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Os crocodilos e os "40 magníficos" da Beira

Alguns dos crocodilos da quinta de Manuel Guimarães a norte da Beira
Alguns dos crocodilos da quinta de Manuel Guimarães a norte da Beira
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É uma das histórias de bravura e coragem na tragédia do ciclone Idai em Moçambique. Quarenta homens, já batizados como "os 40 magníficos", abdicaram de estar com as respetivas famílias durante a passagem da tempestade para salvar um negócio, mas ao mesmo tempo, sem o saberem ainda na altura, para evitar uma tragédia ainda pior.

Os "40" tinham por missão evitar a fuga de 26 mil crocodilos de uma quinta em Nhangau, no distrito da Beira. Não muito longe, outros homens tentaram salvar o maior número de animais de uma exploração de pecuária.

Um deles salvou duas mil cabeças de gado, mas não volta a ver com vida nenhum dos quatro filhos, com idades entre os dois e os 11 anos, que perdeu com o Idai. O "senhor João" é um dos que Manuel Guimarães, o proprietário de 63 anos de ambas as quintas, nunca irá esquecer.

“É graças a esses 40 homens que não sofremos uma desgraça na empresa porque 26 mil crocodilos representam muitos milhares de dólares. Mas também evitaram uma desgraça para a população. Já viram o que era 26 mil crocodilos por aí à solta? Seria terrível", admitiu Manuel Guimarães, em declarações à agência Lusa.

O patrão das duas explorações de animais fez questão de expressar um agradecimento especial a "a estes '40 magníficos' da quinta dos crocodilos e à malta da Agripec, a quinta dos bois. Foi por eles que não perdemos mais animais. Infelizmente, o senhor João perdeu quatro filhos", lamentou.

Na quinta-feira, 14 de março, Manuel Guimarães chamou os empregados e pediu-lhes para o ajudarem a preparem-se para os fortes ventos esperados com a chegada a terra do ciclone Idai.

Os empregados reforçaram as muralhas, em especial as situadas junto aos tanques dos crocodilos, com placas de zinco e não arredaram pé. Nem mesmo para se juntarem às famílias durante a intempérie.

Durante duas noites, os "40 magníficos" mantiveram-se ali, a controlar a queda de árvores sobre os tanques, a evitar a derrocada das muralhas e a temida evasão dos crocodilos, alguns de tamanho bem considerável.

O ciclone já passou há mais de uma semana, mas Manuel Guimarães ainda não consegue conter as lágrimas quando recorda o esforço dos empregados para lhe manter o negócio. Alguns, como o "senhor João", com custos bem altos e irreparáveis.