberadas, semelhantes às técnicas usadas nos casinos, para tornar as plataformas mais viciantes para crianças e aumentar os lucros.
Este argumento, se for bem-sucedido, pode contornar as leis norte-americanas que protegem as empresas tecnológicas de responsabilidade pelo conteúdo publicado nas suas plataformas.
«Os queixosos não são meros danos colaterais dos produtos dos réus», lê-se na ação. «São vítimas diretas das escolhas intencionais de conceção de produto feitas por cada réu... que os empurraram para ciclos viciosos autodestrutivos.»
Segundo Clay Calvert, investigador sénior não residente em estudos de políticas tecnológicas no American Enterprise Institute, o caso de KGM poderá ditar como milhares de outras ações semelhantes contra empresas de redes sociais serão apreciadas por um júri e que indemnizações, se existirem, poderão ser atribuídas.
Prevê-se que o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e outros executivos prestem depoimento no julgamento, que pode prolongar-se até oito semanas.
Meta, YouTube e TikTok não responderam de imediato aos pedidos de comentário da Associated Press. Uma quarta empresa referida na ação, a Snap Inc., proprietária do Snapchat, resolveu o caso na semana passada por um montante não divulgado.
Num artigo de blogue, a Meta escreveu que culpar as plataformas de redes sociais pelas dificuldades de saúde mental dos adolescentes «simplifica em demasia um problema sério».
«Reduzir os desafios enfrentados pelos adolescentes a um único fator ignora a investigação científica e os muitos fatores de stress que afetam hoje os jovens, como a pressão académica, a segurança nas escolas, os desafios socioeconómicos e o consumo de substâncias», lê-se no artigo.
Caso KGM é o primeiro de muitos este ano, incluindo uma ação movida por distritos escolares na Califórnia contra plataformas de redes sociais por danos causados a crianças, e mais de 40 ações estaduais intentadas contra a Meta. O TikTok enfrenta processos semelhantes em mais de uma dúzia de estados, segundo a AP.
Na Europa, famílias em Itália e França apresentaram ações coletivas contra a Meta e o TikTok por prejudicarem os seus filhos.
O caso italiano terá a primeira audiência a 12 de fevereiro, segundo a sociedade de advogados Ambrosio e Commodo, que representa as famílias.