O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, informou que o alto responsável pela segurança iraniana morreu na sequência dos ataques israelitas ocorridos durante a noite.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, informou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) mataram o principal responsável pela segurança do Irão, Ali Larijani, num ataque a Teerão durante a madrugada de terça-feira.
"Larijani e o comandante da Basij foram eliminados durante a noite e juntaram-se ao líder do programa de aniquilação, Khamenei, e a todos os membros eliminados do eixo do mal, nas profundezas do inferno", afirmou Katz, citado pelo Times of Israel.
"O primeiro-ministro e eu demos instruções às Forças de Defesa de Israel para que continuem a perseguir os líderes do regime de terror e opressão no Irão", afirmou o ministro israelita.
A informação ainda não foi confirmada pelas autoridades iranianas. Os meios de comunicação estatais iranianos informaram que seria publicada em breve uma mensagem do gabinete de Larijani.
A página da rede social X do responsável iraniano foi atualizada durante a manhã, com uma publicação que traz uma alegada mensagem manuscrita de Larijani para o funeral dos marinheiros iranianos mortos no ataque norte-americano ao navio "Iris Dena", a 4 de março.
A confirmação da morte por Israel surgiu após especulações sobre a eliminação de Larijani nos meios de comunicação israelitas, na sequência de um anúncio anterior das forças armadas de que tinham matado o chefe da milícia paramilitar Basij, Gholamreza Soleimani.
Se a morte for confirmada, Larijani torna-se no segundo responsável iraniano de mais alto nível a ser assassinado desde o antigo líder supremo do país, o aiatola Ali Khamenei, que foi morto num ataque a 28 de fevereiro.
Embora Larijani nunca pudesse ter sucedido ao falecido Ali Khamenei como líder supremo, este veterano articulador de poder iraniano ressurgiu como uma figura central no establishment de segurança de Teerão após o seu filho, Mojtaba Khamenei, ter sido nomeado o novo aiatola.
A sua proximidade com Mojtaba Khamenei tornou-se ainda mais evidente depois de Larijani ter saudado a sua nomeação pela Assembleia de Peritos, afirmando que a decisão tinha deixado Israel e os Estados Unidos "em desespero".
Larijani é amplamente visto como parte do círculo restrito que rodeia o novo líder supremo, ao lado do chefe do poder judicial Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, do presidente do parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, de Ahmad Vahidi, que foi nomeado comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica a 1 de março, e do alto responsável pela segurança e comandante do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, Ali Abdollahi.
Quem é Ali Larijani?
Larijani, de 67 anos, ocupa o cargo de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e é considerado uma das figuras mais proeminentes do aparelho político e de segurança do Irão.
Ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, desempenhou as funções de chefe do Estado-Maior da IRGC durante a Guerra Irão-Iraque.
Nos últimos anos, Larijani tem representado Khamenei na gestão das relações com a Rússia, a China e os países árabes do Golfo, em vez do presidente Masoud Pezeshkian. Ele deslocou-se a Omã antes de uma recente ronda de conversações com Washington para delinear o quadro e as condições de Teerão.
Depois de o Hezbollah e outras forças proxy xiitas não terem conseguido dissuadir Israel, Khamenei designou Larijani para gerir as relações com o Líbano e o Iémen.
A medida foi interpretada como um sinal dirigido ao comandante da Força Quds, a ala de operações externas do IRGC, uma vez que Larijani é uma figura civil.
O papel de Larijani nos assassinatos ocorridos durante os recentes protestos foi suficientemente significativo para que a administração Trump o incluísse na sua lista de sanções.
Entre 2005 e 2007, Larijani foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional sob a presidência de Mahmoud Ahmadinejad e supervisionou o dossiê nuclear do Irão. Demitiu-se ou foi destituído devido a desacordos com Ahmadinejad, regressando ao cargo a 5 de agosto de 2025.
Larijani desempenhou as funções de presidente do parlamento iraniano durante 12 anos, de 2008 a 2020, e foi um negociador-chave nas negociações nucleares do Irão com as potências mundiais, desempenhando um papel central no Plano de Ação Conjunto Global (JCPA) de 2015.
Dirigiu também a emissora estatal iraniana de 1994 a 2004 e foi ministro da Cultura e Orientação Islâmica de 1992 a 1994. Tentou candidatar-se à presidência duas vezes, mas o Conselho dos Guardiães rejeitou a sua candidatura em ambas as ocasiões.
Uma poderosa família de "verdadeiros crentes"
Larijani é oriunndo de uma proeminente família clerical. O seu pai era um clérigo de alto escalão e o seu sogro, Morteza Motahhari, foi um importante teórico revolucionário e colaborador próximo do aiatolá Ruhollah Khomeini. O seu irmão, Sadeq Larijani, ocupou o cargo de presidente do Poder Judicial do Irão durante uma década.
No início da década de 2020, os nomes dos irmãos Larijani foram associados a alegações de corrupção, incluindo apropriação ilegal de terras, suborno e posse de 63 contas bancárias pessoais contendo milhares de milhões de tomans.
Em 2021, Larijani foi encarregado de negociar um acordo estratégico de 25 anos com a China, avaliado em vários milhares de milhões de dólares.
Numa entrevista televisiva em que se referiu ao conflito de 12 dias do verão passado, Larijani afirmou que os israelitas "ligaram-me durante aquela guerra e disseram que eu tinha 12 horas para sair do país ou que me matariam".
Depois de a UE ter designado o IRGC como organização terrorista, Larijani escreveu no X que "os exércitos dos países que participaram na recente medida do bloco de 27 membros contra o IRGC são considerados terroristas", de acordo com uma resolução parlamentar.
"As consequências desta ação recairão sobre os países europeus que tomaram tais medidas", advertiu.
Larijani é doutorado em filosofia, alegadamente com especialização nos ensinamentos de Immanuel Kant.
Muitos dos seus familiares vivem no Ocidente, incluindo um sobrinho que é professor universitário no Reino Unido e uma filha que lecionava nos EUA até que grupos da oposição iraniana a pressionaram a abandonar o seu cargo académico.