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Europa procura minerais críticos da Ásia Central enquanto produtores exigem processamento local

Processo de produção de zinco
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De Dilbar Primova
Publicado a •Últimas notícias
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Num fórum em Tashkent, os participantes analisaram a transferência de tecnologia, o financiamento e as rotas de transporte. Um recente roteiro industrial germano-cazaque e termos preliminares de financiamento com um banco francês ilustram as várias fases da cooperação.

A procura europeia de minerais críticos está a suscitar discussões com produtores da Ásia Central sobre investimento em extração e processamento. Enquanto as indústrias europeias procuram fontes alternativas de abastecimento, países como o Cazaquistão e o Uzbequistão querem investimento estrangeiro e tecnologia para desenvolver as suas próprias capacidades de fabrico.

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Estas prioridades diferentes foram debatidas no International Mining and Metals Forum, realizado em Tashkent, onde representantes da indústria analisaram oportunidades de cooperação comercial.

“Bruxelas não espera apenas acordos. Espera o desenvolvimento de parcerias de investimento claras com países como o Uzbequistão, o Cazaquistão, no sentido mais lato”, afirmou Marat Terterov, fundador do Brussels Energy Club, uma organização independente sem fins lucrativos que reúne especialistas em energia, decisores políticos e representantes da indústria.

Marat Terterov, fundador do Brussels Energy Club
Marat Terterov, fundador do Brussels Energy Club Euronews

Terterov salientou também a necessidade de investimento no processamento de minerais, nas cadeias de fornecimento industrial e nas infraestruturas de transporte, incluindo o Middle Corridor, que liga a Ásia Central aos mercados europeus.

Europa procura fornecedores alternativos

A UE classifica matérias como o lítio e o tungsténio como críticas, devido à sua importância económica e aos riscos de abastecimento.

A Alemanha está entre as economias europeias que procuram diversificar as suas fontes.

“Na Alemanha precisamos de muitos minerais críticos, porque investimos em energias renováveis, investimos em carros elétricos, investimos em alta tecnologia”, disse Matthias Vollert, embaixador da Alemanha no Uzbequistão, à Euronews.

Numa declaração conjunta publicada em 29 de setembro (fonte em inglês), a Alemanha e o Cazaquistão aprovaram um roteiro 2026-2028 que abrange cooperação industrial, extração e processamento de minerais, bem como o aumento da produção de bens de maior valor acrescentado no Cazaquistão.

A empresa alemã HMS Bergbau AG está também a desenvolver um projeto de extração e processamento de lítio no leste do Cazaquistão. O investimento potencial pode atingir 500 milhões de dólares (cerca de 449 milhões de euros), sujeito à confirmação de reservas comercialmente viáveis. O projeto permanece na fase de exploração e desenvolvimento.

Uzbequistão procura aumentar valor através do processamento de minerais

O Uzbequistão segue uma abordagem industrial semelhante, procurando desenvolver o processamento interno de minerais em vez de depender sobretudo da exportação de matérias-primas e concentrados.

O Uzbekistan Technological Metals Complex (TMK) é uma empresa industrial estatal criada em 2024 para desenvolver a indústria de processamento de minerais do país. Trabalha com materiais como tungsténio e molibdénio, produzindo produtos industriais como óxido e carboneto de tungsténio, bem como barras e briquetes de molibdénio.

“A principal razão é criar valor. Por isso, em cada passo, em cada fase estamos a criar valor e depois exportamos”, afirmou Timur Khikmatullaev, representante especial da TMK para a Integração Global.

Segundo Khikmatullaev, a Alemanha foi o primeiro mercado de exportação da empresa. A TMK indica também exportações para a Bélgica, os Países Baixos, a Turquia, os Estados Unidos, o Canadá, a Coreia do Sul e o Japão.

De acordo com registos de envio publicados pela 52wmb, uma plataforma comercial de dados de comércio, a TMK exportou produtos de molibdénio para a Bélgica e os Países Baixos, bem como óxido de tungsténio para os Países Baixos, em agosto de 2026.

Tecnologia e financiamento europeus

Para além das exportações já existentes, a TMK procura investimento e conhecimento de fabrico para expandir a produção dentro do Uzbequistão.

Em setembro, a empresa realizou um roadshow em Berlim (fonte em inglês), que reuniu representantes de cerca de 20 empresas alemãs e de instituições financeiras internacionais.

As discussões abrangeram fornecimentos de minerais críticos, transferência de tecnologia e participação em novos projetos de fabrico. A TMK apresentou um portfólio de mais de 140 projetos de investimento propostos, com um valor total estimado de 4,2 mil milhões de dólares (cerca de 3,77 mil milhões de euros), segundo a empresa.

Em 16 de outubro, a TMK e o banco francês Société Générale assinaram um documento preliminar de condições (fonte em inglês) para financiamento pré-exportação.

As discussões seguem um acordo de mandato assinado em junho para organizar 50 milhões de euros em financiamento, destinado a apoiar a capacidade de produção e as operações de exportação. Ainda não foi anunciado um acordo final de empréstimo.

Parcerias internacionais na mineração para além da Europa

A cooperação no sector mineiro do Uzbequistão estende-se também para lá dos investidores europeus.

A AzerGold, empresa mineira estatal do Azerbaijão, criou em outubro a sua primeira subsidiária estrangeira no Uzbequistão. A empresa procura licenças para iniciar um programa de prospeção de 18 meses na jazida de ouro de Akba, na região de Kashkadarya.

“Se os resultados forem positivos, planeamos criar a joint venture e depois desenvolver a jazida”, disse Ilyas Ismayilli, diretor-geral da AzerGold Uzbekistan, à Euronews.

Paralelamente, a AzerGold trabalha na criação de uma joint venture trilateral com a Uzbekgeologorazvedka JSC e a Azerbaijan-Uzbekistan Investment Company para explorar ouro e minerais de terras raras na região de Navoi. Os parceiros assinaram um acordo preliminar em julho, mas a sociedade ainda não foi formalmente estabelecida.

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