Isto acontece depois de Moscovo ter lançado, no início desta semana, um ataque maciço com drones e mísseis contra Kiev, que matou pelo menos 30 pessoas e atingiu mais de 20 locais em toda a cidade.
Forças ucranianas lançaram ataques contra infraestruturas petrolíferas nas imediações da cidade russa de São Petersburgo na noite de sexta-feira, anunciou o presidente Volodymyr Zelenskyy.
Numa publicação na rede social X, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia atingiu "infraestruturas portuárias de petróleo que geram receitas para a guerra da Rússia".
"Registaram-se também ataques bem-sucedidos contra Kronstadt, um importante alvo militar. A distância à fronteira estatal da Ucrânia é superior a 850 quilómetros", acrescentou.
Alexander Drozdenko, governador da região russa de Leninegrado, tinha informado anteriormente que "várias dezenas" de drones ucranianos haviam sido intercetados sobre a região, tendo destroços caído sobre o porto de Vysotsk.
As forças russas lançaram, na manhã de sábado, os seus próprios ataques contra a região ucraniana de Poltava, tendo como alvo instalações de produção de gás do grupo Naftogaz, segundo Sergii Koretskyi, diretor executivo da empresa.
"Eclodiu um incêndio no local e as operações na instalação foram suspensas", escreveu Koretskyi no Facebook. "Ainda não é possível avaliar a extensão dos danos".
Os ataques russos atingiram também a cidade de Sumy, onde três pessoas, incluindo uma criança, morreram, segundo o Serviço de Emergência da Ucrânia.
As autoridades indicaram que 27 pessoas ficaram feridas, entre elas sete crianças. Equipas de emergência resgataram cinco pessoas de edifícios danificados.
Na região de Odessa, um ataque russo feriu duas pessoas e incendiou um armazém destinado a produtos alimentares, segundo as autoridades.
Na região de Kherson, ataques russos atingiram as instalações de uma exploração avícola, provocando um grande incêndio num dos edifícios de produção, adiantaram responsáveis locais.
Os ataques ocorrem depois de Moscovo ter lançado, no início da semana, uma vaga maciça de drones e mísseis contra Kiev, que matou pelo menos 30 pessoas e atingiu mais de 20 locais em toda a capital.
O presidente da câmara de Kiev descreveu o ataque como a "ofensiva mais intensa" de Moscovo contra a cidade.
A Força Aérea ucraniana informou que a ofensiva envolveu 570 meios de ataque aéreo, incluindo quatro mísseis Zircon, 24 mísseis balísticos Iskander e 496 drones do tipo Shahed.
Kiev tem visado repetidamente o setor energético russo nos últimos meses, procurando aumentar a pressão sobre o presidente Vladimir Putin e sobre a economia russa.
Os ataques desencadearam uma crise de combustíveis em todo o país, bem como nas zonas ocupadas pela Rússia, com oferta limitada de gasolina.
Ucrânia nega captura de Kostyantynivka
Também no sábado, o porta-voz do exército de Kiev, Andriy Kovalyov, rejeitou afirmações russas de que a praça-forte oriental de Kostyantynivka tinha sido tomada, afirmando que a situação é "difícil", mas que as tropas estão a defender a localidade.
Zelenskyy classificou a alegação russa como uma "mentira", um dia depois do presidente Vladimir Putin ter surgido na televisão em uniforme militar a agradecer às suas forças pela tomada da cidade.
"Os defensores ucranianos continuam a manter as suas posições ao longo das linhas defensivas estabelecidas. A situação permanece difícil, mas está sob controlo das Forças de Defesa da Ucrânia", afirmou Kovalyov.
Reconheceu que as tropas russas tentaram tomar a cidade e conseguiram infiltrar-se nela em pequenos grupos.
"Registaram-se casos de pequenos grupos de infantaria (1–3 militares) que se infiltraram profundamente nas formações de combate das forças ucranianas. Na cidade decorrem operações de contrassabotagem das Forças de Defesa. As forças de ocupação estão a ser detetadas e neutralizadas", acrescentou Kovalyov.
Disse que, na sexta-feira, a Rússia levou a cabo "11 tentativas de assalto", mas que "não conseguiu qualquer avanço".
"O inimigo recorreu à divulgação de desinformação flagrante e de declarações falsas por parte dos seus mais altos responsáveis", afirmou.