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"A casa Europa está a arder"

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Euronews - Está em digressão com o seu espetáculo "Looking for Europe". Porque decidiu começar esta tournée agora?

Bernard-Henri Lévy - Porque a casa Europa está a arder, a nossa casa comum da qual somos patriotas, ou seja, a casa da Europa é hoje a presa dos incendiários. Os incendiários são os populistas. Os incendiários são os inimigos exteriores que estão a tentar desestabilizar a casa Europa, é Putin, é infelizmente Donald Trump, é também o islamismo radical. Isto significa que toda esta construção europeia que damos, de forma demasiado ingénua, como adquirida, que foi inscrita na história e que inevitavelmente iria até ao final, está hoje ameaçada.

Euronews - Por que a Europa já não faz sonhar?

Bernard-Henri Lévy - Já não consegue fazer sonhar antes de mais porque existem outras forças, essas forças populistas e muitas vezes neofascistas que atearam fogo à planície. E depois também é verdade que esta Europa esteve provavelmente abaixo do que deveria ser. Não é política ou social o suficiente, não tem estado suficientemente atenta aos mais pobres e necessitados. E existe na Europa um número muito grande de cidadãos que dizem que esta Europa não é para nós. Hoje, é preciso combater os populistas, mas é especialmente importante não ter a tentação de deitar fora o bebé com a água do banho. Primeira tarefa: vencer os populistas. Depois, a segunda tarefa, terá que ser a próxima Comissão Europeia a enfrentá-la.

Euronews - E como se pode dar um novo impulso, um novo fôlego à Europa quando temos o Brexit, quando vemos o Reino Unido prestes a deixar a União Europeia?

Bernard-Henri Lévy - O facto do Reino Unido sair já limita a Europa de uma parte desse fôlego. A Europa tinha alguns pulmões e agora terá um a menos. Se o Reino Unido realmente sair, é uma ruína, é uma perda seca, é uma hemorragia de valores se a saída da Grã-Bretanha se confirmar. Ao mesmo tempo, a Europa vai recuperar. E, ao contrário do que previram as Cassandras, vocês viram o que aconteceu, a perspetiva de uma possível saída do Reino Unido melhorou bastante as fileiras em vez de dar o sinal da debandada. O que significa que as instituições europeias são mais fortes do que pensávamos.