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Homo Faber, a exposição do passado, presente e futuro do artesanato

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Homo Faber, a exposição do passado, presente e futuro do artesanato

Homo Faber, a exposição do passado, presente e futuro do artesanato
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Cruzamento de culturas desde a Idade Média até ao Renascimento, Veneza carrega a memória arquitetónica, social e política de uma época em que os artistas não eram diferentes dos artesãos.

A cidade italiana foi, por isso, a localização perfeita para a fundação Michelangelo apresentar a exposição Homo Faber, ou seja, o homem capaz de fazer ferramentas. Na ilha de San Giorgio Maggiore, o artesanato de luxo marca encontro com o público.

Alberto Cavalli, diretor da fundação, salienta à euronews a importância desta exposição para defender o valor das tradições do passado na construção do futuro.

"O que gostaríamos de apresentar aqui é uma plataforma incrivelmente rica de talentos, de conhecimentos que poderiam tornar possíveis estes encontros entre criatividade e habilidade e entre know-how e visão, para que possamos ter a certeza de que estas atividades profundamente enraizadas na tradição possam perdurar no futuro”, afirma.

A moda e a manufatura na defesa do artesanato

Das técnicas de arquivamento e encadernação aos modos de tecelagem, são muitas as áreas de interesse nesta exposição.

Este arquivista oficial da família real britânica repete os mesmos gestos dos seus antecessores de há duzentos anos. Ao lado, tecelões de Florença são os últimos a trabalhar em teares desenhados por Leonardo da Vinci. A sua técnica? Manter um pé no passado para sobreviver no presente.

A curadora e produtora Judith Clark realça o efeito da moda na própria reinvenção constante do artesanato, desmontando anacronismos.

“A moda preserva as coisas e elas por vezes surgem e frequentemente sem aviso. Por isso, escolhi técnicas que estavam associadas a peças de vestuário de grande qualidade, como o bordado, que agora são aplicadas, por exemplo, a uma minissaia feita de ráfia. Assim, a exposição mistura sempre todas estas linguagens. O que sobrevive do passado e habita não só em trajes tradicionais, mas também na moda avant-garde”, refere.

Reconhecida a nível internacional, a designer de interiores India Mahdavi confessa que trabalha exclusivamente com artesãos.

“Projetei estes dois espaços de exposição para mostrar como o artesanato e o know-how podem alimentar e servir a imaginação de um designer. O meu trabalho é baseado em emoções que só a mão pode criar. Gosto das pequenas imperfeições do objeto feito à mão e do inesperado que chega através do trabalho artesanal.”

O artesanato ao longo dos tempos

Desde a criação de designs ultracontemporâneos até à restauração de obras-primas antigas, há apenas uma posição. Neste laboratório, uma brigada de artesãos cientistas está ocupada a combater o maior criminoso da história: a passagem do tempo.

“Todos os conservadores aqui trabalham no período e na peça que conhecem bem. Os estudos são completamente diferentes. Tem de se conhecer muito sobre química e física, os estudos nunca terminam”, declara Isabella Villafranca Soisson, curadora.

A ourives Caren Hartley, responsável pela oficina Hartley Cycles, produz bicicletas que conquistaram o direito a estar em garagens de luxo com veículos da Ferrari. Materiais, estruturas, dimensões, aerodinâmica: tudo é feito à medida do cliente.

“É um trabalho difícil, em parte devido às pressões financeiras, porque se demora muito tempo quando se faz alguma coisa à mão. Mas é também um trabalho muito gratificante, porque estamos sempre a fazer coisas diferentes, a usar as mãos, a trabalhar sobre as próprias ideias e a promover os nossos próprios desenvolvimentos", finaliza.

Ancorado no nosso tempo, o artesanato faz a corte às próximas gerações com experiências de realidade virtual, convidando os visitantes a uma imersão numa seleção de oficinas recriadas fielmente pelos expositores.

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