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Prata, ouro e ouro negro voltam a brilhar

Prata, ouro e ouro negro voltam a brilhar
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Desde o início deste mês, os mercados do petróleo e dos metais preciosos têm alguns motivos para sorrir. Depois dos resultados dececionantes registados nos mercados acionistas durante o terceiro trimestre de 2015, tudo indica que os investidores voltaram a procurar a segurança dos metais preciosos. O ouro atingiu os melhores índices periódicos desde o início de 2014. Mas a grande surpresa veio da prata, com números que já não se viam desde 2013.

Como sempre, nos períodos de incerteza, toda a gente se vira para o ouro. E foi o que aconteceu.

É a retoma destes mercados?

Começaram a surgir sinais de retoma entre os preços das matérias-primas. Desde o início de outubro, o valor do petróleo subiu. No final da semana passada, os ganhos atingiam os 8%, os mais significativos no espaço de seis semanas. Isto apesar do aumento inesperado do barril de crude nos inventários dos Estados Unidos. O índice do barril de Brent avançou quase 9% e o americano, mais de 10%.

Motivos apontados para este quadro: a vulnerabilidade do dólar, as eventuais conversações entre a Rússia e o bloco OPEP, e as previsões do grupo energético PIRA, que traçam um cenário provável de subida até 75 dólares por barril nos próximos dois anos.

O avanço também é significativo do lado do ouro, que arrecadou 4% desde o início deste mês, apagando o registo negativo de setembro. O preço subiu até aos 1159 dólares por onça, depois da Fed adiar novamente a subida das taxas de juro e a economia chinesa demonstrar claros sinais de abrandamento. Os investidores desviam-se das operações de risco e deslocam as atenções para os metais preciosos.

O início do quarto trimestre de 2015 tem sido igualmente favorável para a prata, que alcançou ganhos inesperados. Desde o terceiro trimestre de 2013 que o mercado deste metal precioso não obtia resultados assim. A semana passada encerrou com conquistas na ordem dos 9%, tendo passado uma borracha em todas as perdas apresentadas ao longo deste ano.

A opinião de Nour Eldeen al-Hammoury, analista da ADS Securities

euronews: Apesar do acréscimo nos inventários americanos, na semana passada assistimos à subida do valor do petróleo. Começou a retoma dos preços do ouro negro?

Nour Eldeen al-Hammoury: No passado mês de agosto, já havia sinais de que íamos entrar num período de estabilização, depois de terem sido lançadas várias previsões negativas sobre os preços. O rácio de valores entre o ouro e o petróleo foi o primeiro indicador de que isto ia acontecer. Ainda por cima, era esperado que as políticas da Reserva Federal dos Estados Unidos enfraquecessem o dólar, reforçando o valor do petróleo. Temos de ir acompanhando outros indicadores no período que se avizinha. Neste momento, o cenário é de facto de estabilização no sentido positivo. A tensão geopolítica no Médio Oriente e as perspetivas de se organizar em breve uma reunião que integre produtores que não pertencem à OPEP explicam a situação.

euronews: A decisão da Fed de adiar a subida das taxas de juro alavancou o preço do ouro. A procura pelo mercado de metais preciosos tem aumentado. É uma tendência que vai continuar?

Nour Eldeen al-Hammoury: Como sempre, nos períodos de incerteza, toda a gente se vira para o ouro. E foi o que aconteceu, após as perdas assinaláveis que se registaram há algumas semanas nos fundos de alto risco devido ao declínio dos mercados globais. Acresce a isto as incertezas em torno do rumo da Reserva Federal americana, que também reforçam a procura de ativos seguros como o ouro. Segundo os últimos relatórios independentes, as compras subiram em 9% na semana passada, o que denota um número significativo de corretores e investidores a procurar esses ativos. E, se as incertezas continuarem, os ganhos vão aumentar ainda mais.

euronews: No que diz respeito ao rácio entre o ouro e a prata… Até que ponto pode a prata continuar a apresentar ganhos expressivos?

Nour Eldeen al-Hammoury: Em termos históricos, sempre que o rácio ouro-prata se situa a um nível entre os 77 e 88 por onça, o valor da prata aumenta. É uma dinâmica que vemos acontecer desde os anos 80. Na semana passada, o rácio localizou-se nos 77 e desceu para os 71. A prata subiu mais de 11%. Se este metal conseguir arrecadar mais ganhos durante as próximas semanas, se o rácio continuar a negociar-se abaixo dos 80, podemos prever novas subidas no horizonte.

euronews: Quais são então os níveis a que os corretores têm de estar atentos?

Nour Eldeen al-Hammoury: No curto prazo, há muitos corretores e investidores que falam em 17/18 dólares por onça, porque é um patamar que apresenta bastante resistência. Isso pode conduzir a um declínio antes de uma nova subida, isto se o rácio ouro-prata for o correto.