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Irão intensifica desinformação em plena guerra com os EUA

Socorristas e militares atuam no local onde várias pessoas morreram num ataque com mísseis iranianos em Beit Shemesh, Israel, domingo, 1 de março de 2026
Equipa de salvamento e militares trabalham no local onde várias pessoas morreram num ataque com míssil iraniano em Beit Shemesh, Israel, domingo, 1 de março de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Leo Correa, File
Direitos de autor AP Photo/Leo Correa, File
De Indrabati Lahiri
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Desinformação alastra nos órgãos de comunicação estatais do Irão, alerta um novo relatório.

Órgãos de comunicação estatais iranianos intensificaram de forma significativa as campanhas de desinformação, incluindo alegadas vitórias no campo de batalha apoiadas em imagens antigas ou manipuladas, segundo um relatório.

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Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão, em 28 de fevereiro, foram identificadas 18 alegações falsas relacionadas com a guerra, segundo a organização de avaliação de notícias NewsGuard.

Em comparação, nas duas semanas anteriores ao ataque Estados Unidos-Israel ao Irão tinham sido identificadas apenas cinco alegações falsas divulgadas por fontes iranianas.

A NewsGuard constatou também que os meios iranianos recorrem cada vez mais a imagens adulteradas com recurso a IA para difundir informação falsa. Em muitos casos, estas imagens são produzidas fora do Irão.

Falsas alegações e imagens de IA manipuladas

O jornal Tehran Times, controlado pelo Estado iraniano, publicou a 28 de fevereiro, na rede social X, uma imagem de satélite que alegadamente mostrava a destruição de um radar norte-americano na base aérea de Al-Udeid, no Qatar. A fotografia apresentava o local antes e depois do suposto ataque.

«Um radar norte-americano no Qatarfoi totalmente destruído hoje num ataque de drones iranianos», lia-se na publicação.

Mais tarde, o analista de guerra de informação Tal Hagin desmentiu a alegação, sublinhando que se tratava de uma imagem do Google Earth de 2 de fevereiro de 2025, manipulada por IA.

«Uma forma de perceber isso é que todos os carros ficaram exatamente no mesmo sítio», observou Hagin na sua publicação no X.

Fontes ligadas ao Estado iraniano divulgaram também um vídeo que alegadamente mostrava um caça abatido sobre Teerão em 4 de março. Vários canais do Telegram próximos dos Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) chegaram a celebrar o vídeo como prova de que o Irão tinha abatido um F-15 norte-americano.

Mais tarde, a força aérea israelita afirmou que as imagens mostravam, na realidade, um F-35 a abater um Yak-130 iraniano sobre Teerão.

A agência semi-oficial iraniana Mehr noticiou ainda que quatro mísseis balísticos iranianos tinham atingido o porta-aviões USS Abraham Lincoln, citando um comunicado dos Guardas da Revolução.

O Comando Central norte-americano esclareceu, porém, a 1 de março, que o Lincoln não foi atingido e que os mísseis nem sequer se aproximaram.

De forma semelhante, um porta-voz dos Guardas da Revolução afirmou que 650 militares norte-americanos tinham sido mortos ou feridos nos dois primeiros dias do conflito, declaração divulgada pela agência iraniana Tasnim, próxima dos meios militares. O CENTCOM desmentiu, indicando que seis militares dos EUA tinham morrido na guerra com o Irão.

Em alguns casos, as imagens de guerra foram retiradas de videojogos como Arma 3, segundo o site persa de verificação de factos Factnameh.

Desinformação nas redes sociais

Entretanto, uma investigação recente da revista Wired (fonte em inglês) identificou centenas de publicações na plataforma X, de Elon Musk, a difundir conteúdos enganosos ou falsos sobre o conflito, incluindo imagens manipuladas por IA e relatos exagerados da dimensão dos ataques, muitos deles publicados poucos minutos após os lançamentos de mísseis.

Uma dessas publicações, vista mais de quatro milhões de vezes, dizia mostrar mísseis balísticos sobre o Dubai, mas na realidade exibia imagens de um ataque iraniano a Telavive em outubro de 2024. Outra, com mais de 375 mil visualizações, apresentava uma falsa imagem de antes e depois do complexo do falecido líder supremo iraniano Ali Hosseini Khamenei.

Como espalha o Irão desinformação

Uma das principais razões que permite aos meios de comunicação estatais iranianos e a fontes associadas disseminar desinformação é o bloqueio quase total do acesso dos cidadãos à internet imposto pelo governo.

A empresa de infraestrutura web Cloudflare descreveu a situação, a 28 de fevereiro, como uma «quase total suspensão», depois de o tráfego ter caído 98% face à semana anterior.

Com acesso muito limitado a meios de comunicação estrangeiros, muitos iranianos ficam dependentes da rádio e da televisão estatais para se informarem. Outras opções passam pela Rede Nacional de Informação, a internet doméstica controlada pelo Estado, ou pela aplicação de mensagens Bale, apoiada pelo regime.

Segundo a NewsGuard, estas fontes continuam, no entanto, a difundir um grande número de alegadas vitórias militares que não correspondem à realidade.

A NewsGuard referiu ainda que a Rússia tem explorado as falsidades difundidas pelo Irão para minar a Ucrânia e os seus aliados, alegando que mísseis iranianos destruíram bases militares ucranianas no Dubai.

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