O responsável da UE pela energia afirma que o executivo pode fazer mais para reduzir os preços, apelando aos Estados-membros para que reduzam imediatamente os impostos sobre a eletricidade.
O comissário para a Energia, Dan Jørgensen, afirmou que "ainda há muito a fazer" para atenuar o aumento dos preços da eletricidade e do gás resultante da instabilidade no Médio Oriente, numa altura em que Bruxelas está a ser pressionada pelos Estados-membros para implementar uma solução a curto prazo.
Numa entrevista ao programa matinal da Euronews, Jørgensen apelou aos Estados-membros para que reduzissem os impostos sobre a eletricidade, como a forma mais rápida de diminuir as contas das famílias. Afirmou que uma redução dos impostos "tornaria mais fácil para a indústria competir".
"Enviámos um sinal muito claro aos Estados-membros: recomendamos que baixem os impostos sobre a eletricidade", disse Jørgensen à Euronews. "E podem fazê-lo amanhã, não precisam de esperar por outra proposta legislativa. Pode ser feito a curto prazo."
Entretanto, os líderes da UE vão pedir à Comissão propostas específicas e concretas que possam ser implementadas rapidamente, quando se reunirem na próxima semana em Bruxelas para uma cimeira agendada antes do início da guerra e que se tornou, desde então, ainda mais urgente.
De acordo com um documento interno a que a Euronews teve acesso, os líderes vão pedir à Comissão que apresente um texto revisto sobre o mercado de carbono da UE, o Sistema de Comércio de Emissões, o mais tardar em julho de 2026. Jørgensen indicou à Euronews que o executivo está "a discutir continuamente a transição energética a longo prazo do bloco, ao mesmo tempo que aborda as necessidades imediatas".
As declarações de Jørgensen surgem na sequência de uma semana turbulenta para o mercado global de energia, com o Irão a continuar a atacar os países do Golfo, fornecedores sistémicos e produtores de petróleo, com impacto no fluxo de carga ao longo do Estreito de Ormuz. A escalada e a intensidade da guerra fizeram com que os preços do petróleo subissem para 100 dólares por barril no início da semana, o maior aumento desde 2022.
O presidente Donald Trump afirmou, na terça-feira, que se o Irão avançasse com um plano para colocar minas no estreito, obstruindo o fluxo de navios, enfrentaria consequências militares "nunca antes vistas". A administração dos EUA também apresentou planos para escoltar navios-tanque em segurança através do Estreito de Ormuz, mas os detalhes sobre a operação permanecem pouco claros.
Uma reunião de líderes do G7 está marcada para quarta-feira, incluindo o presidente Trump, para discutir as consequências geoeconómicas da guerra com foco na energia, de acordo com fontes próximas ao gabinete do presidente francês Emmanuel Macron, que será o anfitrião deste encontro do G7.
Segundo fontes do setor, a Agência Internacional da Energia está a preparar a libertação de reservas estratégicas de petróleo no valor de 300 a 400 milhões de barris. Esta seria a maior intervenção para estabilizar o mercado desde a invasão russa da Ucrânia, que deu início a uma crise energética mundial em 2022.
Jørgensen, que participou numa reunião dos ministros da Energia do G7 na terça-feira, disse que a libertação das reservas seria benéfica se ajudasse a aliviar as preocupações a nível global.
"Ajudaria a manter os preços baixos", disse o comissário à Euronews. "Neste momento, na Europa, não estamos numa situação em que tenhamos problemas de segurança de abastecimento, mas é claro que a questão dos preços é extremamente importante para os nossos cidadãos e empresas".
Destacou ainda que em nenhum momento a União Europeia considerou a possibilidade de aliviar as sanções contra a energia russa, como os EUA estão a ponderar para fazer baixar os preços, e como a Hungria pediu à Comissão que fizesse, numa carta controversa esta semana. "Não queremos de forma alguma a energia russa", afirmou.
"Nós dissemos 'chega' e essa é uma posição que vamos manter."
Veja a entrevista na íntegra no Europe Today, todas as segundas e sextas-feiras, às 7h00 de Portugal continental, na Euronews.