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Bulgária: nómadas digitais trocam esquis por portáteis em estância de neve

Bansko tem cerca de 10 000 habitantes
Bansko tem cerca de 10 000 habitantes Direitos de autor  Photo by Vera Mezhvynskiy on Unsplash
Direitos de autor Photo by Vera Mezhvynskiy on Unsplash
De Michael Starling & AFP
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Uma comunidade cosmopolita de nómadas digitais foi atraída para Bansko pelos espaços de coworking, restaurantes de topo e estilo de vida ativo.

As alterações climáticas podem pôr em causa o valor das principais pistas de esqui de Bansko, mas a estância búlgara encontrou uma solução para todo o ano para reforçar a economia local, atraindo uma comunidade cosmopolita de nómadas digitais.

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Nos últimos anos surgiram na cidade três centros que oferecem centenas de espaços de coworking para trabalhadores online, apoiados por ligações rápidas à internet e infraestruturas melhoradas.

«Li que este era o melhor sítio para começar como nómada digital», conta Oscar Train, dinamarquês de 25 anos que, desde 2021, trabalha remotamente a partir de Bansko cerca de seis meses por ano. «Vim para aqui para aprender como funciona e conhecer pessoas com a mesma forma de estar», acrescenta. «Há gente de todo o mundo, de todo o tipo de profissões.»

Train, que cresceu no Reino Unido e lá trabalha para uma companhia de seguros, paga aqui cerca de 15% de impostos, incluindo contribuições sociais. Se ainda estivesse no Reino Unido, diz, seriam 45%, sem contar com as contribuições sociais.

Mas o que mais o atrai é o estilo de vida.

No inverno, graças em parte à diferença horária de uma hora em relação a Londres, começa o dia com duas horas a esquiar nos 75 quilómetros de pistas de Bansko, que já receberam provas da Taça do Mundo. Depois sacode a neve e vai trabalhar.

Também no verão aproveita uma programação cultural que inclui eventos pensados especificamente para pessoas como ele, como o Nomad Fest, uma semana dedicada ao «estilo de vida remoto», com atividades organizadas pela comunidade e momentos de networking.

Bansko é rodeada por montanhas e nascentes termais
Bansko é rodeada por montanhas e nascentes termais Photo by Luís Lança on Unsplash

Impacto económico «significativo»

Bansko estende-se entre os picos cársicos da serra de Pirin. Basta levantar os olhos do ecrã do computador para ver o monte Vihren, que se ergue sobre a cidade a quase 3.000 metros (10.000 pés) de altitude.

A localidade, com cerca de 10.000 habitantes, é rodeada por nascentes de água quente e fica apenas a duas horas de carro da capital, Sofia, e a duas horas e meia da costa grega.

A par dos relativamente recentes espaços de coworking, surgiram também restaurantes e cafetarias de gama alta entre as casas de pedra e as ruas empedradas da estância. Está ainda em construção uma ciclovia.

O presidente da câmara de Bansko, Stoycho Banenski, não consegue avançar um número exato de estrangeiros que se mudaram para a cidade, mas afirma que o impacto económico é «significativo», sobretudo numa altura em que as alterações climáticas fragilizam cada vez mais os desportos de inverno.

O turismo ajudou a economia local a recuperar de forma robusta após o encerramento durante a pandemia de Covid, indicava um relatório de fevereiro do Instituto de Economia de Mercado, um think tank sediado em Sofia. A chegada de estrangeiros contribuiu para atenuar as flutuações sazonais de rendimentos, acrescentava o documento.

«Mas talvez o mais importante seja a mudança que trazem», sublinha Banenski, socorrista de montanha de profissão. «É extremamente importante que vivam aqui pessoas de todo o mundo e que possamos trocar ideias, opiniões e diferentes perspetivas sobre o mundo.»

Cidade tornou-se internacional

Muitos dos que chegaram a Bansko como viajantes acabaram por ficar. Hoje vivem na cidade centenas de famílias oriundas de todo o mundo.

O casal francês Anne Dupal, de 47 anos, e Christian Rudnicki, de 53, ambos antigos designers gráficos, abriu uma micro-padaria depois de se mudar para Bansko no início de 2022.

Consideram que Bansko mudou em relação ao que era quando chegaram, recorda Dupal: «Luzes berrantes, como num clube de sexo, música techno, gente à porta dos restaurantes a aliciar clientes.»

Hoje, Rudnicki valoriza o espírito de comunidade da cidade. «É maravilhoso ter a vizinha do lado a bater à porta para me trazer tomates ou ervas e depois encontrar uma família indonésia na padaria», diz.

O reverso da medalha é a subida do custo de vida, que também se refletiu nos preços das casas.

«Há gentrificação, que está ligada, infelizmente, penso eu, a pessoas como nós, mas também a muitos búlgaros que deixam as grandes cidades», afirma Dupal.

Alguns habitantes, porém, congratulam-se com a melhoria das infraestruturas e o ambiente mais dinâmico.

«A cidade mudou, tornou-se internacional», diz Nikola Kalistrin, de 29 anos, atleta de esqui de montanha nascido e residente em Bansko. «Os jovens estão a beneficiar com isso.»

Como ser nómada digital na Bulgária

Além de ser uma excelente base para viajar pela Europa, a Bulgária está bem posicionada para receber quem trabalha ao computador. Lançado em dezembro de 2025, o programa para nómadas digitais da Bulgária destina-se a cidadãos de países fora da UE, do EEE e da Suíça que queiram viver no país enquanto trabalham remotamente para empregadores ou clientes sediados fora da Bulgária.

Os candidatos devem enquadrar-se numa de três categorias: trabalhadores remotos de empresas registadas fora da UE, do EEE e da Suíça; empresários ou acionistas que detenham pelo menos 25% de uma empresa registada no estrangeiro; ou freelancers e profissionais independentes que prestem serviços a clientes não búlgaros há pelo menos um ano antes da candidatura.

Os candidatos têm ainda de demonstrar recursos financeiros suficientes. O limiar de rendimento está fixado em 50 vezes o salário mínimo mensal da Bulgária. Com o salário mínimo atualmente nos 620 euros por mês, isto traduz-se num rendimento anual exigido de cerca de 31.000 euros. Para além de cumprir o requisito de rendimento, os candidatos devem provar que esse rendimento tem origem em fontes fora da Bulgária.

Como candidatar-se ao programa de nómadas digitais da Bulgária

O processo de candidatura desenrola-se em duas fases. Primeiro, é necessário obter um visto de longa duração de tipo D numa embaixada ou consulado da Bulgária no país de residência. O processamento costuma demorar entre quatro e oito semanas. Este visto permite entrar na Bulgária para solicitar uma autorização de residência de longa duração.

Após a chegada à Bulgária, os candidatos devem requerer uma autorização de residência para nómadas digitais junto das autoridades locais de migração, geralmente no prazo de 14 dias após a entrada. Os documentos exigidos incluem, em regra: comprovativo de alojamento na Bulgária (contrato de arrendamento, reserva de hotel ou prova de propriedade); prova de rendimentos que cumpram o limiar mínimo; seguro de saúde válido que cubra a Bulgária; certificado de registo criminal limpo do país de residência do candidato; e traduções oficiais dos documentos estrangeiros para búlgaro, com apostila quando necessário.

A autorização de residência é geralmente concedida por um ano, com possibilidade de renovação se as condições de elegibilidade continuarem a ser cumpridas.

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