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Sindicatos europeus pedem pausas para arrefecer no trabalho com modelo do Mundial

Operário numa obra durante temperaturas elevadas em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris, quarta-feira, 24 de junho de 2026.
Um trabalhador num estaleiro de construção durante temperaturas elevadas em Boulogne-Billancourt, nos arredores de Paris, quarta-feira, 24 de junho de 2026 Direitos de autor  AP Photo/Christophe Ena
Direitos de autor AP Photo/Christophe Ena
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a Últimas notícias
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A Confederação Europeia de Sindicatos exige à Comissão Europeia uma lei que limite a temperatura máxima no trabalho, alertando que o calor extremo já é uma ameaça previsível e evitável para trabalhadores em todo o continente

“Intervalos de arrefecimento” para todos os trabalhadores? Uma organização sindical europeia apela à Comissão Europeia para que introduza pausas para os trabalhadores em plena vaga de calor sem precedentes.

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“Os intervalos de arrefecimento usados no Mundial chamaram a atenção para o perigo que o calor extremo representa para os trabalhadores e para o tipo de medidas que podem ser tomadas para manter as pessoas em segurança”, afirmou Esther Lynch, secretária-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC).

Acrescentou que, embora os trabalhadores precisem de mais de três minutos para recuperarem da exposição ao calor, esta prática é um bom exemplo de como o trabalho pode ser adaptado às alterações do clima.

“Precisamos de uma lei que estabeleça uma temperatura máxima de trabalho e dê a todos os trabalhadores o direito a pausas pagas, água e instalações sanitárias”, disse Lynch ao Euronews Health.

O stress térmico no local de trabalho provoca esforço fisiológico no organismo, que pode levar à exaustão, a patologias e até à morte.

As mortes no trabalho devido ao calor extremo têm aumentado em toda a Europa nos últimos anos.

De acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, mais de 2,4 mil milhões de trabalhadores estão expostos a calor excessivo em todo o mundo, o que resulta em mais de 22,85 milhões de acidentes de trabalho por ano.

Ainda segundo a OMS, para suportar um turno de trabalho de oito horas, a temperatura corporal central não deve ultrapassar os 38 ºC.

A exposição prolongada a temperaturas elevadas acarreta riscos significativos para a saúde, aumenta a probabilidade de doenças cardiovasculares, agrava doenças respiratórias e contribui para outras patologias, como doença renal crónica ou infertilidade.

Quem está mais em risco?

Embora o calor afete todos os trabalhadores, certas profissões e condições de saúde colocam as pessoas em maior risco.

Trabalhadores mais velhos, pessoas com doenças crónicas, mulheres grávidas e quem desempenha trabalhos físicos muito intensos são mais vulneráveis às temperaturas elevadas.

“As pessoas que trabalham ao ar livre na construção ou na agricultura correm, obviamente, um risco elevado de exposição ao calor, mas quase metade de todos os trabalhadores está exposta ao calor no trabalho”, afirmou Lynch.

O que pode ser feito para proteger os trabalhadores?

Prevê-se que as vagas de calor se tornem cada vez mais frequentes e os locais de trabalho estão a tentar adaptar-se a esta nova realidade.

Segundo a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, ajustes como horários de trabalho flexíveis, pausas regulares e rotação de tarefas são as medidas mais comuns para prevenir o stress térmico e os riscos profissionais associados às alterações climáticas.

“Os empregadores têm de reconhecer que o calor é agora um risco profissional previsível e que deve ser prevenido através de medidas de proteção planeadas e discutidas antecipadamente”, defendeu Lynch.

Indicou que o problema atual na Europa é um “mosaico de leis nacionais inadequadas e desatualizadas e de orientações voluntárias da Comissão Europeia”.

“As alterações climáticas não são um problema que respeite fronteiras, por isso precisamos de legislação europeia vinculativa e de investimento nas inspeções do trabalho para garantir que é cumprida”, acrescentou Lynch.

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