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O primeiro Dia da Catalunha depois do desafio independentista

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O primeiro Dia da Catalunha depois do desafio independentista

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Os catalães celebraram mais uma diada, o dia nacional da Catalunha para os independentistas, o dia regional da Comunidade Autónoma, para o Governo central, quase um ano depois do referendo e da declaração unilateral de independência, que mergulharam Espanha numa crise constitucional sem precedentes desde 1975.

Durante as comemorações, os líderes da Generalitat, o Governo regional catalão, referiram várias vezes os nomes dos líderes políticos e sociais, detidos em prisões espanholas, que definiram como presos políticos.

Recordaram também aqueles que se encontram no exílio para evitar processos na Justiça.

Depois do referendo sobre a independência, considerado ilegal pela Justiça espanhola, o Governo da Generalitat procedeu a uma declaração unilateral de independência da chamada República da Catalunha, o que não foi reconhecido, nem por Madrid, nem pela União Europeia.

Ausentes das comemorações estiveram forças políticas favoráveis ao atual estatuto da Catalunha no seio do Reino de Espanha, num evento marcado por um discurso polarizado.

Pere Aranonès, vice-presidente do Governo regional catalão, disse que só poderia haver diálogo com Madrid se fossem "libertados todos os presos políticos" e se os "exilados" pudessem voltar para casa.

Pedro Sánchez, presidente do Governo espanhol, pediu, via rede social Twitter, respeito, diálogo e compreensão para que o dia 11 de setembro fosse um dia de "festa e de orgulho por uma cultura, uma língua e uma história que une todos os catalães".

Presentes nas cerimónias estiveram o presidente da Generalitat, Quim Torra (Junts per Catalunya) e o do Parlament - o parlamento autónomo - Roger Torrent, (Esquerda Republicana da Catalunha), formações a favor da independência, assim como Ada Colau, presidente da Câmara Municipal de Barcelona, que referiu ser necessário "pensar nas ausências"

"Há pessoas, líderes sociais e políticos, que estão presos e sem voz. É injusto que estejam na prisão," disse a presidente da Câmara de Barcelona.

Um dia para os independentistas

A diada tem sido, nos últimos anos, uma ocasião para demonstrar a força do independentismo. Os partidos de âmbito nacional, no entanto, dizem que para haver diálogo, deve haver cedências.

Foi o caso de Miquel Iceta, secretário-geral do Partido Socialista da Catalunha - PSOE:

"Espanha é um Estado de Direito com separação de poderes e se o Governo da Catalunha pede ao Governo de Espanha coisas que não estão ao alcance do Governo e se isso se impõe como condição para o diálogo, dificilmente poderemos seguir pelo único caminho possível, que é o do diálogo, negociação e do pacto," disse aos jornalistas.

Na cerimónia que antecedeu ao dia 11, Quim Torra apelou aos catalães a marcar presença nas ruas durante esta diada.

Para a líder do Ciudadanos (liberais, líder da oposição), Inés Arrimadas, a celebração do Dia da Catalunha foi uma "demonstração da anormalidade" que se vive na região, já que os atos do Governo catalão "excluem mais de metade dos catalães," ou seja, o que são contra a independência.