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França: criança de 3 anos encontrada morta dentro de carro durante onda de calor

ARQUIVO: Uma pessoa refresca-se na fonte do Trocadero, perto da Torre Eiffel, durante uma vaga de calor em Paris, quarta-feira, 24 de junho de 2026
ARQUIVO: Uma pessoa refresca-se na fonte do Trocadéro, perto da Torre Eiffel, durante uma vaga de calor em Paris, quarta-feira, 24 de junho de 2026 Direitos de autor  Christophe Ena/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
Direitos de autor Christophe Ena/Copyright 2026 The AP. All rights reserved.
De Serge Duchêne com AFP
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Segunda-feira, em Carpentras (Vaucluse), duas crianças de 2 e 4 anos foram encontradas em paragem cardiorrespiratória no carro da família. Desde quinta-feira, 72 departamentos franceses estão em alerta vermelho de calor

Uma criança de três anos morreu depois de ficar presa num carro em Saint-Gratien, no Val-d'Oise (região de Paris), devido ao calor extremo, anunciou na quinta-feira o procurador de Pontoise. Trata-se da terceira morte deste tipo esta semana.

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O rapaz tinha entrado sorrateiramente no carro da família enquanto o pai pensava que ele dormia a sesta - acabou depois por não conseguir sair por causa do bloqueio de segurança para crianças, precisou o Ministério Público, confirmando informações já avançadas por uma fonte policial e pelos serviços de socorro.

França registou na quarta-feira o dia mais quente desde o início dos registos, em 1947, com uma temperatura média de 30 ºC.

Na capital, os termómetros chegaram aos 40,3 ºC nesse mesmo dia, ultrapassando pela quarta vez em 150 anos a fasquia dos 40 ºC.

A criança acabou por morrer apesar das tentativas dos pais e dos bombeiros para a reanimar, afirmou o procurador da República, Guirec Le Bras.

A mãe dormia a sesta com o segundo filho do casal, de 18 meses, enquanto o pai trabalhava num anexo de jardim, indicou o magistrado, citando os primeiros elementos da investigação.

O pai tinha pedido ao filho que dormisse a sesta, mas a criança escapou à vigilância dos pais durante pelo menos 45 minutos e subiu para o carro, cujas portas estavam destrancadas. No entanto, o bloqueio de segurança para crianças estava ativado.

«Aparentemente fechou-se então lá dentro e ficou preso no veículo, antes de ser encontrado inconsciente pelos pais», explicou o magistrado.

A mãe foi hospitalizada em estado de choque.

Este é o mais recente caso de morte de uma criança num veículo devido a calor sufocante.

Na segunda-feira, os corpos de duas crianças, de dois e quatro anos, foram encontrados no carro da família num parque de estacionamento residencial em Carpentras, no sul de França.

As duas crianças deverão ter entrado no veículo depois de escaparem à vigilância da mãe, tendo ficado depois presas no interior.

A vaga de calor excecional que atinge França continua nesta quinta-feira, com 72 departamentos em alerta vermelho devido à canícula e outros 17 em alerta laranja.

Cerca de 63 milhões de pessoas deveriam enfrentar temperaturas acima dos 30 ºC esta quinta-feira, segundo cálculos da AFP, depois de o país ter vivido a noite mais quente de sempre. Os serviços meteorológicos alertaram que a vaga de calor iniciada na semana passada pode rivalizar com o episódio de calor extremo de 2003, que causou a morte a quase 15 000 pessoas em todo o país.

O número total de mortes relacionadas com o calor registadas em França desde a semana passada permanece incerto.

Mais cedo, esta quinta-feira, o primeiro adjunto da presidente da Câmara de Paris, Emmanuel Grégoire, sinalizou um aumento da mortalidade na capital, sem avançar números precisos. «Lanço um apelo solene para que as pessoas sejam prudentes consigo próprias», protegendo-se do sol e evitando sair nas horas de maior calor, acrescentou.

Estas temperaturas elevadas dificultam a manutenção de casas frescas para milhões de franceses – num país onde, segundo o governo, uma em cada três habitações não está adaptada a temperaturas extremas, fala-se já de uma «França das ventoinhas» contra uma «França dos aparelhos de ar condicionado» – e obrigaram milhares de escolas primárias em todo o território a fechar portas, encurtar as aulas ou adaptar os exames de fim de ano.

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