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Estónia: aeroporto de Tallinn testa shuttles autónomos junto aos aviões

Shuttles do aeroporto de Tallinn dispensam condutor e operador de segurança para tornar autonomia mais rentável
Shuttles do aeroporto de Tallinn testam autonomia sem condutor nem operador de segurança para a tornar mais económica -  Direitos de autor  Denis Loctier, Euronews
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Exclusivo Euronews Next: veículo autónomo transporta trabalhadores e peças sobressalentes no Aeroporto de Tallinn, sem agentes de segurança a bordo

Carros e shuttles autónomos já não são uma raridade nas ruas das cidades, mas os aeroportos, com as suas regras de segurança excecionalmente exigentes, são outra realidade.

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No Aeroporto de Tallinn, a empresa estoniana Auve Tech tem agora os seus shuttles MiCa a circular em percursos que passam perto de aeronaves estacionadas — e, pela primeira vez, sem um operador de segurança a bordo. É um passo que a empresa espera que permita tornar o transporte sem condutor economicamente viável e, talvez, alargá-lo a outros aeroportos.

Os shuttles de Tallinn servem a Magnetic MRO, uma empresa de manutenção de aeronaves com hangares em lados opostos do aeródromo. Transportam trabalhadores, ferramentas e peças sobressalentes entre os dois locais ao longo do dia.

Os veículos transportam trabalhadores de manutenção de aeronaves e ferramentas entre hangares.
Os veículos transportam trabalhadores de manutenção de aeronaves e ferramentas entre hangares. Euronews

Chegar aqui levou anos. A Auve Tech começou a testar a tecnologia no aeroporto em 2023 e o serviço comercial arrancou em 2025, inicialmente com um operador de segurança obrigatório a bordo. Retirar essa pessoa foi a parte mais difícil.

“Conduzir dentro de um aeroporto é uma história completamente diferente. Há inúmeras camadas de regras de segurança que é preciso cumprir”, disse Deivis Sepp, responsável de operações de frota na Auve Tech, à Euronews Next. “Por isso é que obter a autorização é quase um milagre.”

Sepp explicou que a comissão de segurança do aeroporto tem analisado semanalmente os dados de desempenho dos shuttles ao longo de todo o período de testes.

“Foram recolhidos terabytes e mais terabytes de dados”, afirmou Sepp à Euronews Next. “Não nos deram a autorização dizendo: ‘Sigam em frente, façam o que quiserem, inovem’. Não funciona assim.”

No interior do shuttle, seguem apenas passageiros: a Auve Tech retirou o operador de segurança do veículo.
No interior do shuttle, seguem apenas passageiros: a Auve Tech retirou o operador de segurança do veículo. Euronews

Como funciona o MiCa

O MiCa é um pequeno shuttle elétrico que a Auve Tech apresentou em outubro de 2022. Foi concebido para transporte de última milha em zonas previamente cartografadas e transporta até oito passageiros. O MiCa está classificado como Nível 4 de condução autónoma — significa que se conduz sozinho, sem um humano ao volante, mas apenas dentro de condições definidas, como um percurso mapeado.

Para “ver” o que o rodeia, o shuttle utiliza dez câmaras e sete sensores a laser, que lhe dão uma visão de 360 graus. Não circula livremente entre os aviões — segue um percurso fixo com regras integradas e reage de imediato a qualquer obstáculo potencial.

Câmaras e sensores a laser dão ao shuttle uma visão do ambiente ao longo do percurso previamente mapeado.
Câmaras e sensores a laser dão ao shuttle uma visão do ambiente ao longo do percurso previamente mapeado. Euronews

“Consegue ver o suficiente à frente para tomar uma decisão”, explicou Sepp à Euronews Next. “Quando estamos numa interseção, olha de um lado para o outro e, se for seguro avançar, segue caminho.”

O shuttle reage também a pequenos perigos. O repórter da Euronews teve de se agarrar ao corrimão quando o veículo travou a fundo a meio da viagem, aparentemente por causa de uma ave que atravessou a sua rota.

“Voam por aqui pequenas aves e o sistema deteta tudo o que esteja perto”, disse Sepp à Euronews Next. “Por isso, a segurança está naturalmente em primeiro lugar para nós.”

Os humanos continuam a fazer parte do sistema, mas à distância. O veículo toma as suas próprias decisões, enquanto um operador remoto, numa sala de telemonitorização, acompanha-o em permanência.

“O veículo decide o que fazer, se deve fazê-lo e quando o fazer”, explicou Sepp à Euronews Next. “Mas, se surgir alguma falha, pede autorização ao operador da telemonitorização.”

Na sala de telemonitorização, um operador remoto acompanha em direto as imagens dos shuttles - um operador pode supervisionar vários veículos.
Na sala de telemonitorização, um operador remoto acompanha em direto as imagens dos shuttles - um operador pode supervisionar vários veículos. Euronews

Equilibrar as contas

Para a Auve Tech, retirar o operador a bordo é um passo económico crucial. Taavi Rõivas, presidente do conselho de supervisão e antigo primeiro-ministro estoniano, afirmou que um operador de segurança a bordo “não faz muito sentido do ponto de vista comercial”.

“As exigências regulatórias continuam a implicar ter um humano no circuito, mas uma pessoa pode supervisionar ou monitorizar remotamente vários veículos”, disse Rõivas à Euronews Next.

Apontou o ponto de equilíbrio para cerca de três veículos por operador remoto.

“Se estiver a olhar em simultâneo para três veículos, a ver o que estão a fazer e, se necessário, a dar alguma orientação pontual, conseguimos igualar o preço dos veículos conduzidos por humanos”, afirmou Rõivas à Euronews Next.

“Quando conseguirmos disponibilizar o serviço desta forma, acredito que a expansão do transporte em veículos autónomos vai ser muito, muito rápida.”

Um dos hangares de manutenção de aeronaves da Magnetic MRO no Aeroporto de Tallinn. Os shuttles ligam as suas instalações através do aeródromo.
Um dos hangares de manutenção de aeronaves da Magnetic MRO no Aeroporto de Tallinn. Os shuttles ligam as suas instalações através do aeródromo. Euronews

O principal cliente já sente as vantagens em termos de custos e fiabilidade. Risto Mäeots, diretor executivo da Magnetic Group, afirmou que a empresa percorre “quase 50 000 quilómetros por ano” entre os seus hangares. Antes dos shuttles, recorria apenas a condutores humanos, o que por vezes trazia problemas próprios.

“Enfrentávamos muitas questões de fiabilidade. Por exemplo, as pessoas podem adoecer e havia rotatividade de pessoal”, disse Mäeots à Euronews Next. “Transformou-se num grande desafio.”

Descreveu o transporte como um centro de custos para uma empresa de manutenção, não uma fonte de receitas. Acrescentou ainda que a empresa, que compete com grupos de aviação muito maiores, tem de ser inventiva para se manter.

“Meio a brincar, dizemos que não temos direito a existir, porque somos uma empresa pequena frente a grandes grupos de aviação”, afirmou Mäeots à Euronews Next. “Para existirmos, temos de pensar realmente fora da caixa.”

“Pensávamos que ia ser utilizado sobretudo por pessoas, mas agora vemos que o transporte de peças sobresselentes entre os hangares é uma parte igualmente importante”, disse Mäeots à Euronews Next. Os artigos volumosos continuam a ser transportados por veículos convencionais devido às limitações de tamanho.

O shuttle MiCa circula perto de aeronaves estacionadas na zona de pista - uma estreia para um veículo autónomo sem operador de segurança a bordo.
O shuttle MiCa circula perto de aeronaves estacionadas na zona de pista - uma estreia para um veículo autónomo sem operador de segurança a bordo. Euronews

A Auve Tech quer agora levar o modelo para outros locais. Rõivas afirmou que o alvo imediato são os muitos serviços de shuttle de última milha que funcionam em ambientes fechados, como campus empresariais, onde os reguladores tendem a autorizar mais facilmente veículos sem operadores de segurança.

“A nível global, existem centenas de milhares, se não milhões, de serviços de shuttle de última milha apenas em ambientes fechados”, afirmou Rõivas à Euronews Next. “Consideramos que conseguimos igualar ou até melhorar o preço dos serviços atuais.”

Segundo disse, já há interesse vindo da Europa, do Japão, de Abu Dhabi e dos Estados Unidos. Representantes de outros aeroportos visitam Tallinn “praticamente um por semana” para ver o serviço em funcionamento. Alguns ponderam transportar passageiros VIP ou levar pessoas entre portas de embarque nestes shuttles.

“Esperamos anunciar muito em breve que aeroportos significativamente maiores do que Tallinn terão um serviço semelhante a funcionar”, afirmou Rõivas à Euronews Next.

Sepp mostra-se confiante quanto ao caminho seguido. “Acredito que, dentro dos próximos 10 anos, soluções de transporte autónomo no interior dos aeroportos serão algo comum de se ver”, disse à Euronews Next.

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