Os factos inserem-se na peça secreta que liga Leire Díez à SEPI, o organismo estatal de participações empresariais, e ao pedido de informação feito pelo juiz Pedraz esta quarta-feira na sede do PSOE.
O juiz espanhol Santiago Pedraz está formalmente a investigar o ex-vice-presidente e ex-senador andaluz Gaspar Zarrías, bem como Ana María Fuentes, membro da secretaria da organização do PSOE, também proveniente da federação andaluza dos socialistas e que foi deputada por Málaga nas duas legislaturas do antigo chefe do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, entre 2004 e 2011.
Vários agentes da Unidade Central Operativa da Polícia Judicial da Guarda Civil espanhola entraram na manhã desta quarta-feira na sede central do PSOE, na rua Ferraz em Madrid, para entregar um requerimento de informação, passo prévio a uma busca, relacionado com um desdobramento do caso de Leire Díez. Este diria respeito a pagamentos sob segredo de justiça que poderão estar ligados à Sociedade Estatal de Participações Industriais, a SEPI, sobre os quais não há, para já, mais informação.
Os agentes deslocaram-se também às residências de Zarrías, do empresário e colaborador de Díez, Javier Pérez Dolset, e de Santos Cerdán, já arguido no caso Koldo e que Pedraz agora liga a esta ramificação dos vários casos de corrupção que atingem os socialistas. A contratação de Díez, militante de base na Cantábria e ex-vereadora, foi feita por Zarrías: a autodenominada jornalista já estava a ser investigada por tráfico de influências.
Zarrías, que também foi secretário de Estado nos governos de Zapatero, compareceu no julgamento de Díez por tráfico de influências e corrupção, onde afirmou tê-la contratado durante quatro meses, por 16 mil euros, para que investigasse o ex-comissário José Manuel Villarejo, envolvido em inúmeros casos de corrupção de Estado na última década.
Por outro lado, Ana María Fuentes já estava sob a lupa dos investigadores devido ao recurso a pagamentos em numerário - em princípio legais - associados a tramas como o caso Koldo ou ao alegado financiamento irregular do PSOE. O partido já remeteu ao juiz Ismael Moreno, no âmbito de outra destas peças separadas, todos os pagamentos em dinheiro entre 2017 e 2024 e os respetivos comprovativos.