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Belgrado fecha ano a ferver em protestos antiditadura

50 mil pessoas exigiram liberdade de imprensa e eleições justas na Sérvia
50 mil pessoas exigiram liberdade de imprensa e eleições justas na Sérvia -
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REUTERS/Marko Djurica
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Cerca de 50 mil pessoas terão participado, este sábado, em Belgrado, em mais uma onda de protestos contra a alegada autocracia do Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic.

O movimento conhecido como "Protesto contra a Ditadura" começou há alguns meses sem uma liderança organizada e tem vindo a fazer-se sentir em diversas cidades sérvias, incluindi também a segunda maior, Novi Sad, e Nis, no sul do país.

As manifestações têm vindo a crescer e no último mês ganharam ainda mais força depois de Borko Stefanovic, o líder do partido da oposição "Esquerda da Sérvia" e um dos membros da Aliança pela Sérvia, ter sido brutalmente atacado em Krusevac, no sul do país.

Depois dos quase 40 mil participantes na manifestação da semana passada, desta vez as ruas de Belgrado encheram-se com 50 mil manifestantes, de acordo com as estimativas dos meios de comunicação locais, citados por Jorgen Samso, o correspondente da Euronews na capital sérvia.

O movimento centra os protestos em Alksandar Vucic, o atual chefe de Estado e tido como o líder de facto do governo, cujo primeiro-ministro atualmente é Ana Brnabić, nomeada diretamente pelo antecessor e atual Presidente.

Quem é Ana Brnabić?

É o primeiro chefe de Governo assumidamente homossexual da Sérvia, a primeira mulher no cargo e a primeira pessoa a chefiar o executivo sérvio tendo ascedência parcial croata. Brnabić já havia liderado o Ministério da Administração Pública entre agosto de 2016 e junho de 2017, no executivo de Vucic, o que leva a oposição a vê-la como mera "marioneta" do agora Presidente e também líder do Partido Progressista Sérvio.

O movimento exige uma reforma eleitoral e liberdade de imprensa, contestando ao mesmo tempo o que denuncia como um agravamento da autocracia do chefe de Estado.

À Euronews, Dalibor Kocic, um dos manifestantes presentes no protesto deste sábado, disse estar ali em "apoio do povo e da própria Sérvia, contra a ditadura e a violência cometida pelo governo."

Uma manifestante, Natasha Vranic, disse-nos também que "tudo na Sérvia está errado" e que "nem existe liberdade para os jornalistas."

O Presidente Vucic nega todas as acusações de envolvimento no ataque ao membro da oposição que agravou há cerca de um mês os protestos antigoverno, diz-se pronto para se sentar à mesa com a oposição e até já havia sugerido antes a realização de eleições antecipadas.

Em simultâneo, o chefe de Estado garantiu que nem mesmo que o protesto junte cinco milhões de pessoas nas ruas (a Sérvia tem sete milhões de habitantes), ele vai ceder de mão beijada às exigências do movimento.

O correspondente da Euronews em Belgrado conta-nos que "os protestos destes milhares de manifestantes começaram há meses".

"A questão neste momento é saber quem vai quebrar. Irá o movimento de oposição conseguir manter esta força? Mais importante: irá o governo do presidente Vucic ceder e ser forçado a responder aos apelos de mudanças?", são as perguntas lançadas por Jorgen Samso, na conclusão desta reportagem em Belgrado, Sérvia.