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O perigo de uma nova bolha imobiliária na Europa

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O perigo de uma nova bolha imobiliária na Europa

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O preço das casas na Europa aumentou 4,5% no final de 2017. Mas, o rendimento disponível das famílias não aumentou nessa proporção. Num contexto de taxas de juro baixas e de maior facilidade ao nível do crédito em relação há dez anos, é altura de perguntar qual o impacto do preço da habitação na economia.

Se o preço do imobiliário aumenta muito, o pagamento do empréstimo passa a ser um fardo para as famílias. Além disso, depois da crise dos créditos hipotecários de alto risco ("subprimes"), os bancos tiveram de aumentar os rácios de solvência para reforçar o sistema bancário, o que dificulta a obtenção de crédito.

O caso da Suécia

Nos últimos anos, os preços do imobiliário aumentaram mais rapidamente que os salários, levando as famílias a contraírem dívidas elevadas. É o caso sa Suécia onde o endividamento de um terço das famílias representa mais de quatro anos e meio de salário.

"Houve legislação que dificultou o acesso ao crédito. A nova lei entrou em vigor no dia 1 de março deste ano e vemos que as famílias grandes são mais afetadas e têm mais dificuldades em comprar apartamentos maiores", afirmou Felix Hasselberg, agente imobiliário sueco.

A Suécia tomou medidas para regular o mercado imobiliário. O comprador deve dar uma entrada de 15% do valor da compra e amortizar todos os anos uma parte do empréstimo. Por outro lado, no cálculo dos riscos, os bancos começaram a dar mais peso aos empréstimos imobiliários.

Círculo vicioso

As famílias mais pobres têm dificuldades em reembolsar um empréstimo elevado, mas, a classe média também é afetada pela redução do rendimento disponível resultante do aumento do preço das casas,

Nos últimos anos, os preços elevados do imobiliário e a elevada taxa de endividamento pesaram sobre o orçamento das famílias suecas. Em consequência, o número de proprietários diminuiu, afetando toda a economia.

"O sistema é sustentável enquanto as taxas de juros permanecerem baixas. Mas o que acontecerá se aumentarem? O que acontecerá se as famílias gastarem menos noutros domínios, como na restauração e nas férias, para poderem pagar as taxas de juro mais elevadas? Algumas famílias serão obrigadas a vender as casas, mas, pensamos que isso não deverá acontecer para já", considerou o economista sueco da SEB, Jens Magnusson.

O papel da habitação social

O organismo europeu de regulação dos riscos alertou a Suécia e sete países europeus para os perigos da atual situação que combina um elevado nível de endividamento para compra de casa e uma inflação do valor das casas.

Os problemas do mercado imobiliário repercutem-se no conjunto da economia. Viajámos até Lyon para conhecer o ponto de vista de Cédric Van Styvendael, presidente da federação europeia da habitação social.

euronews: "Lançámos-lhe o desafio de trazer um objeto que represente o mercado imobiliário europeu. O que trouxe?

Cédric Van Styvendael: "Trouxe dois objetos, peço desculpa por ter mudado a regra. Trouxe as chaves que representam o que os europeus desejam e esperam obter. A habitação é crucial para os cidadãos europeus e há cada vez mais pessoas que não encontram uma casa compatível com os rendimentos, a situação de família ou o trabalho. A habitação social tem uma imagem má. Por isso, há um ano e meio, em Amesterdão, na Holanda, foi proposta a organização de um festival da habitação social para mostrar toda a riqueza desse dispositivo e mostrar o que ele dá à economia e aos territórios. Tenho o prazer de anunciar que o festival terá lugar em 2019 região metropolitana de Lyon".

euronews: "O que o preocupa mais: a valorização excessiva das casas ou o facto da dívida imobiliária das famílias ser elevada?"

Cédric Van Styvendael: "Hoje, o problema na Europa é que o preço da habitação aumentou mais do que os rendimentos das pessoas. Um em cada dez europeus gasta mais de 40 por cento dos recursos na habitação. É uma taxa de esforço demasiado elevada, as pessoas gastam demasiado para ter um teto, o que é alarmante. O segundo sinal de alarme é que essa taxa aumentou ainda mais para os mais pobres".

euronews: "A regulação bancária que entrou em vigor é suficiente para resolver os problemas que possam acontecer?"

Cédric Van Styvendael: "A situação é bastante paradoxal em relação à questão do acesso ao crédito para compra de casa. As taxas são de facto baixas, o que favorece a subida dos preços e ao mesmo tempo as exigências bancárias para emprestar dinheiro aos cidadãos são muito elevadas. Por isso, no final, o mercado de acesso ao crédito hipotecário favorece os mais ricos e não os mais pobres porque o dinheiro barato não é acessível às pessoas que mais precisariam dele, nomeadamente, as famílias jovens e as famílias mais frágeis".

euronews: "O que pensa da situação em França, comparativamente a outros países Europeus? Excetuando Paris, os preços estabilizaram em França".

Cédric Van Styvendael: "Tem razão. O indicador médio em França mantém-se estável mas o problema na Europa é a diferença entre os territórios atrativos, as grandes metrópoles europeias e os menos atrativos. Um exemplo. Na região metropolitana de Lyon os preços aumentaram 69% entre 2010 e 2015, o que é considerável. Voltámos a taxas de aumento anual das casas próximas de 2009. É um exemplo do que poderá acontecer se não estivermos atentos e se não implementarmos mecanismos de regulação para evitar uma nova bolha imobiliária na Europa".

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