EventsEventosPodcast
Loader

Find Us

PUBLICIDADE

Michael Rezendes: "Bispos não querem ser disciplinados"

Michael Rezendes: "Bispos não querem ser disciplinados"
Direitos de autor 
De  João Paulo Godinho
Partilhe esta notíciaComentários
Partilhe esta notíciaClose Button
Copiar/colar o link embed do vídeo:Copy to clipboardCopied

O jornalista que fez parte da equipa que revelou o escândalo de abusos na Igreja Católica dos EUA está cético sobre a cimeira que decorre no Vaticano.

PUBLICIDADE

O Vaticano acolhe um encontro inédito para travar o abuso sexual no clero, um escândalo que ensombra a Igreja Católica há quase 17 anos, quando o jornal The Boston Globe expôs o caso nos Estados Unidos.

O jornalista Michael Rezendes fez parte da equipa de investigação e, em entrevista à euronews, mostra-se cético sobre o real impacto da reunião que junta o Papa Francisco e bispos de todo o mundo.

"Não tenho grandes expectativas para a reunião. Antes de mais, o encontro é demasiado curto para que aconteça algo significativo. Também tenho dúvidas se o Vaticano está a ser sincero em realmente fazer mudanças que vão parar o abuso de crianças por padres e que vai responsabilizar os bispos por encobrir os abusos", afirmou.

Após 17 anos de ter ajudado a revelar um caso de abuso sistémico e encobrimento de proporções nunca antes vistas, Michael Rezendes - que descende de açorianos - lamenta o longo caminho que ainda há a percorrer para travar os crimes.

"É muito tempo e muito pouco foi feito. Acho que há pessoas no Vaticano que, depois de todo este tempo, ainda estão em negação e não acreditam que este é um problema sério. Acho que os bispos não querem ser disciplinados. Há também uma tradição na Igreja Católica de deixar os bispos reinarem sobre a sua diocese. Eles têm uma quantidade incrível de poder e, em grande parte, não querem abandonar o controlo que têm. Não sentem que lhes deva ser dito o que devem fazer".

Para o jornalista e vencedor do Prémio Pulitzer de investigação, é fundamental o contributo da comunicação social para forçar a Igreja Católica a produzir uma mudança real.

"Espero que os media continuem a cobrir esta questão e continuem a revelar o abuso sexual do clero, porque a reunião nunca teria acontecido se não fosse pela atenção intensa e consistente dos media. A única vez que a Igreja parece fazer qualquer coisa é quando a pressão mediática se torna demasiado grande. É realmente importante que o Vaticano saiba que não vamos parar até que algo seja feito", concluiu.

Partilhe esta notíciaComentários

Notícias relacionadas

Cimeira sobre abusos sexuais no Vaticano

Mulheres que dizem ter sido abusadas por um jesuíta outrora famoso exigem transparência ao Vaticano

Papa Francisco apela à solidariedade com as vítimas das guerras