O copiloto da FlyDubai que quase provocou a queda de um voo para Tel Aviv é o omanita Hamam al-Hammami, suspenso de voar pelo seu país por indícios de extremismo, o que agrava a crise no já fragilizado setor regional de viagens.
O copiloto acusado de atacar o comandante de um voo da FlyDubai com destino a Israel usou um machado de emergência contra o capitão e “tentou levar a cabo um ataque terrorista”, afirmou no sábado o procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos. Um machado de emergência é uma ferramenta disponível no cockpit para uso dos pilotos em situações de emergência.
Hamad Saif al-Shamsi, procurador-geral, afirmou que o copiloto do voo FZ1073 da FlyDubai tentou assumir o controlo da aeronave e que a investigação prossegue “para esclarecer todas as circunstâncias do incidente, os seus motivos e ligações, além de concluir os exames técnicos e analisar as provas físicas e digitais”, segundo a agência noticiosa oficial dos Emirados, WAM.
O copiloto que quase fez despenhar o voo com destino a Telavive, a bordo do qual seguiam 182 pessoas, é um cidadão omanita chamado Hamam al-Hammami, segundo fontes da Associated Press, que, juntamente com o Wall Street Journal, revelaram que o Sultanato de Omã o tinha impedido de voar devido a receios de que mantivesse convicções ideológicas radicais.
O copiloto viria depois a ser contratado pela companhia aérea FlyDubai, sediada nos Emirados Árabes Unidos, adiantou uma fonte à Associated Press. Não é claro, para já, até que ponto o piloto foi submetido a verificação quando foi contratado.
O copiloto nasceu nos Emirados Árabes Unidos e trabalhou na companhia aérea nacional de Omã, mas foi afastado do serviço de voo devido a preocupações de que revelava sinais de posições extremistas. Foi transferido para funções administrativas na Oman Air, indicaram responsáveis. Para já, pouco mais se sabe sobre o percurso do copiloto. A sua conta de Instagram esteve ativa até ao dia do voo e foi depois apagada.
Como o copiloto conseguiu estar a trabalhar no cockpit na manhã de quarta-feira é uma questão central para os investigadores. Israel afirma que tem acordos com companhias aéreas estrangeiras para impedir que pilotos voem para o país se forem cidadãos de Estados que não mantêm relações diplomáticas com o Estado hebraico. Israel e Omã não têm relações diplomáticas formais.
Serviços de segurança de quatro países da região estão a tentar apurar os motivos do copiloto, com o apoio dos Estados Unidos e de outros governos ocidentais, segundo a AP.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto tinha passado por um processo de “radicalização islamista”, mas não apresentou provas. Este sábado não houve, para já, qualquer reação imediata por parte do governo israelita.
O comandante da FlyDubai, o cidadão indiano Smit Machchhar, contou ao primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, num vídeo emotivo gravado na sua cama de hospital na Arábia Saudita, na quinta-feira, que usou as forças que lhe restavam, enquanto era atacado, para destrancar a porta do cockpit, permitindo que passageiros e tripulação entrassem, dominassem o copiloto e estabilizassem o avião.
Elevado a herói global por ter salvado os passageiros, Machchhar afirmou: “Estava a lutar pela minha vida”, acrescentando: “Quando estava deitado no chão, sentia que o avião estava a descer. Sabia exatamente que seria o último esforço. Disse para comigo que, se não me levantasse, haveria um problema. Consegui abrir a porta e, depois, todos os outros entraram”.
O conselheiro presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou: “O piloto indiano da FlyDubai, Smit Machchhar, merece toda a nossa apreciação, porque personificou o sentido de coragem e responsabilidade perante um perigoso ato terrorista e uma potencial catástrofe. O seu profissionalismo e sentido moral, nas circunstâncias mais sombrias, fazem dele um verdadeiro herói”.
“Longe de qualquer simplificação do que aconteceu ou da adoção e promoção de teorias da conspiração, a vigilância e a prudência continuam a ser essenciais para enfrentar os riscos do extremismo e do terrorismo”, acrescentou Gargash.
Numa altura de choque e incredulidade na vasta comunidade de pilotos dos Emirados, o ataque deixou o sector das viagens na região em crise, levantando interrogações sobre a segurança da aviação e perturbando ainda mais um Médio Oriente já abalado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irão.
Os Emirados Árabes Unidos cancelaram todos os voos para Israel, enquanto a companhia israelita El Al suspendeu os voos previstos para os Emirados após o incidente. Israel e os Emirados acordaram voos de repatriamento para trazer de volta os passageiros.