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Europa pode fazer mais pelos 68,5 milhões de deslocados à força

Europa pode fazer mais pelos 68,5 milhões de deslocados à força
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REUTERS/Ali Hashisho
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Saborear novos pratos, aprender sobre outras culturas e promover a integração social dos refugiados são objetivos do Festival Culinário com Refugiados, por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, que se celebra a 20 de junho.

Sem os necessários sistemas de tutela, muitos menores desacompanhados vivem em contextos inapropriados

Sophie Magennis Representante Interina, ACNUR na UE

Abdelbasset Alheeshan, refugiado sírio que é cozinheiro amador, foi a estrela de um dos sete restaurantes participantes em Bruxelas.

"Recordo sempre um velho ditado: as pessoas são inimigas do desconhecido. Aí penso: É por isso que temos algumas barreiras, algumas fronteiras entre as pessoas. Mas a indústria de restauração, por exemplo, une as pessoas. Começamos a falar sobre comida e depois falamos sobre política. Logo, este tipo de iniciativa é muito importante para a integração", disse à euronews.

Mais de uma dúzia de cidades em todo o mundo participam neste evento, organizado por voluntários e organizações não-governamentais locais.

"Estamos sempre um pouco distantes desta questão, só a vemos na TV, não temos muitas possibilidades de participar. Mas assim fica mais fácil contribuir e estar mais envolvido", disse uma das clientes.

"Penso que há muita política em torno desta questão, mas é bom ter estas iniciativas para mostrar às pessoas que é possível fazer a integração", disse outra.

O festival é também ponto de partida para novas oportunidades profissionais. É o caso de Abdelbasset Alheeshan, que estudou administração e era gerente de uma armazém na Síria.

"Muitos refugiados - iranianos, afegãos, sírios - todos querem fazer algo por si mesmos no começo e, depois, pela sociedade que os acolhe. Não vou passar toda a minha vida sentado em casa a viver do dinheiro do governo", acrescentou à euronews.

Também por ocasião do Dia Mundial do Refugiado, a Agência de Refugiados da ONU (ACNUR) divulga o relatório Tendências Globais. Os dados referentes a 2017 revelam que há 68,5 milhões de Pessoas foram forçados a deslocar-se.

Destas, 37% são agora refugiados noutro país, num total de 25,4 milhões. Mais de metade (53%) são menores de idade.

"Nalguns países, não existem os necessários sistemas de tutela, pelo que vemos muitos menores desacompanhados a viverem em contextos inapropriados. Pedimos a todos os países que se certifiquem de que crianças desacompanhadas que são requerentes de asilo têm o apoio de uma equipa de tutores que ajude as crianças e ajude os governos a encontrar a melhor solução para elas", explicou, à euronews, Sophie Magennis, representante interina do ACNUR para Assuntos da União Europeia.

Um dos mitos atuais é que a maioria dos refugiados vai para países ricos quando, na realidade, 85%, estão em países em vias de desenvolvimento.

A Alemanha, um dos países mais ricos do mundo, aparece em sexto na lista (970,400), depois da Turquia (3,5 milhões), Paquistão (1,4 milhões), Uganda (1,4 milhões), Líbano (998,900) e Irão (979,400.

"A realidade atual - de que é expressão o que aconteceu com o navio Aquarius - aponta para o facto de que precisamos de um sistema adequado na Europa. Precisamos de um mecanismo de solidariedade que ajude todos os Estados-membros a trabalhar juntos para proteger quem precisa e gerir corretamente as questões de asilo e de refugiados na Europa", insistiu Sophie Magennis.

Estes dados estarão sobre a mesa dos líderes da União Europeia, na cimeira de Bruxelas, a 28 e 29 de junho.