O “bloguer” “Niloy Neel” foi brutalmente assassinado no Bangladeche a golpes de machete. Foi o quarto ativista internauta antiextremismo a ser
O “bloguer” “Niloy Neel” foi brutalmente assassinado no Bangladeche a golpes de machete. Foi o quarto ativista internauta antiextremismo a ser assassinado, nos últimos seis meses, naquele país de maioria islâmica e literalmente “colado” ao nordeste da Índia.
De nome verdadeiro Niladri Chaterjee, “Niloy Neel” era casado, tinha 28 anos, exprimia-se sobretudo pelo Facebook e por uma plataforma na internet conhecida como Ishtishon. Era conhecido por escrever contra os criminosos de guerra e por defender os direitos das mulheres e crianças.
Bangladesh: Savage killing of blogger #NiloyNeel must not go unpunished http://t.co/lIosBwyWn3pic.twitter.com/eCwZVSCc1w
— AmnestyInternational (@AmnestyOnline) 7 agosto 2015
Nos últimos tempos, “Niloy Neel” insistiu no apelo à justiça pelos colegas de “luta” escrita, assassinados nos meses anteriores. Mas, tal como Avijit Toy, em Fevereiro, Oyasiqur Rehman, em março, e Ananta Bijoy Das, em maio, Niladri Chaterjee também acabou morto de forma brutal, com machetes.
Os quatro eram contra o extremismo religioso, criticavam o radicalismo islâmico que levava a atacar inclusive mesquitas e defendiam a mudança para um Estado laico, isto é, sem qualquer religião dominante. O grupo “jihadista” Ansar al Islam, também conhecido como Al-Qaida do Subcontinente Indiano, reivindicou o assassinato de “Niloy Neel”, descrito como “blasfemo” na carta que o grupo terrorista enviou para as redações.
#BREAKING: Al-Qaeda of Indian Sub-Continent claims responsibility for killing #blogger Niladri http://t.co/XL1MJkLMP4pic.twitter.com/jDoCEevU2B
— The Daily Star (@dailystarnews) 7 agosto 2015
Imran Sarkar, porta-voz do movimento Shahbag, exige justiça: “Foi o quarto ‘bloguer’ consecutivo a ser morto em 6 meses. Por isso, estamos aqui a protestar. Queremos justiça pelos ‘bloguers’. Com o ‘Niloy’, já perdemos quatro. Exigimos justiça pelo assassinato de ‘bloguers’.”
O assassinato de “Niloy”
De acordo com o jornal Dhaka Tribune, a mulher Ashamoni contou que um homem com pouco mais de 20 anos, envergando uma “t-shirt” e calças de ganga, deslocou-se ao apartamento, alegando que estava interessado em aluga-lo e que o proprietário lhe havia dito para o visitar.Another blogger murdered in #Dhakahttps://t.co/6×1nKDaxqe#Bangladesh#BloggerMurder#BloggerKilling
— DhakaTribune (@DhakaTribune) 7 agosto 2015
A mulher estranhou que o homem estivesse a mexer muito no telemóvel e terá pedido a “Niloy” para pedir ao homem que saísse. De repente, no entanto, três outros homens entraram de rompante no apartamento. Um deles, reteve Ashamoni e a irmã na varanda sob ameaça de arma de fogo. No quarto, um outro, com cerca de 35 anos e de barba, começou a golpear “Niloy” e a gritar “Allah Akbar”.
Escassos minutos depois, os agressores saíram do apartamento ainda a gritar o mesmo. Fontes da morgue, revelaram que “Niloy” morreu no local, com mais de 20 golpes no corpo.
O que é o movimento Shahbag?
É um movimento surgido dos protestos realizados no Bangladeche em fevereiro de 2013, na praça com o mesmo nome na capital, Daca. Em causa, há dois anos e meio, esteve a sentença de prisão perpétua para Abdul Quader Mollah, pelo Tribunal de Crimes Internacionais, um órgão de justiça criado no Bangladeche para investigar e julgar o genocídio cometido pelo exército do Paquistão em 1971, durante a guerra de libertação do país.
O antigo líder do maior partido islâmico do Bangladeche, o Jamaat-e-Islami, foi considerado culpado em cinco das seis acusações e, por isso, os manifestantes queriam mais, pediam a pena de morte. Os ativistas lançaram-se para a internet, numa campanha que ganhou força e cresceu, sobretudo, nas redes sociais.
ভুলি নাইভুলবো নাভুলতে দেবো না
Posted by শাহবাগ আন্দোলন Shahbagh Movement on Quarta-feira, 29 de Julho de 2015