Pessoas com boa saúde vascular podem ganhar mais anos de vida sem demência, indica uma nova investigação.
Manter uma tensão arterial normal, não ter diabetes e não fumar entre os 48 e os 68 anos está associado, em média, a quase 13 anos adicionais de vida sem demência, segundo um novo estudo.
A demência é uma das cargas de doença que mais crescem à escala mundial. Todos os anos são diagnosticados 10 milhões de novos casos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, e prevê-se que esse número ultrapasse 150 milhões até 2050.
Este aumento tem levado os investigadores a focarem-se na prevenção e nos fatores de estilo de vida modificáveis que as pessoas podem adotar na meia-idade para um envelhecimento mais saudável.
Os resultados, publicados na revista Neurology Open Access (fonte em inglês), mostram que manter uma boa saúde vascular, definida pela ausência de diabetes, hipertensão e tabagismo, durante a meia-idade influencia diretamente o número de anos que uma pessoa pode esperar viver sem desenvolver demência.
“Os nossos resultados mostram que as pessoas precisam de evitar ativamente estes fatores na meia-idade como estratégia para preservar a saúde do cérebro durante mais de uma década”, afirmou o investigador principal do estudo, Josef Coresh.
Ao analisar dados de mais de 12 000 participantes, os investigadores constataram que as pessoas com diabetes, hipertensão ou hábitos tabágicos tinham uma vida sem demência significativamente mais curta.
Os participantes com três fatores de risco na meia-idade enfrentavam um risco de desenvolver demência quase três vezes superior ao das pessoas sem fatores de risco.
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As pessoas sem fatores de risco vasculares aos 55 anos podiam esperar viver em média 30 anos sem demência.
Quem tinha um fator de risco podia contar com 26 anos sem demência, quem tinha dois com 21 anos, e quem apresentava três fatores com pouco mais de 17 anos, o que significa que as pessoas sem fatores de risco viveram cerca de 13 anos mais sem défices cognitivos do que aquelas com as três condições.
Também surgiram diferenças entre sexos. As mulheres viveram, em geral, mais anos sem demência do que os homens; entre as pessoas com três fatores de risco, por exemplo, as mulheres registaram em média 18 anos, contra 16 anos nos homens.
“Espera-se que estes resultados incentivem as pessoas a deixar de fumar e a vigiar de perto a saúde vascular a partir dos 48 anos”, disse Coresh.