Honor revela telemóvel com braço robótico e apresenta robô humanoide no MWC 2026
Uma das novidades tecnológicas que mais atenção despertou no Mobile World Congress foi o «Robot Phone» da Honor, um dispositivo conceptual que, segundo a empresa, transforma o smartphone num companheiro de IA.
Depois de mostrar a palma e o dorso da mão, o sistema de gimbal sai do corpo do telefone e desdobra-se de forma engenhosa. Surge então um par de olhos no ecrã, que acompanha o olhar do utilizador para que o gimbal o possa seguir, algo que a Honor descreve como «IA incorporada».
A IA consegue falar com o utilizador e responder a perguntas, como por exemplo se a roupa que leva fica bem. A resposta surge em texto no ecrã, com comentários como «elegante» ou «profissional». Apesar de conseguir detetar vários pormenores do conjunto, nunca dirá que está mal vestido, garantiu um representante da Honor.
Para além de o elogiar, o gimbal consegue seguir sujeitos em tempo real, acompanhar o utilizador em videochamadas ajustando o ângulo e até reagir à música com movimentos.
«O robot phone é o primeiro telemóvel capaz de ver, ouvir e interagir fisicamente com o mundo, porque tem um braço robótico integrado. Agora pode ser usado como um verdadeiro companheiro», explicou Thomas Bai, especialista em produtos de IA da Honor, à Euronews Next.
Se for fazer caminhadas, por exemplo, pode servir de guia e companheiro de viagem, descrevendo as paisagens. «Acho que isso é magia no mundo real», afirmou.
Além de funcionar como companheiro, também pode ajudar criadores de conteúdos a filmar e a tirar fotografias.
O dispositivo integra uma câmara de 200 megapíxeis, estabilização gimbal de três eixos, modo de seguimento de objetos com IA e uma função denominada AI SpinShot, que permite transições rotativas suaves de 90 e 180 graus para vídeo com aspeto cinematográfico, tudo utilizável com uma só mão.
Como acontece com qualquer dispositivo dobrável, a durabilidade é uma questão central. Bai afirmou estar «confiante» na robustez do telemóvel, uma vez que recorre aos mesmos materiais usados nos dobráveis da marca, como aço e liga de titânio.
Outro smartphone em exibição era o Magic V6, o mais recente dobrável topo de gama da Honor e o primeiro do género equipado com o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm. É um dos dobráveis mais finos do mercado, com 8,75 mm quando fechado, apesar de integrar uma bateria de 6 660 mAh.
O robot phone é, para já, um conceito, com lançamento previsto para o final deste ano. O preço ainda não foi divulgado.
Mas a Honor não se limitou a mostrar novos smartphones. Um dos principais anúncios foi a entrada da empresa no mercado dos robôs humanoides.
A empresa sublinha que o robô não é uma ferramenta industrial, mas sim um dispositivo para o consumidor final.
«Imaginamos muitas funções para um robô. Antes de mais, pode ser um companheiro», referiu Bai.
«Pode conversar consigo e ajudar em tarefas. Por exemplo, em algumas lides domésticas, talvez a lavar a loiça, algo desse género. Esperamos que isso venha a ser possível no futuro.»
A Honor adianta que os robôs vão ser pensados para três cenários: assistência em lojas, inspeções em locais de trabalho e companhia pessoal.
A empresa considera que a vasta base de dados de utilizadores e a experiência acumulada com smartphones lhe dão vantagem face às empresas de robótica tradicionais, ao permitir criar máquinas capazes de reconhecer pessoas e adaptar-se às suas necessidades desde o primeiro contacto.
Os anúncios da Honor no MWC 2026 mostram como a empresa chinesa procura reposicionar-se, passando de fabricante de smartphones a ampla plataforma de hardware de IA.
«O robô humanoide faz parte do nosso plano Alpha. Sim, transformámo-nos de uma empresa de smartphones numa empresa de dispositivos para um ecossistema de IA», disse Bai
«É uma nova categoria de produtos e estamos muito entusiasmados por levá-la aos nossos clientes.»