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Como a Europa enfrentou os "cisnes negros" da pandemia e da guerra na Ucrânia

Em parceria com The European Commission
Como a Europa enfrentou os "cisnes negros" da pandemia e da guerra na Ucrânia
Direitos de autor euronews
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De  Paul Hackett
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A Europa mostrou uma reação sem precedentes a estes dois fatores, o que implicou um adiamento do rigor orçamental. Analisamos o tema com as próximas eleições europeias à porta.

A economia europeia tem sido abalada por uma série de crises nos últimos anos, entre elas a Covid-19, a guerra na Ucrânia, a crise energética e a inflação. Enquanto os europeus se preparam para ir às urnas, a Euronews procurou avaliar o desempenho económico e as perspetivas da União Europeia (UE), ao entrevistar os eurodeputados.

Uma das respostas da União Europeia para responder às várias crises dos últimos cinco anos foi o fundo NextGenerationEU, de 800 mil milhões de euros. Este fundo é destinado a acelerar a recuperação dos Estados-membros da UE, num período pós-pandemia, e a contribuir para a transição ecológica e digital do bloco.

"Vejo o NextGenerationEU como um protótipo. E é importante que o protótipo funcione bem para que o possamos tornar permanente”, disse Philippe Lamberts, eurodeputado e copresidente do Grupo dos Verdes.

Margarida Marques, eurodeputada do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, defende que “deve ser criado um novo mecanismo de investimento após o NextGenerationEU para investir na transição climática, na transição digital, no pilar europeu dos direitos sociais e na defesa”.

A pandemia da Covid-19 também obrigou Bruxelas a abandonar temporariamente os limites orçamentais. Desde então, muitos Estados-membros acumularam rácios recorde de dívida em relação ao PIB, um problema que a crise energética e a elevada inflação de 2022 apenas exacerbaram.

As regras orçamentais recentemente revistas visam reduzir a dívida acumulada durante a pandemia. Embora se assista a um regresso aos antigos limiares de défice de 3% e de dívida de 60% do PIB anual, respetivamente, foi concebida uma maior flexibilidade aos Estados-membros quanto à forma de reduzir a dívida. Mas haverá dinheiro suficiente para medidas como, por exemplo, a transição ecológica, especialmente com o financiamento pós-pandemia a terminar em 2026?

"No que diz respeito à dívida, estamos a debater-nos muito com esta questão. Ninguém sabe, neste momento, como pagar as taxas de juro. É por isso que a dívida significa menos oportunidades de investimento para a próxima geração. Precisamos de crescimento económico, essa é a base de poder da Europa, que é economicamente forte e temos de reiniciar o motor", afirmou Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu.

Paolo Gentiloni, comissário europeu para a Economia, defende que “não podemos dizer que o problema da UE e da zona euro é que temos uma dívida demasiado elevada”, acrescentando que este “é um problema de cada Estado-membro” e que, apesar das “regras comuns”, este têm de competir a nível mundial”.

Tensões comerciais

Outra questão que preocupa os eurodeputados é o comércio com a China, sendo que Bruxelas acusa o país de Xi Jinping de subsidiar setores-chave e de restringir o acesso aos seus próprios mercados. Até então, a política da Comissão Europeia tem sido a de esbater as diferenças com a China, mas será necessário ir tão longe?

"Vamos tentar conversar com a China, como podemos realmente criar, como podemos fazer acordos, e também devemos aceitar que um país pode ser mais competitivo na construção de veículos elétricos, painéis solares ou turbinas eólicas. Se a China está disposta a pagar pela nossa transição energética, então podemos concentrar os nossos recursos noutras áreas", defendeu o eurodeputado Michiel Hoogeveen, do Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus.

"Temos de manter os laços económicos, por isso ninguém quer acabar com eles, mas temos de reequilibrar a situação e, numa batalha estratégica com os chineses, temos de estar preparados para defender os nossos mercados", acrescentou Manfred Weber, eurodeputado e presidente do Partido Popular Europeu.

Tendo em conta os enormes desafios que a Europa tem enfrentado recentemente, a Euronews procurou compreender qual é o atual panorama económico.

O diretor do Bruegel, Jeromin Zettelmeyer, refere que a “A inflação está a descer. O Banco Central Europeu espera voltar a atingir o objetivo mais cedo e também espera reduzir a restritividade, algures no próximo trimestre. Por isso, há uma espécie de sensação de que haverá uma reviravolta no verão, e o principal fator é que os rendimentos reais estão a recuperar com a descida da inflação”.

Já Paolo Gentiloni destaca, novamente, que "a reação à pandemia foi sem precedentes - o mecanismo SURE, o NextGenerationEU. A reação à guerra também não teve precedentes. A unidade nas sanções, na reação política, na dissociação do gás russo. Mas se em 2024 assistirmos a uma aceleração da atividade, penso que concluiremos que fomos capazes de enfrentar estes dois cisnes negros da forma correta."

Com as próximas eleições europeias a decorrer entre os dias 6 e 9 de junho, os eurodeputados anseiam um mandato eleitoral mais tranquilo do que o anterior.

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