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Deutsche Telekom aposta na Starlink para eliminar falhas de rede móvel na Europa

Dr. Abdu Mudesir, diretor de Produto e Tecnologia da Deutsche Telekom, em entrevista à Euronews Next no MWC 2026
Dr. Abdu Mudesir, diretor de Produto e Tecnologia da Deutsche Telekom, em entrevista à Euronews Next no MWC 2026 Direitos de autor  Euronews
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De Amber Louise Bryce
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Em declarações à Euronews Next, no 20.º Mobile World Congress, a Deutsche Telekom abordou a parceria com a Starlink, a integração de mais IA e a forma como gere o crescimento global protegendo a soberania da UE

Para reforçar a conectividade e colmatar falhas de cobertura em toda a Europa, a empresa alemã de telecomunicações Deutsche Telekom está a associar-se à empresa norte-americana de satélites Starlink.

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O anúncio surgiu durante o Mobile World Congress (MWC), em Barcelona, onde as redes não terrestres (NTN) estão no centro das atenções entre os operadores móveis que procuram alargar os seus serviços em escala e eficiência.

A Telekom é atualmente o maior operador de telecomunicações da Europa, mas muitas zonas continuam mal servidas devido a limitações topográficas e de conservação. A empresa vê na parceria com a Starlink uma forma de ligar melhor os europeus e de cumprir o objetivo de se tornar numa rede presente em todo o lado.

“Temos a melhor rede em todos os países. Operamos numa liderança de rede indiscutível, com cobertura superior a 90 por cento na maioria dos nossos países europeus”, disse à Euronews Next o Dr. Abdu Mudesir, diretor de Produto e Tecnologia da Deutsche Telekom.

“No entanto, são sempre os últimos 10 por cento, 5 por cento, 1 por cento que ficam por cobrir: as florestas, as montanhas, as ilhas. Nesses locais, os nossos clientes pedem comunicação em qualquer lugar, e é isso que podemos oferecer com a Starlink. E isso encaixa muito bem na nossa visão de ser uma rede de operadores de rede.”

Segundo a Telekom, o lançamento do serviço está previsto para 2028, com futuros smartphones preparados para se ligarem diretamente ao espetro MSS (Mobile Satellite Service) da Starlink.

A Starlink, divisão da empresa SpaceX, de Elon Musk, explora a conectividade móvel há algum tempo, e relatos recentes sugerem que poderá mesmo estar a desenvolver um smartphone com marca Starlink.

A Telekom começou a trabalhar com a SpaceX, em 2022, para eliminar zonas sem sinal móvel, mas isso está longe de ser o único foco, sublinhou Mudesir.

Paralelamente às NTN, a Telekom assume-se como “otimista em relação à inteligência artificial (IA)”. Ao integrar redes agentic, isto é, agentes autónomos de IA interligados, espera reforçar significativamente o desempenho da rede e dos serviços.

“Começámos com a visão de democratizar o acesso à IA”, disse Mudesir. “Conseguimos agora integrar capacidade de IA diretamente na nossa rede. Isto significa que eu e você podemos falar em duas línguas diferentes com tradução em tempo real. Ou podemos encontrar os melhores restaurantes para jantar aqui em Barcelona.

“Esta funcionalidade torna tudo isto possível mesmo para quem tem um telemóvel muito antigo. Até um Nokia 3310, qualquer aparelho sem aplicações. Não preciso de explicar à minha mãe como descarregar uma aplicação para usar este serviço, simplesmente funciona.”

Soberania da UE versus crescimento global

Enquanto empresa sediada na Alemanha, a Telekom sempre procurou reforçar a soberania da União Europeia (UE), privilegiando parcerias e iniciativas sobretudo europeias. Mas manter essa linha num mercado global altamente competitivo não seria compatível com o crescimento a longo prazo da empresa, defendeu Mudesir, sublinhando a importância da colaboração mundial.

“Vivemos num mundo global e acreditamos em parcerias em todo o mundo”, afirmou.

Mas a expansão global também alimenta preocupações públicas acrescidas com a regulamentação, violações de privacidade e vigilância. Mudesir considera que a forma de prevenir potenciais riscos passa por uma combinação de clareza regulatória e soberania digital.

“A questão central é: como garantimos um ambiente controlável em que os nossos dados estão seguros? Em que o acesso aos dados é regulado segundo as normas europeias e em que quem lhes pode aceder está num enquadramento soberano.

Mudesir está igualmente confiante de que as empresas e start-ups europeias vão continuar a liderar a inovação tecnológica a longo prazo, abrindo caminho a avanços significativos nos setores tecnológico e das telecomunicações.

“A Europa consegue fazê-lo e está a fazê-lo. Há pouco vi que, no ano passado, foram criados 27 unicórnios na Europa. Há uma oportunidade. Estou otimista, se nos organizarmos.”

A 20.ª edição do Mobile World Congress termina a 5 de março de 2026, em Barcelona, Espanha.

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