Ansioso por ver “TA Odisseia ” de graça? Cópias piratas já espalham malware que rouba palavras-passe, dados de pagamento e outras informações
Cópias digitais pirata do sucesso de bilheteira "A Odisseia" estão a ser utilizadas para atacar os computadores dos espectadores, segundo uma nova investigação da empresa de cibersegurança Bitdefender.
“Análises internas da Bitdefender mostram que os utilizadores já tentaram descarregar ficheiros executáveis maliciosos disfarçados de filme”, afirmou a multinacional de cibersegurança em comunicado.
O filme "A Odisseia" ainda não foi disponibilizado online e as sessões IMAX continuam esgotadas em muitos locais para as próximas semanas.
“Poucos dias depois de 'A Odisseia' se ter tornado numa das maiores estreias de cinema do ano, os investigadores de cibersegurança já detetaram falsas cópias pirata a distribuir o malware Lumma Stealer”, prosseguiu o comunicado.
A situação levanta sérias preocupações de cibersegurança, uma vez que pode permitir a atacantes online aceder a milhares de computadores portáteis de consumidores, sobretudo porque vários sites ilegais apresentam ficheiros que se fazem passar por downloads legítimos de vídeo do filme.
Em muitos casos, porém, estes ficheiros são versões camufladas de um malware conhecido como “Lumma Stealer”, que infeta os dispositivos dos espectadores quando são abertos.
Desenvolvido na Rússia, o Lumma Stealer terá capacidade para roubar informação sensível, incluindo credenciais de início de sessão e de pagamento guardadas, cookies de sessão, histórico de navegação, ferramentas de acesso remoto e aplicações de comunicação, bem como quaisquer outros documentos ou ficheiros guardados localmente no dispositivo.
Com acesso a um leque tão vasto de dados e ferramentas, os atacantes podem obter uma entrada e um controlo significativos não só sobre o dispositivo de um utilizador, mas também sobre as suas finanças e rede de contactos.
Cópias ilegais de filmes usadas em ataques informáticos
Embora esta mais recente campanha em torno de "A Odisseia" possa ser preocupante, insere-se numa tendência de longa data em que filmes populares são usados para disseminar ferramentas de ataque e malware.
Os piratas informáticos aproveitam normalmente a janela entre a estreia de um filme nas salas de cinema e a sua chegada a plataformas legais de streaming como a Netflix ou a Amazon Prime.
A Bitdefender identificou vários nomes de ficheiros-isco a circular online, entre os quais:
- the odyssey 2160phd (2026) engsubs eztv.exe
- the odyssey 2026 1080p h264-djt.exe
- the odyssey 2026 1080p webrip-lama.exe
Apesar de prometerem o download de um filme, tratam-se na realidade de ficheiros executáveis para Windows concebidos para infetar o dispositivo da vítima, em vez de reproduzir qualquer vídeo.
A Bitdefender alertou que esta lista não é exaustiva e que os criminosos estarão a usar muitos outros nomes de ficheiros.
Esta não é uma técnica nova. Em 2025, os investigadores documentaram uma campanha quase idêntica que explorava falsos downloads de “Missão: Impossível - O Ajuste de Contas Final”, na qual os atacantes distribuíam o Lumma Stealer através de sites de torrents, usando ficheiros disfarçados de lançamentos do filme.
“A campanha mais recente limita-se a substituir um êxito de bilheteira por outro. Em vez de inventarem novos ataques, os criminosos reciclam continuamente métodos de distribuição bem-sucedidos em torno de qualquer filme que esteja a dominar os motores de busca e os sites de torrents”, lê-se no relatório.
Os trackers de torrents estão cheios deste tipo de malware. Os filmes populares não são o único alvo do Lumma e de outros stealers: o mesmo acontece com séries de televisão, jogos pirateados e software.
Esta tendência agrava-se pelo facto de as pessoas poderem ser menos vigilantes ao verificar tipos e nomes de ficheiros neste tipo de sites, uma vez que já sabem que o conteúdo é ilegal e podem esperar ver nomes de ficheiros pouco habituais.
Para evitar estas ameaças, a Bitdefender sublinhou a importância de ver filmes apenas através de serviços de streaming reconhecidos e legítimos, mantendo também o software de cibersegurança e os sistemas informáticos atualizados.