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Com má experiência nas presidenciais, Macron ataca as "fake news"

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Com má experiência nas presidenciais, Macron ataca as "fake news"

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O presidente francês, Emmanuel Macron, quer desenvolver legislação no sentido de combater as notícias falsas e os rumores que circulam na Internet, especialmente durante o período eleitoral.

Macron anunciou assim uma lei contra as chamadas fake news, numa iniciativa descrita pelos media franceses como fruto da sua experiência com a imprensa russa.

Recentemente, o presidente criticou dois meios de comunicação russos multilingues por "responsabilidade na propagação de rumores" e de notícias falsas. Ambos órgãos portaram-se, de acordo com Macron, como "elementos de influencia" e de "propaganda", durante as últimas presidenciais francesas.

Responsabilizar plataformas de conteúdos

Espera-se que a lei obrigue as plataformas digitais responsáveis pela distribuição de conteúdo considerado informativo a atuar de forma mais transparente. O chefe de Estado francês explicou que os detalhes sobre a lei deverão ser dados a conhecer nas próximas semanas.

Ainda que não tenham sido referidos meios de comunicação em particular, poucos duvidaram que o presidente francês se referia a media russos, como o canal de informação  multilingue RT (antigamente conhecido como Russia Today) e a agência noticiosa multimedia Sputnik

Ambas plataformas são completamente controladas pelo Kremlin.

Além disso, a agência Federal responsável pela coordenação dos meios de comunicação Estatais, criou recentemente um canal em língua francesa, a RT France. O canal é visto pelos críticos de Moscovo como um porta-voz do Kremlin na cena internacional.

Emmanuel Macron criticou, durante o anúncio do projeto de lei aos jornalistas, alguns meios de comunicação internacionais "com os seus milhares de contas nas redes sociais" e que, em pouco tempo "conseguem propagar em todo o mundo, em várias línguas, rumores inventados para conspurcar a imagem de um responsável político, uma personalidade, uma figura pública ou um jornalista."

Por isso, o presidente quer que as plataformas digitais responsáveis pela divulgação dos chamados "conteúdos patrocinados" sejam obrigadas a revelar a identidade de quem financia os conteúdos em causa.

Desta forma, no caso de ser publicada uma notícia falsa, será possível levar o caso aos tribunais, permitindo apagar o conteúdo e responsabilizar o site e mesmo bloquear o acesso do mesmo às redes.

RT e Sputnik na mira do Ocidente

Para além da recente versão em francês, a RT emite em inglês, árabe, espanhol e tem ainda um canal de documentários, que emite em inglês e russo. O canal foi fundado em 2005, sendo, na altura, conhecido como Russia Today.

Washington considera a RT como nada mais do que um órgão de propaganda do Kremlin. Uma opinião partilhada por muitos na União Europeia, como é o caso do presidente francês.

Durante as presidenciais, espalhou-se um rumor acerca de uma alegada conta secreta do então candidato Macron no arquipélago das Bahamas, rumor mencionado pela rival de extrema-direita, Marine Le Pen, durante o debate transmitido pelas televisões.

Emmanuel Macron apresentou depois queixa por "difamação" e "divulgação de notícia falsa". O pessoal de campanha do presidente disse, na altura, que o rumor tinha sido propagado por várias contas da rede social Twitter próximas da RT e da agência Sputnik.