Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

IA alimenta ameaças cibernéticas globais, já não se pode confiar no que se vê e ouve

Com a escalada dos conflitos geopolíticos, especialistas em cibersegurança avisam que a guerra digital virá a seguir.
Perante a escalada dos conflitos geopolíticos, especialistas em cibersegurança alertam para o risco de uma guerra digital. Direitos de autor  Canva
Direitos de autor Canva
De Pascale Davies
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Deepfakes de IA e piratas informáticos ao serviço de Estados representam hoje um risco enorme para a cibersegurança, alerta um executivo da Palo Alto Networks

O conflito no Irão deverá desencadear um aumento de ciberataques de natureza geopolítica nos próximos dias, segundo um responsável da Palo Alto Networks, a maior empresa do mundo dedicada exclusivamente à cibersegurança.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Em declarações à Euronews Next no Mobile World Congress, em Barcelona, Scott McKinnon, diretor de segurança da Palo Alto Networks para o Reino Unido e Irlanda, alertou para uma vaga de “armas” cibernéticas complementares utilizadas por atores estatais, incluindo o Irão.

«Sempre que há um conflito, [...] há uma resposta. Não são só os sistemas físicos de defesa e ataque que são usados, mas também armas paralelas [...]», afirmou.

«É certo que, nos próximos dias, veremos mais atividade na sequência do que aconteceu no fim de semana», disse.

No sábado, terão ocorrido ciberataques em paralelo com o ataque norte-americano e israelita contra alvos iranianos, incluindo a intrusão em sites noticiosos e na aplicação de calendário BadeSaba, que passou a mostrar mensagens a dizer aos utilizadores que “chegou a hora de prestar contas”.

Leia também: Campo de batalha digital: como os ciberataques vão moldar o conflito entre Israel e o Irão

Segundo o Jerusalem Post, serviços governamentais iranianos e alvos militares também terão sido atingidos por operações no ciberespaço.

Mas as empresas e as infraestruturas nacionais modernas são muitas vezes alvos secundários destes confrontos geopolíticos.

O Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido (NCSC) continua a apontar o Irão — a par da Rússia e da Coreia do Norte — como um dos principais agentes estatais por detrás de ataques contra infraestruturas ocidentais.

McKinnon afirmou que cerca de 60% das organizações já adaptaram a sua estratégia de cibersegurança devido às tensões geopolíticas e que os Estados privilegiam ataques às Infraestruturas Críticas Nacionais (CNI), como redes de telecomunicações, redes elétricas e sistemas financeiros.

Para fazer face a esta realidade, a estratégia de defesa tem de ir além da “velha lógica das assinaturas”, deixando de esperar para ver como é o ataque antes de o bloquear, defendeu.

Ameaça da inteligência artificial à cibersegurança

A cibersegurança, porém, torna‑se mais complexa com o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), em particular dos deepfakes. Para estados e para quem comete fraudes, as identidades humanas são hoje mais fáceis de violar graças à IA.

«Já não podemos confiar apenas no que vemos e ouvimos. As organizações precisam de autenticação multifator, canais de comunicação secundários e até palavras de segurança — frases que só a pessoa verdadeira conheceria», explicou.

Outro problema são os emails de phishing gerados com IA: antes eram fáceis de detetar pela má gramática, agora são praticamente indistinguíveis de mensagens escritas por humanos.

Os atacantes recorrem à IA para recolher dados de perfis profissionais, identificar interesses das vítimas e criar mensagens altamente personalizadas destinadas a manipular pessoas para cederem acessos ou dinheiro, acrescentou.

«Temos observado uma escala muito maior no que conseguem fazer, maior velocidade e técnicas mais sofisticadas», disse. «Podem usar algumas das ferramentas que utilizamos na defesa para nos atacar.»

No mês passado, a Palo Alto Networks concluiu a aquisição da empresa CyberArk para reforçar o foco na “segurança da identidade humana, de máquinas e de agentes”, indicou a companhia.

A CyberArk centra‑se na segurança de agentes de IA que, segundo McKinnon, podem ser pirateados como qualquer outro software.

Os agentes de IA, afirmou, “precisam claramente de limites bem definidos e de uma missão muito específica... temos de ser extremamente claros quanto ao grau de autonomia que lhes conferimos”.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Suécia: um ano após falência da Northvolt, tecnologia verde diz que ainda não morreu

China abre primeira estação de voluntariado gerida por robots num parque público

Elon Musk anuncia planos para produzir chips para a SpaceX e Tesla