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Bulgária: como passar 48 horas em Plovdiv, a cidade habitada mais antiga da Europa

Teatro Antigo de Filipópolis, em Plovdiv
Teatro antigo de Filipópolis em Plovdiv Direitos de autor  Dianne Apen-Sadler/Euronews Travel
Direitos de autor Dianne Apen-Sadler/Euronews Travel
De Dianne Apen-Sadler
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Neste guia de viagem de Plovdiv, descubra sítios romanos, casas do Renascimento búlgaro e os melhores restaurantes e bares

Entre os muitos impérios antigos que marcaram a história, na Europa são os Romanos que dominam o debate.

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Os vestígios estão por todo o lado, desde a utilização do alfabeto latino e de muitos princípios jurídicos até ao facto de, ao que parece, os homens pensarem no Império Romano todos os dias, como revelou uma tendência no TikTok há alguns anos.

Os edifícios e sítios arqueológicos romanos continuam a fascinar, atraindo turistas ao Coliseu de Roma, à Muralha de Adriano, no Reino Unido, e ao Aqueduto de Segóvia, em Espanha.

Nem todas as maravilhas romanas que chegaram até aos nossos dias são conhecidas do grande público, como descobri numa visita recente a Plovdiv, na Bulgária.

O teatro romano de Philippopolis está entre os melhor conservados do mundo, mas em meados de maio tinha apenas mais algumas pessoas e um gato amistoso como companhia na visita.

Na verdade, a história de Plovdiv começa muito antes dos Romanos: os arqueólogos encontraram indícios de ocupação humana aqui desde 6000 a.C., o que faz da cidade a mais antiga continuamente habitada da Europa.

Desde então, a cidade teve vários governantes, dos trácios e Filipe II da Macedónia (o pai de Alexandre, o Grande) aos búlgaros e aos otomanos.

Com a cidade entre as candidatas a acolher a Eurovisão em 2027, não deverá demorar muito até que cheguem as multidões. Aproveite para visitar já e use o nosso guia sobre o que ver e fazer.

Ver e fazer em Plovdiv

Admirar o estádio de Philippopolis

Plovdiv teve muitos nomes, mas um dos que mais vai ouvir durante a visita é Philippopolis.

Filipe, o Grande, pai de Alexandre, fundou a cidade como pólis e deu-lhe o seu nome em 342 a.C., vindo mais tarde a tornar-se capital da província romana da Trácia.

Um dos principais locais da era romana é o antigo estádio. Construído no século I d.C., tinha capacidade para 30 000 espectadores, que vinham assistir a competições atléticas e lutas de gladiadores.

Apenas uma parte do estádio, no final da principal rua pedonal da cidade, está acessível ao público, já que grande parte da estrutura permanece sob as lojas vizinhas.

Esfregar os joelhos de Milyo, o Louco

Outro dos habitantes mais conhecidos de Plovdiv foi Milyo Ludia.

Conhecido por ser um pouco, digamos, louco, Milyo era presença constante na mesma rua do estádio, onde hoje se encontra a sua estátua.

Vai reparar que os joelhos de Milyo brilham mais do que o resto da estátua, porque se diz que esfregá-los ambos em simultâneo traz boa sorte à vida amorosa.

O melhor é perguntar a um habitante exatamente porquê…

A mesquita Djumaya, da época otomana, fica mesmo ao lado do estádio romano de Philippopolis
A mesquita Djumaya, da época otomana, fica mesmo ao lado do estádio romano de Philippopolis Dianne Apen-Sadler

Visitar a mesquita Djumaya

Deixando os Romanos para trás, é possível espreitar a história otomana de Plovdiv com uma visita à mesquita Djumaya.

Pouco depois da conquista da cidade, em 1363, foi erguida aqui uma mesquita, embora essa estrutura tenha sido demolida e substituída pelo edifício atual no século XV.

Entre os mais antigos edifícios religiosos otomanos dos Balcãs, o templo foi influenciado pela arquitetura bizantina e pela antiga arquitetura búlgara, com camadas alternadas de tijolo e pedra.

Djumaya é a principal mesquita da cidade, e é necessário cobrir-se adequadamente para entrar.

A casa Hindliyan é uma das muitas residências do Renascimento Búlgaro na Cidade Velha de Plovdiv
A casa Hindliyan é uma das muitas residências do Renascimento Búlgaro na Cidade Velha de Plovdiv Dianne Apen-Sadler

Explorar a Cidade Velha de Plovdiv

A Cidade Velha de Plovdiv está na lista provisória de Património Mundial da UNESCO desde 2004 e merece plenamente o lugar.

É aqui que se encontram alguns dos mais importantes sítios antigos da cidade (já lá vamos), mas também numerosas casas construídas no estilo do Renascimento Búlgaro.

Ao passear pelas ruas calcetadas, vai encontrar várias casas abertas ao público, como a casa Nedkovich, a casa Stambolyan e a casa Balabanov, mas eu acabei por escolher visitar a casa Hindliyan.

Construída em 1834, a casa está notavelmente bem preservada e é possível ver o mobiliário e a decoração da época.

Outra opção é o Museu Etnográfico, dedicado, entre outros temas, ao vestuário, aos instrumentos musicais e à agricultura no país.

O antigo teatro de Philippopolis continua a receber concertos
O antigo teatro de Philippopolis continua a receber concertos Dianne Apen-Sadler

Assistir a um concerto no antigo teatro de Philippopolis

O teatro da cidade esteve em funcionamento do século I ao século V, altura em que foi destruído, provavelmente por um incêndio ou por um terramoto.

Foi novamente trazido à luz nas escavações arqueológicas realizadas entre 1968 e 1979 e restaurado na década de 1980, passando a acolher de novo concertos e espetáculos.

Pode percorrer o sítio, como fiz durante o dia, ou experienciá-lo como foi concebido, comprando bilhetes para um espetáculo.

Ao longo do ano realizam-se vários concertos, mas entre junho e setembro o teatro recebe o festival Opera Open.

O complexo arqueológico Nebet Tepe é paragem obrigatória ao pôr do sol
O complexo arqueológico Nebet Tepe é paragem obrigatória ao pôr do sol Dianne Apen-Sadler

Subir ao Nebet Tepe ao pôr do sol

Plovdiv foi construída sobre sete colinas de sienito, três das quais se situam na Cidade Velha. A colina norte, Nebet Tepe, é hoje um complexo arqueológico, onde os investigadores identificaram vestígios de povoamentos que remontam a 4000 a.C.

Pela sua localização estratégica, com vista sobre a área envolvente, Nebet Tepe foi uma escolha óbvia para erguer fortificações defensivas. E, como a cidade mudou de mãos muitas vezes ao longo de milhares de anos de existência, há aqui muitas camadas de história, desde o período trácio, romano e bizantino inicial até à Idade Média e à época otomana.

A visita é gratuita e a vista é impressionante ao pôr do sol. Daqui vê-se também a colina Bunarjik, outra boa opção para apreciar o anoitecer.

Kapana, o bairro criativo da cidade, está repleto de restaurantes e bares
Kapana, o bairro criativo da cidade, está repleto de restaurantes e bares Dianne Apen-Sadler

Comer e beber em Plovdiv

A escolha de Plovdiv como Capital Europeia da Cultura em 2019 deixou uma forte marca na cidade, em particular no bairro de Kapana.

Antigo centro de artesãos (algumas ruas mantêm os nomes das oficinas que aqui existiam, como Rua do Ferreiro ou Rua do Ourives), a zona é hoje o território dos criativos da cidade.

É também aqui que se concentram muitos dos melhores restaurantes e bares, como o espaço de cerveja Cat and Mouse e o Mekitsa and Coffee, onde se pode provar o tradicional bolo de massa frita.

Para uma refeição rápida e saborosa, gostámos do Fresh Pasta; a seguir, vale a pena passar ao lado, no bar desportivo The Turtle House, para beber uma cerveja.

Voltar a Plovdiv para…

Desta vez não consegui assistir a um concerto no antigo teatro, por isso gostava de regressar este verão para o Opera Open.

Muitas pessoas visitam Plovdiv num passeio de um dia a partir de Sófia, mas compensa claramente ficar mais tempo.

Com mais tempo, teria gostado de visitar o monumento de Buzludzha, um edifício futurista abandonado da era comunista, a cerca de duas horas de carro da cidade.

Como chegar a Plovdiv

É possível voar diretamente para Plovdiv com a Wizz Air a partir de Londres Luton e Bratislava, ou com a Ryanair desde Londres Stansted e Milão.

De Sófia, capital da Bulgária, chega-se a Plovdiv em cerca de duas horas e quinze minutos de autocarro, ou em pouco menos de três horas de comboio.

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