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Pezeshkian diz na ONU que Irão não se deixa intimidar, mas abre porta a negociações

Masoud Pezeshkian, presidente do Irão, segura uma imagem do falecido aiatola Ali Khamenei durante a 81.ª sessão da Assembleia Geral na sede da ONU, 23 de setembro de 2026
Presidente iraniano Masoud Pezeshkian ergue uma imagem do falecido aiatola Ali Khamenei na 81.ª sessão da Assembleia Geral na sede da ONU, 23 setembro 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Euronews Persian
Publicado a Últimas notícias
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No seu discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irão também acusou os EUA e Israel de ataques ilegais contra civis, enquanto a delegação norte-americana abandonava a sala. Concluiu com uma mensagem direta a Trump: "Sim, atacaram-nos, mas não nos ajoelhámos".

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou esta quarta-feira perante a Assembleia Geral da ONU que o Irão tem sido vítima de terrorismo e não o seu autor, num discurso que respondeu à ameaça feita na véspera pelo presidente norte-americano, Donald Trump, de “aniquilar” a República Islâmica.

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O discurso de Pezeshkian foi um exemplo marcante de um líder estrangeiro a dirigir-se ao órgão máximo da organização mundial enquanto o seu país está em guerra com o Estado anfitrião.

Pezeshkian iniciou a intervenção exibindo fotografias de crianças mortas num ataque com mísseis contra a escola Shajarat al-Tayyiba, em Minab, no primeiro dia da guerra, que provocou 156 mortos, e do falecido aiatola Ali Khamenei, morto na mesma primeira vaga de ataques. Referiu também um ataque norte-americano contra um pavilhão desportivo nesse dia.

“O presidente dos Estados Unidos descreveu-nos como terroristas. Temos sido vítimas de terrorismo”, declarou Pezeshkian.

“Só procuramos viver de forma independente. Somos nós a fonte de instabilidade? Aqueles que cometem atos terroristas e crimes... são eles os defensores da paz e da estabilidade?”, questionou.

O presidente do Irão acusou os Estados Unidos e Israel de lançarem ataques ilegais contra civis e infraestruturas iranianas, afirmando que a República Islâmica procura capacidade militar apenas para autodefesa e não tem intenção de atacar outros Estados.

A delegação norte-americana abandonou a sala enquanto ele falava.

“Não nos ajoelhamos”

Pezeshkian disse que o Irão não aceita que “o conhecimento nuclear seja monopólio de alguns países” e descreveu o diferendo em torno do seu programa nuclear como um problema sem solução militar.

Dirigiu-se diretamente a Israel, afirmando: “A bomba atómica está em Israel, mas os inspetores estão no Irão”.

“Israel mata, mas o Irão é sancionado", acrescentou.

Sobre o estreito de Ormuz, afirmou que o Irão não permitirá que o seu direito de navegação, "mesmo nas próprias águas”, lhe seja retirado.

Alargando o foco ao conjunto do Médio Oriente, declarou: “Ninguém nesta região gozará de segurança sozinho. Ou construímos segurança em conjunto ou suportamos insegurança em conjunto.”

Encerrando o discurso, deixou uma mensagem direta a Trump. “O senhor Trump e aqueles que procuram intimidar-nos têm de compreender que estamos prontos para o diálogo, a diplomacia e negociações, sem aceitar a linguagem da força”, disse.

“Sim, atingiram-nos, mas não nos ajoelhámos.”

Pezeshkian afiançou que o Irão não atacou populações civis, afirmação contrariada por mortes documentadas de marinheiros e civis em ataques iranianos por toda a região desde o início da guerra.

Responsáveis norte-americanos e israelitas criticaram duramente o discurso, considerando hipócrita que a República Islâmica se apresente como vítima do mundo.

“Não sei com que autoridade o Irão pode dar lições a alguém sobre direitos humanos ou sobre o sistema internacional quando o viola habitualmente”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, aos jornalistas após a intervenção de Pezeshkian.

Na terça-feira, Trump tinha dito perante a mesma Assembleia Geral: “Será possível chegar a um acordo com o Irão… ou aniquilo a República Islâmica, e faço-o rapidamente?”

Após o discurso, disse aos jornalistas que uma reunião entre os seus enviados e homólogos iranianos tinha sido “uma reunião muito boa”, acrescentando que a parte iraniana “não está ao mais alto nível, mas é alguma coisa”.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, desvalorizou as conversações, afirmando que não houve “nada de novo” na troca de mensagens.

Rubio alinhou nessa avaliação na quarta-feira, dizendo que “foi uma continuação de conversas que já ocorreram no passado”.

“Se houver oportunidade para trocar ideias e mensagens, aproveitaremos. E foi isso, em grande medida, o que aconteceu ontem, o que é positivo nesse sentido”, afirmou. “Mas, no fim de contas, não quero caracterizar isto como um avanço decisivo.”

Outras fontes • AP

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