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Presidenciais russas: tudo o que precisa de saber

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Presidenciais russas: tudo o que precisa de saber

Presidenciais russas: tudo o que precisa de saber
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Dia 18 de março, mais de 100 milhões de russos votam numas presidênciais que ainda não aconteceram, mas que já causam polémica. Muitos não duvidam de quem será o vencedor, apesar dos vários candidatos que registaram candidatura. Aqui ficam os dados mais importantes relativamente às presidenciais russas, num trabalho conjunto das redações da Euronews.

Reuters
As gerações mais jovens são as que mais protestam contra a governação de Vladimir Putin. Na imagem, apoiantes de Alexei Navalny, ativista e crítico com o Kremlin.Reuters

Como votam os russos?

Os eleitores depositam o voto na urna com o nome do candidato ou da candidata da sua preferência, como acontece em grande parte dos países. Para passarem à segunda volta, os candidatos deverão ter pelo menos metade dos votos. Caso isso não aconteça com nenhum dos candidatos, são os dois candidatos mais votados que passam à segunda volta, que terá lugar cerca de três semanas depois.

A Federação Russa tem atualmente registados 109 eleitores. Existem mais de 94 mil locais de voto em todo o país, o maior do mundo por extensão territorial. Existem pelo menos 1,8 milhões de eleitores no estrangeiro, para os quais se encontram disponíveis quase 400 locais de voto.

Reuters
O atual presidente da Federação Russa encontra-se no poder desde o ano 2000. O Ocidente critica a forma como gere o país e choca com os seus posicionamentos na arena internacional, desde a Síria às relações com Bruxelas e Washington.Reuters

Quem são os candidatos?

São oito candidatos, e mais de 100 milhões de eleitores incluindo o atual presidente da Federação, Vladimir Putin. Apesar de muitos dizerem que Putin é o vencedor à partida, é importante que o escrutínio tenha lugar, já que permite um debate político, por mais limitado que seja, no seio da sociedade russa. Por outro lado, as eleições são um teste ao poder e à importância de Putin.

A nova geração

Ksenia Sobchak

Ksenia Sobchak: Uma estrela da televisão de 36 anos, conhecida figura do jet set, que se reiventou como política. Vem de uma família com um importante passado político na Rússia. O pai chegou a ser chefe de Putin nos anos 90, altura em que ocupava o cargo de presidente de São Petersburgo. Sobchak é a candidata do Partido da Iniciativa Cívica Liberal.

Maxim Suraykin: Com 39 anos, Suraykin lidera o Partido Comunista da Rússia, que deseja a restauração da antiga União Soviétiva. A campanha do PCR é claramente estalinista, já que refere "Dez golpes à Estaline contra o capitalismo."

A velha guarda

Grigory Yavlinsky

Vladimir Zhirinovsky: Com 71 anos, Zhirinovsky é, muitas vezes, descrito como o showman da política russa. O candidato populista participa em eleições presidenciais desde 1991, como líder do Partido Liberal Democrático da Rússia.

Grigory Yavlinsky: Um economista de 65 anos, atualmente líder do partido social-liberal Yabloko.

Vladimir Putin: Antigo membro dos serviços secretos russos, KGB, Putin é o atual presidente da Federação russa e líder do partido Rússia Unida. Agora com 65 anos, Putin lidera também a Frente Popular da Rússia, uma rede com mais de 1500 partidos, sindicatos e grupos de interesse, dominada pelo seu partido.

Os marginais

Sergey Baburin: Professor de Direito de 59 anos, é o candidato do Partido Russo do Povo.

Pavel Grudinin

Pavel Grudinin: Antigo agricultor no setor dos morangos, tem 58 anos e é o líder da Quinta Estatal Lenine, o maior centro de produção de morangos no país. De acodo com a Comissão Eleitoral Russa, Grudinin obteve, entre 2011 e 2016, lucros na ordem dos 2.250.000 de euros.

Boris Titov: Homem de negócios de 58 anos e Presidente da Comissão para os Direitos dos Investidores. Liberal assumido, defende o livre mercado e a proteção das classes médias. Candidata-se no seio do Partido do Crescimento, que ele próprio fundou em 2009.

Há mais 29 candidatos cuja candidatura foi rejeitada, como aconteceu com Alexei Navalny, forte crítico de Vladimir Putin. Mas aconteceu o mesmo a candidatos ecologistas, monárquicos, nacionalistas e ao líder de uma associação de clubes de strip tease.

Quem faz realmente parte da oposição?

Para além de vários políticos de direita, menos conhecidos, assim como os candidatos dos pequenos partidos comunistas, uma das alternativas reais à política oficial seria Yavlinsky. Mas o político de centro-direita peca por falta de popularidade.

Em 2012, tentou candidatar-se às eleições presidenciais, mas não conseguiu obter o número necessário de assinaturas. Sobcjak, a única candidata, apresentou-se como alguém "contra tudo e contra todos," sendo a mais próxima do estilo de candidato "antissistema."

E o que se passa afinal com Navalny?

Forte crítico do Kremlin, Navalny deseja combater a corrupção no país. Uma figura contra o sistema que tem liderado vários protestos contra o Governo Federal, que acabaram com a sua detenção. Em 2016, anunciou a candidatura à presidência.

Alexei Navalny

Agora com 41 anos, Navalny conseguiu reunir a 100 mil assinaturas necessárias para oficializar a candidatura. Mas a Comissão Central de Eleições diz que o cadastro criminal de Navanly é razão para impedir a sua candidatura. Navalny queixou-se perante o Supremo Tribunal Federal Russo, mas o pedido foi rejeitado. O candidato apelou depois a um boicote às eleições.

"Se" Putin vencer as presidenciais

Estas são as quartas presidenciais do atual presidente da Federação Russa. Putin venceu as eleições pela primeira vez há 17 anos. Substituiu o então presidente Boris Yeltsin, que deixou o cargo seis meses antes do final do mandato.

Desde então, foi primeiro-ministro durante quatro anos, para respeitar o limite constitucional de dois mandatos consecutivos. Em 2012, Dimitri Medvedev deixou a presidencia. No mesmo ano, a lei mudou e os mandatos passaram de quatro para seis anos. Isto significa que, caso vença as eleições, Putin pode permanecer na presidencia até 2024. Terá, na altura, 72 anos.

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Antigo agente do KGB, Putin foi chefe dos serviços secretos soviéticos e russos, o KGB e o FSB. ´É uma figura polarizadora, tanto na Rússia como no mundo, sendo admirado e criticado por muitos.REUTERS