O instituto húngaro Medián, considerado o mais fiável da última década, aponta para uma maioria de dois terços para o Tisza; outros institutos independentes indicam uma vantagem menor, enquanto sondagens próximas do governo dão ligeira dianteira ao Fidesz.
Segundo os institutos de sondagens independentes, os casos escandalosos, as escutas e as fugas de informação governamentais revelados durante uma campanha eleitoral extremamente agressiva, ruidosa e omnipresente não beneficiaram o Fidesz, embora seja difícil medir a proporção de eleitores escondidos, que evitam responder às sondagens.
Na última semana desta reta final de campanha, até ao fecho deste artigo, quatro institutos independentes de estudos de opinião (Medián, Iránytű Intézet, 21 Kutatóközpont e IDEA Intézet) divulgaram dados atualizados. Todos mostram que o Tisza conseguiu alargar a vantagem face aos partidos no poder, enquanto a maioria dos eleitores continua insatisfeita com a situação do país e cresce o número dos que esperam uma mudança de governo.
Entre os institutos próximos do governo, o Nézőpont foi o último a publicar números, na semana passada, estimando uma maioria curta para o Fidesz.
Medián prevê maioria de dois terços para o Tisza
Considerado, pelo seu desempenho ao longo de décadas, o instituto de sondagens mais preciso, o Medián chocou há quatro anos a opinião pública da oposição quando, poucos dias antes das eleições, antecipou uma vitória do Fidesz muito perto da maioria de dois terços. Errou em poucos mandatos, mas o Fidesz acabou de facto por vencer de forma folgada.
Com base nas suas cinco sondagens representativas mais recentes, o Medián fez uma projeção de mandatos. Segundo esse cálculo, o Tisza pode esperar entre 138 e 143 lugares, o que aponta para uma maioria de dois terços robusta. Politicamente, isto pode significar que a sociedade já virou a página, que o Tisza substitui o Fidesz no governo e, com uma maioria constitucional, terá ampla margem de manobra, podendo rever ou alterar leis que exigem maioria qualificada de dois terços.
De acordo com o Medián, o Fidesz sofre uma pesada derrota e, devido ao funcionamento de um sistema eleitoral que sobrecompensa o vencedor, o atual partido do governo deverá ficar apenas com 49 a 55 lugares e mal ganhará círculos uninominais.
Com base nos dados do Medián, só o Mi Hazánk entra ainda no parlamento, com hipótese de 5 ou 6 mandatos. A Coligação Democrática (DK) fica de fora e o Partido do Cão de Duas Caudas (MKKP) também não terá representação parlamentar.
O instituto sublinha, no entanto, que se trata apenas de uma projeção, pelo que “só é possível indicar com responsabilidade um intervalo provável de valores”.
O Medián realizou cinco sondagens telefónicas representativas na última semana de fevereiro e em março, recorrendo a três call centers diferentes, com uma amostra total de 5000 pessoas. A projeção mais recente assenta nesses inquéritos.
Segundo estes dados, o Fidesz perdeu um quarto da base eleitoral de 2022 e, mesmo desde as eleições europeias, é significativa a erosão entre antigos apoiantes do partido no poder. A escolha partidária continua a ser determinada sobretudo pela idade, em segundo lugar pela escolaridade, enquanto o efeito do local de residência é cada vez menor.
O Tisza continua a ser claramente mais forte entre os jovens e está a ganhar terreno mês após mês. Três quartos dos menores de 30 anos votariam no Tisza e, no grupo entre os 30 e os 40 anos, 63% também lhe dão o voto.
Já o Fidesz tem apenas 10% e 17% de apoio nestas duas faixas etárias. Só entre os pensionistas o Fidesz leva vantagem: quase metade dos maiores de 64 anos apoia o partido no poder, enquanto apenas 29% preferem o Tisza.
Também por nível de escolaridade as diferenças são grandes: entre diplomados e pessoas com ensino secundário completo, a maioria absoluta votaria no Tisza e apenas um quarto ou um quinto apoia o Fidesz. Entre quem concluiu escolas de formação profissional, o Fidesz tem uma ligeira vantagem, mas entre quem só completou oito anos de escolaridade ou menos a sua vantagem já é clara: 49% apoiam o Fidesz contra 29% o Tisza.
Por tipo de local de residência já não se registam diferenças tão grandes, embora continue a verificar-se que quanto maior é a localidade, maior é a proporção de apoio ao Tisza, e quanto mais pequena, mais popular é o Fidesz. Ainda assim, nas sondagens de março o Tisza já lidera também nas aldeias, por 41% contra 35% para o Fidesz. A redução das diferenças entre tipos de localidades é sublinhada ainda pelo facto de quase não haver variações entre regiões.
As eleições europeias de 2024 foram o primeiro grande teste do Tisza Párt, que então conseguiu 30% dos votos. Dos eleitores que votaram no Tisza nessa altura, 95% mantêm hoje a mesma opção. Além disso, 47% dos que então votaram noutros partidos e 59% dos que se abstiveram tencionam agora votar na lista liderada por Péter Magyar em 12 de abril.
O Fidesz foi menos bem-sucedido a reter o seu eleitorado: oito em cada dez eleitores do Fidesz em junho de 2024 voltariam a votar no partido nas legislativas de 2026, 6% passaram para o Tisza e 13% tornaram-se indecisos, podendo abster-se ou escolher algum dos partidos mais pequenos.
Segundo Hann Endre, diretor executivo do Medián, “as sondagens também se tornaram parte da luta política” e, por isso, os resultados devem ser tratados como estimativas.
O investigador afirma que, entre os eleitores certos de votar, o Tisza Párt tem uma vantagem de 20 a 21 pontos percentuais, o que se deve menos às perdas do Fidesz e mais à transferência de votos dos pequenos partidos da oposição para a formação de Péter Magyar.
aHang e 21 Kutatóközpont: avaliação do desempenho do governo Orbán é sobretudo negativa
De acordo com uma nova análise da aHang e do 21 Kutatóközpont, há vontade de mudança de governo desde a capital até às aldeias e a campanha do governo centrada na guerra continua sem surtir efeito. (A análise e interpretação dos dados foi feita pela aHang. A recolha híbrida de dados foi realizada pelo 21 Kutatóközpont entre 23 e 28 de março, com 1500 entrevistas.)
A sondagem da aHang, baseada em oito perguntas, mostra que, na fase final da campanha, o clima a favor da mudança de governo se intensifica. A maioria da população, 51%, prefere que haja mudança de governo, enquanto 30% apoiaria a continuação do executivo atual.
A vontade de mudança de governo é visível praticamente em todos os subgrupos demográficos.
A distribuição por tipo de localidade mostra que, da capital às aldeias, a preferência é, em geral: a de que, ao fim de 16 anos, Viktor Orbán deixe de estar no poder.
No conjunto da sociedade, as respostas delineiam claramente, também em termos de perceção, um ambiente favorável à mudança. Segundo 40% dos eleitores, o Tisza vai ganhar as próximas legislativas, enquanto 32% fazem a mesma previsão para o Fidesz.
À pergunta sobre se, após as eleições, preferiam que fosse o Tisza ou o Fidesz a formar governo, 45% dos eleitores húngaros consideram que deveria caber à equipa de Péter Magyar formar governo depois de 12 de abril, enquanto 30% gostariam de ver o Fidesz nesse papel e 24% não souberam decidir.
A análise da organização cívica revela que a avaliação do desempenho do atual governo Orbán é globalmente negativa. Entre os húngaros, 38% estão totalmente insatisfeitos e mais 13% tendem a estar insatisfeitos, o que perfaz 51% de descontentes.
Em contraste, 11% dizem-se tendencialmente satisfeitos e 15% totalmente satisfeitos, num total de 26%. Outros 9% colocam-se ao centro e 14% não souberam responder.
Apesar do endurecimento da retórica de guerra e da campanha permanente do governo, 55% do conjunto da sociedade não acredita que o país entraria em guerra se o Tisza ganhasse as eleições, enquanto 22% acreditam nessa hipótese e 23% estão indecisos.
Embora, no conjunto da sociedade, não haja grandes alterações nesta questão, a comunicação governamental teve forte impacto nos eleitores do Fidesz. No início de fevereiro, 57% dos eleitores do partido no poder achavam que uma vitória do Tisza levaria o país à guerra; em março, essa proporção subiu para 63% no campo de Viktor Orbán.
A maioria dos eleitores considera que, no conjunto, a sua vida seria muito ou simplesmente melhor se houvesse mudança de governo. É essa a opinião de 43% da sociedade húngara. Em contrapartida, apenas 22% pensam que o fim do sistema Orbán lhes seria prejudicial e 16% consideram que a sua qualidade de vida não mudaria.
Os eleitores não estão apenas otimistas, mostram-se também confiantes quanto à participação. Para 65% da população, é muito importante ir votar este domingo, algo que marcará o dia.
Os eleitores do Tisza estão ligeiramente mais motivados: 95% dos simpatizantes do partido de Péter Magyar estão absolutamente certos de que votarão no Tisza em 12 de abril, enquanto no Fidesz essa percentagem é um pouco mais baixa, 90%.
Entre os eleitores do partido no poder, 5% admitem poder mudar de ideias no próprio dia das eleições.
Iránytű Intézet: Tisza lidera com folga e projeta-se parlamento com dois partidos
O Tisza Párt segue na frente com segurança e a maioria dos eleitores já conta com uma vitória de Péter Magyar – conclui a nova sondagem do Iránytű Intézet (fonte em húngaro).
Segundo este estudo, 41% da população em geral apoia o Tisza e 34% os partidos do governo. Neste universo, o Mi Hazánk e o Partido do Cão de Duas Caudas húngaro (MKKP) surgem ambos com 3%.
Entre quem já tem partido escolhido, a vantagem da equipa de Péter Magyar é ainda maior, 50% contra 41% para o partido no poder, enquanto os simpatizantes do Mi Hazánk e do Kutyapárt representam 4% cada. Entre os eleitores certos de votar, o cenário mantém-se: o Tisza também aqui ultrapassa o Fidesz por 51% contra 40%. A DK, nas três comparações, não vai além de 1%, estando, por agora, longe da entrada no parlamento.
Embora 18% continuem sem saber ou sem revelar em quem vão votar, vários dados da sondagem apontam para um clima de mudança. Hoje, são o dobro os que consideram que o país segue na direção errada em relação aos que se mostram otimistas (62% contra 31%). E 54% dos inquiridos querem a saída do governo do Fidesz, enquanto 38% preferem a sua continuidade. Nesta pergunta, apenas 6% ficaram indecisos e 2% não responderam.
Há também mudanças significativas face aos dados anteriores do Iránytű: em fevereiro, a maioria dos inquiridos esperava uma vitória do Fidesz, mas, nos últimos dias antes da votação, já são ligeiramente mais os que apostariam na vitória do Tisza do que na de Viktor Orbán. À pergunta “Independentemente das suas simpatias, quem acha que vai ganhar as eleições?”, 43% responderam Tisza Párt e 40% Fidesz; 15% não souberam avaliar a questão e 1% não quis responder.
IDEA Intézet: Tisza vence Fidesz por 50-37 entre os eleitores certos de votar
Na última semana da campanha eleitoral, a vantagem do Tisza Párt sobre o Fidesz-KDNP manteve-se. Se as legislativas tivessem sido realizadas no início de abril, o partido de Péter Magyar teria obtido 50% dos votos, enquanto os partidos do governo reuniriam apenas 37%, é o que indica a sondagem do IDEA Intézet.
A reta final da campanha é decisiva para o Mi Hazánk e a DK: ambos podem atingir os 5% necessários para formar grupo parlamentar, mas também podem acabar excluídos do parlamento depois de 12 de abril.
Ao longo da campanha, ambos os partidos cresceram: o apoio ao Tisza subiu 4 pontos percentuais e o do Fidesz-KDNP 3 pontos face ao início do ano.
Nos últimos meses, também aumentou na sociedade a vontade de participar nas eleições, com muitos eleitores a definirem a sua opção partidária. Desde janeiro, a proporção de adultos indecisos quanto às preferências políticas desceu de 27% para 21%.
Nézőpont Intézet: cortes nas contas de energia
O Nézőpont Intézet, próximo do governo, e que, mês após mês, apontou nas suas sondagens uma ligeira vantagem do Fidesz à medida que se aproximam as eleições de 12 de abril, perguntou sobre a política de redução das tarifas de serviços públicos, não sobre preferências partidárias.
De acordo com a sondagem do Nézőpont Intézet, a maioria dos húngaros (60%) acredita que, em caso de vitória do Fidesz, a redução das contas se manteria, enquanto um governo do Tisza a eliminaria (56%). Um quarto dos eleitores do Tisza (27%) também não acredita que o seu partido deixasse inalteradas as faturas de energia.
No breve resumo da sondagem, o Nézőpont conclui que Péter Magyar não conseguiu convencer sequer todos os seus eleitores nesta matéria, já que mais de um quarto dos simpatizantes do Tisza (27%) considera que, em caso de vitória do Tisza Párt, os preços da energia aumentariam.
(O Nézőpont Intézet salienta que o estudo foi realizado em cooperação com a MTVA, entre 1 e 2 de abril de 2026, com 1000 entrevistas telefónicas. A amostra é representativa da população com 18 ou mais anos em função de sexo, idade, região, tipo de localidade e escolaridade. Para uma amostra de 1000 pessoas e um nível de confiança de 95%, a margem de erro é de ± 3,16 pontos percentuais.)
Orbán Viktor mostra-se confiante, mas cauteloso
Segundo Orbán Viktor, o Fidesz lidera nas sondagens e prepara-se para vencer no domingo.
"Pelo que sabemos, estamos em posição de ganhar", afirmou o primeiro-ministro durante uma entrevista na quarta-feira, quando lhe perguntaram qual é a situação em termos de números de sondagens.
Na opinião do primeiro-ministro húngaro, é difícil medir neste momento porque o ambiente está muito tenso, mas existem dados internos e, com base neles, o Fidesz está na frente. Acrescentou ainda que "não precisamos de uma campanha para inverter a correlação de forças, mas sim de uma campanha para manter a vantagem".
Para Gergely Gulyás, “conseguir a maioria de dois terços pertence ao domínio dos milagres”.
O ministro da Presidência falou sobre isto na habitual conferência de imprensa de quinta-feira, a última antes das eleições. Questionado sobre quantos mandatos considera atualmente possível alcançar, respondeu que "tudo o que for acima dos 100 mandatos é um bónus".
Segundo Gulyás, como a Hungria é uma democracia, o resultado das eleições está em aberto, mas, na sua opinião, os partidos do governo têm mais hipóteses de garantir a maioria no domingo. Não considera provável a obtenção de uma maioria constitucional.