Desde a invasão russa de fevereiro de 2022, centenas de milhares de pessoas foram mortas e milhões obrigadas a abandonar as suas casas.
A linha da frente da guerra na Ucrânia manteve-se praticamente imóvel em junho, prolongando uma tendência de longo prazo de perda de impulso das forças russas, indicou na sexta-feira uma análise de dados do Institute for the Study of War (ISW) realizada pela agência noticiosa AFP.
Os dados de junho apontaram para um ganho líquido russo de 30 quilómetros quadrados, concentrado na região nordeste de Kharkiv.
Mas estes ganhos deveram-se em grande medida ao facto de incursões russas anteriores terem sido reclassificadas como avanços, à medida que surgiram mais provas, explicou o ISW.
As forças ucranianas conquistaram 11 quilómetros quadrados na região meridional de Zaporizhzhia e 18 quilómetros quadrados na região central de Dnipropetrovsk.
"A extensão e o alcance dos contra-ataques ucranianos em curso nestas regiões não são claros". afirmou a Equipa de Inteligência Geoespacial do ISW.
"Os resultados destas operações de combate em curso continuam incertos e deverão refletir-se nos dados nas próximas semanas", acrescentou.
Moscovo perdeu cerca de 403 quilómetros quadrados em abril e maio. O avanço russo abrandou desde o final de 2025, travado pela crescente eficácia dos ataques com drones ucranianos na linha da frente e de médio alcance.
Abril foi o primeiro mês em dois anos e meio em que as forças russas cederam mais território do que conquistaram, e a Ucrânia consolidou esses ganhos em maio.
Em 2026, as forças russas avançaram em média 15 quilómetros quadrados por mês, contra 405 quilómetros quadrados por mês em 2025.
As estimativas excluem avanços reivindicados pela Rússia que o ISW não confirmou, nem desmentiu.
O ISW trabalha com o Critical Threats Project, parte do American Enterprise Institute, outro grupo de reflexão norte-americano especializado em análise de conflitos.
Moscovo controla pouco mais de 19 % da Ucrânia.
Isto inclui cerca de 7 % do território – a Crimeia e partes da região industrial de Donbass – que já estavam sob controlo russo ou de separatistas pró-russos antes da invasão em grande escala de fevereiro de 2022.
A maioria dos avanços russos ocorreu nas primeiras semanas do conflito.
Centenas de milhares de pessoas foram mortas e milhões foram obrigadas a abandonar as suas casas desde a invasão russa em fevereiro de 2022.
A guerra, o conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, provocou mais de 2 milhões de baixas militares, com as forças de Moscovo a suportarem a maior parte das perdas, segundo um estudo divulgado na quarta-feira por um grupo de reflexão norte-americano.