As chuvas da monção, que ocorrem entre junho e setembro, provocam regularmente inundações e deslizamentos de terra mortíferos em todo o sul da Ásia. A área afetada inclui a zona de fronteira com a China.
Inundações de grande dimensão no Nepal causaram, na quarta-feira, a morte de pelo menos 95 pessoas, com os media estatais chineses a relatarem “graves baixas” provocadas por um deslizamento de terras num centro comercial no Tibete, do lado chinês da fronteira partilhada.
Segundo a polícia nepalesa, centenas de pessoas estão desaparecidas, incluindo mais de 200 cidadãos estrangeiros. Segundo uma informação dada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ao jornal Público, entre esses desaparecidos está uma portuguesa que se encontrava num posto fronteiriço.
Imagens divulgadas pela polícia nepalesa mostravam a água das cheias a galgar um rio e a arrastar casas pelo caminho, enquanto fotografias da agência AFP mostravam o último piso de uma casa a sobressair do solo enlameado.
“Até agora, foram encontrados oito corpos. As operações de salvamento estão em curso”, disse à AFP o porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle.
Vídeos partilhados pela polícia nepalesa e por outros utilizadores nas redes sociais mostravam torrentes de água barrenta a atravessar vales de montanha no distrito himalaio junto à fronteira com a China.
“Vi a cheia arrastar oito ou nove camiões, bem como casas e pessoas”, contou à AFP, no distrito de Nuwakot, Suman Chalise, um professor de 34 anos.
“Foi absolutamente angustiante. Nunca tinha visto uma devastação assim.”
O porta-voz da polícia afirmou anteriormente que as autoridades ainda desconheciam a dimensão dos estragos, mas indicou que já tinham “alertado as pessoas que vivem perto da margem do rio para se deslocarem”.
O Exército do Nepal afirmou ter destacado helicópteros e equipas de resposta a catástrofes para a zona afetada.
A Autoridade de Eletricidade do Nepal indicou que cerca de 430 megawatts de capacidade de produção, incluindo centrais hidroelétricas e instalações solares, ficaram danificados.
“O desastre danificou as instalações de produção, transporte e distribuição da Autoridade... resultando na interrupção do fornecimento de eletricidade”, referiu.
Sarthak Shrestha, analista de deteção remota e informação geográfica no Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD), sediado em Katmandu, afirmou que uma avaliação preliminar não detetou “anomalias” do lado chinês da fronteira.
“Acreditamos que ocorreu uma avalanche de rocha e gelo no Nepal, que bloqueou o rio Lhende e desencadeou uma série de cheias sucessivas”, explicou.
Risco de deslizamentos de terras
Várias vias principais foram também encerradas, segundo as autoridades nepalesas.
A televisão estatal chinesa CCTV informou na quarta-feira que “um deslizamento de terras no lado nepalês provocou graves baixas e desaparecidos na zona do porto de Gyirong”, no Tibete.
As imagens divulgadas pela estação mostravam água em forte corrente a arrastar ramos de árvores e detritos, bem como uma estrada inundada.
A agência noticiosa oficial Xinhua adiantou que o presidente chinês, Xi Jinping, apelou a operações de salvamento “sem poupar esforços”, mas não divulgou números de feridos ou mortos.
Segundo a CCTV, Xi afirmou que “a tarefa mais urgente é fazer tudo o possível para procurar e resgatar as pessoas desaparecidas, tratar rapidamente os feridos e reduzir as vítimas ao mínimo”.
As autoridades rodoviárias de Shigatse, no Tibete, indicaram, numa publicação nas redes sociais na quarta-feira, que as estradas na zona estavam “em risco de deslizamentos de terras e sem condições de segurança para a circulação”.
Em julho do ano passado, 17 pessoas ficaram desaparecidas após um deslizamento de terras perto do porto de Gyirong, recordou então a Xinhua.
As chuvas de monção, entre junho e setembro, provocam regularmente cheias e deslizamentos de terras mortais no sul da Ásia.