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Acorrentados e amordaçados contra a decisão de Israel

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Acorrentados e amordaçados contra a decisão de Israel

Requerentes de asilo acorrentam-se contra decisão de Israel
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O cancelamento por parte de Israel do acordo com as Nações Unidas caiu como um balde de água fria nas esperanças dos quase 40.000 requerentes de asilo africanos atualmente nos territórios hebraicos.

Dezenas de imigrantes encenaram protestos à porta do gabinete do primeiro-ministro em Jerusalém e de diversos edifícios governamentais em Telavive.

Alguns deles acorrentaram-se e amordaçaram-se, outros empunharam cartazes onde se lia, por exemplo, "refugiados não podem deportar refugiados", numa clara alusão ao povo hebraico que fugiu para o Médio Oriente da perseguição na Europa.

Ao lado dos migrantes, a ativista Veronika Cohen lembra que segunda-feira chorou "de felicidade", mas esta terça-feira... "apenas" chorou.

"Não acreditávamos que isto pudesse acontecer e ainda temos esperança de que o primeiro-ministro Netanyahu venha a revelar a melhor parte dele mesmo e faça o correto", desejou Veronika Cohen.

Antes, pelas redes sociais, Benjamin Netanyahu confirmou o que já havia revelado de viva voz aos jornalistas pela manhã antes de um encontro com residentes do sul de Telavive: o cancelamento do acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Pressionado na véspera pelo próprio partido da ala direita, o Likud, o chefe do Governo israelita prometeu ainda "continuar a trabalhar com determinação para esgotar todas as possibilidades para remover os infiltrados" do país, como Netanyahu descreveu os requerentes de asilo africanos em Israel.

O acordo firmado com o ACNUR previa a transferência para outros países ocidentais como o Canadá, a Alemanha ou a Itália de 16.250 dos cerca de 39.000 migrantes africanos a pedir asilo em Israel.

O Estado hebraico não teria de pagar nada nem organizar a deslocalização doas migrantes, mas teria de legalizar alguns dos refugiados que iriam permanecer no país e inclusive fornecer formação profissional, o que não caiu bem aos militantes nacionalistas.

A ala direita do executivo pressionou o primeiro-ministro, exigindo a expulsão de todos os migrantes africanos do país, e Netanyahu acabaria por voltar atrás no compromisso ratificado com as Nações Unidas e cancelou o acordo de forma unilateral.

Em declarações ao jornal alemão Deutsche Welle pouco depois do volta-face israelita, o porta-voz do ACNUR disse estar "ainda esperançoso de que uma solução vai ser encontrada para estes requerentes de asilo que estão numa situação muito precária em Israel."

"Existem cerca de 39.000 [requerentes de asilo], a maioria vêm da Eritreia e do Sudão, e eles não são capazes de regressar aos respetivos países porque receiam ser perseguidos", acrescentou William Spindler.