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Esquemas fantasma: o que são e porque acaba a roubar-se a si próprio

Silhueta de alguém a escrever no computador numa sala pouco iluminada, destacando ameaças de cibersegurança
Silhueta de uma pessoa a escrever num computador, numa sala pouco iluminada, a sublinhar as ameaças à cibersegurança Direitos de autor  Anete Lusina/Pexels
Direitos de autor Anete Lusina/Pexels
De Indrabati Lahiri
Publicado a Últimas notícias
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Sem hackers, sem crime aparente, sem banco do outro lado da linha: apenas um guião pensado para o levar a esvaziar a conta. Eis como funcionam as burlas fantasma e como desligar a tempo.

As burlas do hacker fantasma, também conhecidas como “phantom scams”, dispararam nos últimos anos.

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Tratam-se de fraudes elaboradas em que criminosos convencem as vítimas de que o seu dinheiro ou computador foi comprometido por um hacker. O burlão acaba depois por pressionar a vítima a transferir as poupanças para uma conta supostamente “segura”, que na verdade é controlada pelos próprios criminosos.

A expansão da inteligência artificial, da banca online e das redes sociais alimentou esta tendência: mais formas de pagar e receber dinheiro significam mais pontos de entrada para os burlões explorarem.

Como funcionam as burlas do hacker fantasma

Algumas das burlas do hacker fantasma mais comuns desenrolam-se em várias fases. A primeira costuma ser o falso apoio técnico.

Normalmente surge um aviso em janela pop-up, uma mensagem de texto ou uma chamada a afirmar que o seu computador ou dispositivo tem um vírus. Quando liga para o número indicado, alguém que se faz passar por apoio técnico pode pedir-lhe para descarregar software de acesso remoto.

A fase seguinte é o falso alerta do banco. Outra pessoa pode ligar-lhe, alegando que as suas contas estão a ser pirateadas. Os burlões conseguem frequentemente falsificar a informação do identificador de chamadas, o que faz com que a chamada pareça vir de um número legítimo.

Podem dizer que é preciso agir de imediato para proteger a sua conta e os seus fundos, pelo que tem de iniciar sessão nesse momento para verificar o saldo.

Mas, como já têm acesso remoto ao seu dispositivo, podem observar o seu login e recolher os seus dados.

A fase final é a do falso representante do Estado. Pode envolver uma terceira pessoa a ligar-lhe e a afirmar que pertence a um organismo público ou autoridade policial, como o FBI ou a Reserva Federal.

Podem pressioná-lo a transferir o dinheiro para uma conta supostamente “segura” ou a convertê-lo em criptomoedas ou barras de ouro para o “proteger”.

Noutras variantes, as vítimas são levadas a descarregar uma aplicação que alegadamente acelera transferências de fundos. Na prática, isto dá aos burlões acesso remoto ao dispositivo, permitindo-lhes roubar dinheiro, muitas vezes todas as poupanças de uma vida, diretamente da conta.

Os métodos variam, mas a tática de base é quase sempre a mesma: criar um sentimento de urgência e levar as vítimas a agir em pânico.

Como se proteger

De acordo com a TEG Federal Credit Union, a melhor defesa é simples: nunca confiar em chamadas, mensagens ou pop-ups não solicitados sobre a sua conta bancária ou computador. Desligar imediatamente se receber algum.

Nunca descarregar software ou aplicações de visualização remota a pedido de alguém que o contactou sem aviso.

Se suspeitar de uma burla, ligar diretamente para o seu banco, usando o número que consta no site oficial ou no verso do cartão.

Nenhum banco, empresa de tecnologia ou organismo público legítimo lhe vai pedir que transfira as suas poupanças para uma conta “segura” ou que compre ouro ou criptomoedas.

Como diferem as burlas do hacker fantasma da dívida fantasma

Ao contrário das burlas do hacker fantasma, que normalmente assentam no acesso ao dinheiro ou à conta bancária da vítima, a dívida fantasma, também chamada “zombie debt”, é um tipo de burla diferente. Aqui, os burlões tentam que as vítimas paguem dívidas falsas ou já caducadas.

Se antes isto era feito através de e-mails mal escritos ou chamadas frias pouco credíveis, hoje os burlões recorrem a modelos de linguagem de grande dimensão (LLM) para redigir ameaças legais perfeitamente adaptadas à realidade local e altamente convincentes.

Essas dívidas podem já ter sido liquidadas, terem sido perdoadas num processo de insolvência ou terem sido artificialmente inflacionadas por operadores pouco transparentes.

Os burlões fazem-se normalmente passar por cobradores de dívidas e recorrem a linguagem agressiva, falsas ameaças de detenção ou intimidação para assustar as vítimas e levá-las a pagar de imediato.

Em muitos casos, usam também linguagem confusa para explicar como é que uma dívida que se julgava paga ou extinta continua a ser devida, mantendo sempre estratégias de intimidação e de criação de pânico para impedir as vítimas de aprofundarem a investigação do caso.

Isto é frequentemente dirigido a pessoas mais idosas.

Os burlões recorrem ainda a agentes automáticos de IA para recolher informação pública, construir um perfil da vítima e utilizar clips de áudio para clonar vozes, fingindo ser representantes da polícia ou de bancos.

Por vezes pedem pagamentos em criptomoedas ou transferências bancárias para liquidar estas dívidas fantasma.

Tal como nas burlas do hacker fantasma, os consumidores devem desligar imediatamente quando recebem este tipo de chamadas, além de protegerem os seus dados e bloquearem pagamentos.

Podem também exigir uma carta de validação, que os cobradores legítimos são obrigados a enviar em muitas jurisdições, ou então bloquear o contacto e denunciá-lo.

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