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A mulher que escapou da morte para enfrentar uma escolha impossível

A mulher que escapou da morte para enfrentar uma escolha impossível
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De Euronews
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A história de Fahire Kara é a todos os títulos extraordinária.

A história de Fahire Kara é a todos os títulos extraordinária.

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Ela enfrenta uma escolha impossível aos olhos da lei da Arábia Saudita: ou é apedrejada até à morte ou terá que assistir à execução do pai dos seus três filhos.

O caso remonta a 2 de julho de 1990 quando Kara iniciou uma peregrinação de Batman na Turquia em direção a Meca na companhia do seu marido, Abdoullah.

Nesse dia a sua vida iria mudar por completo.

Enquanto milhares de peregrinos atravessavam um túnel que liga a Grande Mesquita ao deserto de Mina, o pânico apoderou-se das pessoas dando origem a uma debandada. No total, 1,426 pessoas foram esmagadas ou morreram asfixiadas, incluindo 450 turcos.

Gravemente ferido, Abdoullah tentou localizar a sua mulher por entre o caos generalizado.

Ele encontrou-a gravemente ferida e proferiu as orações muçulmanas adequadas à ocasião.

Os socorristas chegaram entretanto e Abdoullah foi levado de urgência para o hospital. O casal foi de novo separado.

Após a recuperação, Abdoullah iniciou as buscas para localizar os restos mortais da sua mulher. Ele visitou morgues e hospitais sem a encontrar. Abdoullah acabaria por regressar a casa convencido de que a sua mulher havia falecido.

Anos mais tarde, os filhos de Fahire na Turquia ouviram rumores sobre uma vendedora de recordações turca que contava uma história incrível a todos os peregrinos que encontrava em Meca. Ela dizia que havia sido raptada e pedia ajuda para tentar encontrar a sua família.

Foi então que uma jornalista, Müge Anlı, se envolveu no caso e começou a investigar.

Mais detalhes começaram a surgir envolvendo um indivíduo iemenita e a sua mulher turca. Os novos elementos permitiram à jornalista reconstruir a história de Fahire e a escolha terrível que ela teria que fazer.

Quando as autoridades em Meca foram confrontadas com o incidente no túnel, elas não estavam preparadas para nada daquela escala. A fim de responderem o mais rapidamente possível, as autoridades convocaram todos os funcionários municipais da região.

Assim, quando um funcionário da recolha do lixo apareceu no local e se ofereceu para levar uma mulher para o hospital, por entre o caos e desorganização generalizada, ninguém verificou a sua identidade ou questionou as suas intenções.

Na realidade, Fahire foi levada para uma casa em Medina onde ficou aprisionada durante seis anos. Ela foi apenas autorizada a sair de casa depois de engravidar e dar à luz a primeira de três crianças que acabaria por ter com o seu novo “marido”.

No entanto, Fahire acabaria por ouvir notícias sobre a busca internacional entretanto lançada mas não fez nada para regressar à sua família antiga.

E porque não, muitos se interrogariam? A questão é que Fahire se defronta com um dilema muito difícil. Segundo a lei saudita, se ela optar por deixar a sua nova casa ela teria que denunciar o raptor, o que significa emitir uma sentença de execução pública para o pai dos seus três filhos mais novos; por outro lado, ao admitir adultério ela enfrenta uma sentença de morte por apedrejamento.

O caso está a ser seguido com atenção e tudo sugere que é um dos temas em agenda durante a visita oficial do presidente Erdogan à Arábia Saudita que decorre esta quarta-feira.

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