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Davos: Emmanuel Macro lança farpas a Donald Trump

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Davos: Emmanuel Macro lança farpas a Donald Trump

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A quarta-feira teve início, em Davos, com a comunicação especial de Michel Temer.

O presidente do Brasil afirmou que depois de anos de crise e recessão, a maior economia da América Latina está a recuperar e não irá descarrilar por causa das eleições.

Em linha com o tema deste ano de Davos “criar um futuro partilhado num mundo fraturado”, Temer, tal como outros líderes mundiais, juntou-se ao alerta contra o protecionismo.

Os comentários antiprotecionismo e anticomércio livre são vistos como uma mensagem para Donald Trump, deve deve discursar, na sexta-feira.

Dias antes, foi a vez de a chanceler alemã e de o presidente francês se dirigirem ao Fórum Económico Mundial.

Angela Merkel é presença assídua na cimeira anual de Davos, mas este ano a chanceler ficou retida na Alemanha devido às negociações para uma coligação.

Desde as eleições de setembro, o partido da chanceler tem tentado formar Governo na Alemanha – a maior Economia da Europa.

Num primeiro sinal de que a pressão interna pode estar a diminuir, Merkel voltou à cena mundial dizendo que o protecionismo não é solução.

“Acreditamos que o isolacionismo não nos levará a lugar nenhum. Acreditamos que temos de cooperar e que o protecionismo não é a resposta certa. Acreditamos que, se partilharmos a opinião de que as coisas não estão a ser feitas de forma justa e de que os mecanismos não são recíprocos, então devemos procurar soluções multilaterais e não unilaterais que, em última instância, apenas promovem o isolacionismo e o protecionismo. Portanto, é importante que a Alemanha forme, rapidamente, um novo Governo e espero que consigamos fazer isso”, afirmou a chanceler.

Emmanuel Macron juntou-se a Angela Merkel.

Este é o primeiro discurso do presidente francês, em Davos, desde as eleições de maio.

Claramente, Macron é um dos principais oradores do Fórum de Davos com a sua estratégia amigável de negócios.

Na véspera, o presidente francês promoveu, em Paris, um jantar para 140 líderes de multinacionais – um género de aperitivo para o Fórum Económico Mundial.

Emmanuel Macron prometeu impulsionar, rapidamente, mudanças económicas e políticas em França e na Europa.

“É naquilo que nos torna soberanos – migração, digital, energia, defesa, desenvolvimento, finanças, investimento – que, neste ambiente atual, temos de construir as nossas políticas comuns. Não sou ingénuo: nunca construiremos algo suficientemente ambicioso, a 27. E temos de mudar a metodologia: não podemos esperar por todas as pessoas ao redor da mesa antes de avançar. Quer isto dizer que, se algumas pessoas estão prontas para ser mais ambiciosas, ir mais longe em termos de integração e de ambição naquilo que nos torna soberanos, que nos dá poder neste ambiente global, para defender os nossos valores e os nossos interesses: avancemos”, afirma.

Desde que Donald Trump decidiu retirar os Estados Unidos do acordo de Paris, o presidente francês tenta assumir a liderança da questão das alterações climáticas com o lema: “Fazer o Planeta grande outra vez”.

“É verdade que em Davos, quando se olha lá para fora, especialmente dentro deste edifício, pode ser difícil acreditar no aquecimento global. Obviamente, e felizmente não convidaram, este ano, ninguém cético em relação ao aquecimento global. Decidimos, também, tornar a França num modelo na luta contra as alterações climáticas, e essa é, para mim, uma grande vantagem em termos de atratividade e competitividade. Temos de deixar de opor a produtividade às questões das alterações climáticas”, diz Macron.

A diretora executiva da Greenpeace International, Jennifer Morgan, lança o alerta: “Não temos mais cinco anos. As emissões globais vão atingir o pico máximo nos próximos dois anos. Seria ótimo ouvi-lo dizer que mudará a França para 100 por cento de renováveis e que abandonará a energia nuclear e que trabalhará com a Alemanha para fazer com que abandone o carvão… Para transformar em atos as palavras de liderança”.