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Teerão agrava braço de ferro económico entre Bruxelas e Washington

UE mantém compromisso apesar da forte pressão dos Estados unidos
UE mantém compromisso apesar da forte pressão dos Estados unidos
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O Irão reagiu com veemência às exigências dos Estados Unidos para suspender de imediato o atual programa nuclear e para se retirar do conflito da Síria, onde se assume, a par da Rússia, como um dos principais aliados de Bashar al-Assad.

O presidente Hassan Rouhani recusa ceder à alegada chantagem e questionou a legitimidade de decisão de um antigo chefe de espiões, numa clara referência a Mike Pompeo, o novo secretário de Estado americano, que tem vindo a ser o porta-voz da Casa Branca nos processos diplomáticos mais sensíveis.

Pelas redes sociais, o chefe da diplomacia persa acusou Washington de estar a "regressar aos velhos hábitos", ditados por "interesses especiais corruptos".

"Repetem as mesmas escolhas erradas e vão repetir os mesmos maus resultados", anteviu Javad Zarif, garantindo que "o Irão continua, entretanto, a trabalhar com os (restantes) parceiros nas soluções do acordo nuclear pós (saída dos) Estados Unidos."

Pressão americana afeta UE

Na segunda-feira, Mike Pompeo reforçou a reinstalação das sanções americanas ao Irão, na sequência da retirada de Washington do acordo nuclear assinado por Barack Obama em 2015 com o regime de Teerão.

O secretário de Estado afirmou que os EUA vão "impor as mais fortes sanções de sempre" sobre o Irão e garantiu que a nação persa vai "batalhar para manter viva a economia" após começarem a fazer-se sentir os efeitos das sanções.

Pompeo acusou o Irão de ter continuado a expandir-se pelo Médio Oriente durante a vigência do acordo.

"O Irão podia ter usado o dinheiro recebido como acordo para impulsionar a fortuna económica de um povo lutador, mas o regime preferiu reforçar as guerras de interesses e financiar os bolsos do Corpo da Guarda Revolucionria Islâmica, do Hezbollah e do Hamas", afirmou o porta-voz da Casa Branca.

As sanções americanas ameaçam todas as empresas que tenham ou pretendam ter negócios no Irão ou com empresas iranianas. Incluindo, claro, alguns gigantes europeus como o consórcio da aeronáutica Airbus, que tem um acordo para vender 100 aviões à IanJet, ou a francesa Total, com um negócio de 5 mil milhões de dólares (4,8 mil milhões de euros).

A Total suspendeu entretanto as operações no Irão à espera de uma liberalização para prosseguir por parte das autoridades americanas, devido aos vários investimentos tidos em ativos americanos, e do apoio das autoridades francesas e europeias.

O diretor executivo da energética francesa, Patrick Pouyané, avisou, entretanto, que "o que não seria de todo bom para os EUA nem para a Europa é que no final apenas Rússia e China pudessem negociar com o Irão."

A União Europeia também reagiu, entretanto, com firmeza às exigências de Washington.

"O discurso do secretário Pompeo não demonstrou em que moldes o afastamento do acordo nuclear tornou ou poderá tornar a região mais segura da ameaça de proliferação nuclear ou em que medida nos coloca numa melhor posição para influenciar a conduta do Irão em áreas externas ao âmbito do acordo. Não há alternativa ao acordo", resume um comunicado assinado pela Alta Representante e Vice Presidente da União Europeia.

Federica Mogherini garantiu que os "28" "estão e vão manter-se comprometidos com a total e efetiva implementação do acordo nuclear enquanto o Irão cumprir com todos os compromissos nucleares, como tem vindo a fazer até agora."

A pressão americana, no entanto, continua a aumentar. Washington pretende claramente voltar a "estrangular" a economia persa e obrigar Teerão a aceitar as exigências.