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Sábado, o dia dos protestos dos coletes amarelos

Sábado, o dia dos protestos dos coletes amarelos
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Há quatro semanas que os franceses saem às ruas para protestar. O movimento dos coletes amarelos surgiu inicialmente para contestar o aumento das taxas sobre os combustíveis. Depois de um sábado de violência na capital francesa, o Governo recuou, mas os ânimos não acalmaram e este fim de semana, Paris voltou a tornar-se um campo de batalha.

Quase duas mil pessoas foram identificadas em França no sábado passado, durante os protestos dos coletes amarelos, que levaram às ruas cerca de 136 mil manifestantes.

Cidadãos de todo o país rumaram a Paris.

"Vamos para Paris. Não sabemos o que vai acontecer. Não sabemos se nos vão deixar entrar", disse Morad, um manifestante que a repórter da Euronews, Anelise Borges, acompanhou na sua viagem de autocarro, ao longo de 500 quilómetros e sete horas.

Um forte dispositivo policial impediu os manifestantes de circularem livremente e de se aproximarem do Arco do Triunfo, vandalizado uma semana antes.

Para chegarem aos Campos Elísios, os manifestantes tiveram de passar por pontos de controlo policial, onde tiveram de se identificar e abrir as mochilas.

Os coletes amarelos criticaram a polícia por os terem encurralado e usado gás lacrimogéneo e balas de borracha contra manifestantes pacíficos.

"Eu disse que eles iam fazer isso e agora estamos bloqueados", diz Morad, sublinhando: "Isto não é a França. A França não é isto. Estamos a ser oprimidos e não fizemos nada. Nós pedimos aos outros países para respeitarem os Direitos Humanos, mas em casa não fazemos isso. Viu como isto começou. O que é que querem que façamos? Não podemos manifestar-nos. Não podemos fazer nada. E isto não é uma manifestação, é um movimento popular. As pessoas vieram de todo o lado. Isto é escandaloso! Isto não é a França!"

No meio da confusão, uma manifestante foi atingida por uma bala de borracha. Está ligeiramente ferida e em choque...

Enquanto uns pediam Justiça social, outros destruíram e pilharam dezenas de lojas parisienses.

Enquanto os coletes amarelos insistem que estes elementos violentos não faziam parte do movimento, outros acreditavam que apenas quebrando as regras conseguiriam mostrar a raiva e fazer o Governo curvar -se.

"Acredito que enquanto o Macron e o seu Governo não nos ouvir, as coisas só vão piorar. Não gosto de falar disso, mas não estamos longe de uma guerra civil. Isso é o que está a acontecer. Não estamos longe de outro maio de 68", afirma o manifestante David Olivier.

Durante o protesto de sábado, Morad decidiu que não vai voltar a Paris, para manifestar-se na próxima semana. Para ele chega.