Euronews is no longer accessible on Internet Explorer. This browser is not updated by Microsoft and does not support the last technical evolutions. We encourage you to use another browser, such as Edge, Safari, Google Chrome or Mozilla Firefox.

Última hora

Última hora

Caso Timoshenko: Estará a Europa errada?

Caso Timoshenko: Estará a Europa errada?
Tamanho do texto Aa Aa

Desporto e política são hoje os ingredientes de um cocktail explosivo na Ucrânia. O europeu está à porta, a ex-primeira-ministra está presa e os políticos europeus não vão à bola por causa disso. Iulia Timoshenko é acusada de abuso de poder e afirma ter sofrido maus tratos na prisão, o que provocou uma espécie de terramoto de reações na Europa, com deputados e comissários a recusarem marcar presença em Kiev para a festa do futebol.

A euronews entrevistou o primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov entre o sonho europeu e uma realidade que afasta a ex-república soviética da quimera ocidental.

Grande parte da União Europeia está preocupada com a democracia na Ucrânia e a forma de aplicar a lei. A chanceler alemã, Angela Merkel comparou a Ucrânia a uma ditadura do tipo da bielorrussa. Que pensa destas acusações?

Mykola Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia:
“As pessoas só precisam de passar uns dias na Ucrânia para entenderem que não somos uma ditadura, nem há repressão política. Os partidos democráticos têm voz ativa e alguns estão mesmo representados no parlamento. A liberdade de expressão é um valor fundamental e respeitamo-la. Pessoalmente, vejo Merkel como uma personalidade politicamente incorreta, que não contribui nada para as relações bilaterais entre a Ucrânia e a Alemanha e especialmente para as relações entre a Ucrânia e a União Europeia.

EN: Já encontrou alguma solução para esta crise que está a colocar a Ucrânia numa posição difícil face aos parceiros ocidentais?

Mykola Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia:
“A senhora Timoshenko não foi condenada pelos seus credos políticos. Foi condenada por forjar uma diretiva do governo ucraniano, um documento oficial. Com esse documento falsificado, ela levou os subordinados a assinarem um contrato de fornecimento de gás com a Rússia extremamente desfavorável para a Ucrânia. Agora temos de pagar o gás quase ao dobro do preço da média europeia”.

EN: “Pensa que os líderes europeus estão a tirar conclusões com base em informações erróneas sobre a situação na Ucrânia?

Mykola Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia:
“Coloquei uma simples questão sobre os atos de Timoshencko. Foram decisões, uma perseguição política ou crimes? E deixo aos juristas europeus a resposta a esta questão.

Eles já responderam, considerando tratar-se de um julgamento político. Afirmam que o governo, atualmente no poder em Kiev, quer livrar-se da inconveniente líder da oposição, Iulia Tiimoscheko.

Mykola Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia:
“Mais uma vez, quero referir as circunstâncias em torno deste caso. Interrogo-me se os líderes europeus têm toda a informação sob o caso. Nós estamos disponíveis para a entregar. São factos irrefutáveis e naturalmente há uma questão a colocar: Trata-se de uma perseguição política ou tem por base o enorme prejuízo que o país está a suportar por causa das suas ações?

EN: Primeiro-ministro, à parte do que referiu, não acha que há também uma falta de confiança no sistema de justiça ucraniano, tanto no estrangeiro, como na própria Ucrânia?

Mykola Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia:
“É precisamente por isso que estamos a proceder a uma gigantesca reforma do sistema judicial. Um novo Código Criminal, que dará mais direitos aos cidadãos, está para entrar em vigor. Estamos em guerra aberta contra a corrupção, uma batalha muito mais séria do que era, digamos, há 2 anos. É uma enorme luta contra a corrupção. Estamos a procurar desregulamentar a economia porque temos consciência do problema e queremos criar um clima, o mais favorável que for possível para o investimento na Ucrânia. E vamos ser bem sucedidos.

EN: Vai deixar Timoschenko tratar-se fora da Ucrânia?

Mykola Azarov, primeiro-ministro da Ucrânia:
“Não vamos por o carro à frente dos bois. Timoschenko está a ser tratada e isso irá permitir-nos saber se necessita de mais cuidados.
Se, no futuro, as autoridades médicas competentes considerarem que a Ucrânia não tem condições para a continuar a tratar de forma adequada e que, fora da Ucrânia, exista quem o possa fazer melhor, a liderança do país irá considerar essa hipótese, baseando-se – e quero reforçar esta ideia – puramente em razões humanitárias. Mas é claro que isso implicará alterações às leis em vigor atualmente.