O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, rejeitou o acordo mediado pelos EUA, afirmando que o Líbano não é de confiança para desarmar o Hezbollah.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, saudou no sábado o acordo-quadro trilateral assinado na sexta-feira pelo Líbano, Israel e os Estados Unidos, que visa alcançar um acordo de paz entre os dois países vizinhos.
Netanyahu classificou o acordo mediado pelos EUA como um feito histórico que representa um revés para o Irão e o Hezbollah: "Ontem alcançámos um acordo histórico para o Estado de Israel, depois de negociações diretas entre Israel e o Líbano», afirmou Netanyahu numa declaração televisiva. «Isto é um golpe para o Irão e para o Hezbollah».
O acordo, alcançado após cinco rondas de negociações em Washington, inclui um plano piloto para que soldados libaneses assumam o controlo de duas áreas detidas por Israel e um processo de desarmamento do Hezbollah.
De acordo com o texto, Israel e o Líbano "declaram a intenção de pôr termo de forma conclusiva ao conflito, de abordar as suas causas profundas e, assim, encerrar formalmente qualquer estado de guerra entre ambos".
Prevê ainda um processo através do qual as Forças Armadas libanesas voltarão a exercer "autoridade soberana sobre todo o território libanês", depois de garantido o desarmamento do Hezbollah.
O presidente libanês, Joseph Aoun, considerou o acordo "um primeiro passo" para restabelecer a soberania do seu país.
Entretanto, o ministro da Segurança Nacional de Israel, o político de extrema-direita Itamar Ben Gvir, contestou o acordo facilitado pelos EUA, alegando que o governo libanês não é de confiança para desarmar o Hezbollah.
Na sua conta no Telegram, Ben Gvir escreveu: "O acordo com o Líbano é um grande erro... É certo que, para já, permanecemos na maior parte do território, mas o Estado do Líbano não irá desarmar o Hezbollah".
"Membros do governo libanês são ministros do Hezbollah e o Líbano não é de confiança para retirar as armas ao Hezbollah. Só soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF) destruirão o Hezbollah, nenhuma outra parte o fará por nós", acrescentou.
Por seu lado, o Hezbollah também condenou no sábado o acordo-quadro, qualificando-o como um grande erro do governo libanês e declarando que o movimento o considera nulo e sem efeito.
Num comunicado, Qassem afirmou: "O acordo-quadro em Washington é humilhante, vergonhoso e uma capitulação da soberania. Este acordo é nulo e sem efeito, e devem ser aplicadas as disposições do memorando de entendimento iraniano-americano".
O Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito no Médio Oriente em 2 de março, com "rockets" disparados contra Israel para vingar a morte do guia supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, em ataques norte-americanos e israelitas.
Em resposta, Israel desencadeou intensos bombardeamentos aéreos e uma invasão terrestre do Líbano, destruindo milhares de casas e outros edifícios e continuando a ocupar atualmente partes do sul do país.